conecte-se conosco


Artigos - ES1.com.br

Não reclame tanto. Certamente você já tem o que te é essencial

Publicado em

Ouvi certo dia, o relato comovente de uma mãe cujo filho pequeno havia lhe pedido um biscoito. Ela contou que foi até a cozinha e pegou, de cima do velho armário, o último biscoito de um pacote. A criança, bem pequena, foi até um cantinho da cozinha, sentou-se e num ritual de deleite, comeu o biscoito. Depois se levantou e foi até à mãe, pedindo mais um.

Não tinha!

Digo que diante deste drama tão minuciosamente comovente, três corações foram despedaçados. O da mãe, que embora zelosa, não conseguia manter o mínimo para sustentar seus filhos. O da criança, cujos desejos inocentes, não puderam ser satisfeitos. O meu, ao ouvir tão doloroso relato.

Vez ou outra ainda me recordo do dia em que me contaram esse relato triste. Depois dele percebi que algumas reclamações soariam como injustiça. Aliás, só os corações mais insensatos não se sentiriam assim. Ainda sinto arrependimento ao pensar nas tantas vezes em que murmurei reclamações, que agora mais parecem pecados.

leia também:  O papel do secretário (a) escolar

Mas agradeço por ter tido a oportunidade de experimentar do sofrimento alheio e poder mudar minhas próprias concepções. Algumas questões que levantamos, e que disso parece depender nossa própria vida, não significam nada diante do sofrimento que muitos experimentam diariamente. O “com que roupa eu vou?”, o “este sapato não combina!” não conseguem encontrar significado diante dos dramas sérios a que muitas pessoas estão submetidas.

Se a gente pensar bem, não faz sentido, de jeito nenhum, saber que enquanto nos preocupamos com a cor do esmalte que vamos usar, tem gente lutando para conquistar um lugar onde possa repousar. Não faz sentido reclamar que não se tem guloseimas no armário, enquanto alguns não têm sequer o necessário para matar a fome. 

Reclamar? Por favor, só se for estritamente necessário! E se assim for, que seja com justiça. Pra não confrontar com os relatos de quem não tem mais biscoitos, nem esperança. 

Os dramas alheios devem nos ensinar que já temos o necessário. Urgente é fome, sede, frio… Delícias e tendências não fazem tanta falta assim. Se os tem, use-os com sabedoria. Se não os tem, não lamente tanto. Disso não depende sua felicidade, muito menos sua dignidade como ser humano. 

leia também:  O Senhor já o fez - poema escrito pela gabrielense Ackilla Nayhara Vechi

É sábio aquele que sabe reconhecer que já tem o suficiente para viver bem.
E de certa forma se satisfaz com isso. É melhor ter pouco, mas ter o coração em paz. Com a serenidade de quem agradece pelos bens que conquistou e que, se for preciso, vez ou outra, será capaz de dividir os biscoitos que conseguiu armazenar.

 

 

Alessandra Piassarollo
Administradora e Escritora

Artigos - ES1.com.br

Como diferenciar Autismo e TDAH – Artigo escrito pela neuropsicóloga gabrielense Jéssica Pereira Pelissari Oliveira

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA) são condições do neurodesenvolvimento que frequentemente geram dúvidas entre pais, educadores e até mesmo profissionais. Isso acontece porque ambos podem apresentar dificuldades de atenção, interação social e desafios no ambiente escolar. No entanto, apesar de algumas semelhanças, existem diferenças importantes entre eles.

O TDAH é caracterizado principalmente por dificuldades relacionadas à atenção, impulsividade e hiperatividade. Pessoas com TDAH costumam apresentar desorganização, dificuldade para concluir tarefas, esquecer compromissos e ter problemas para manter o foco em atividades que consideram pouco interessantes. Em contrapartida, quando encontram algo que desperta grande interesse, podem apresentar o chamado hiperfoco, permanecendo concentradas por longos períodos naquela atividade específica.

Já no autismo, além das dificuldades na interação social e na comunicação, é comum observar comportamentos mais rígidos e interesses restritos. Muitas pessoas com TEA apresentam necessidade de previsibilidade, resistência a mudanças e sofrimento diante de situações que fogem daquilo que esperavam ou planejaram. Essas características podem ser percebidas em brincadeiras, rotinas e relações sociais.

leia também:  A IMPORTÂNCIA - poema escrito pela gabrielense Ackilla Nahara Vechi

Outra diferença importante está na forma como ocorre a interação social. A pessoa com TDAH geralmente deseja se relacionar e participar das atividades sociais, mas sua impulsividade, dificuldade em esperar a vez ou controlar comportamentos pode gerar conflitos e afastamento dos colegas. No autismo, por outro lado, frequentemente existem dificuldades relacionadas à compreensão das regras sociais, da reciprocidade nas interações e da chamada atenção compartilhada, habilidade fundamental para a construção das relações interpessoais.

Embora apresentem características distintas, TDAH e autismo podem coexistir no mesmo indivíduo, tornando a avaliação especializada ainda mais importante. Um diagnóstico preciso permite compreender as necessidades específicas de cada pessoa e direcionar intervenções mais eficazes.

Na Clínica Evoluta, a avaliação neuropsicológica é realizada com rigor científico, embasamento técnico e olhar individualizado para cada paciente. O processo permite identificar de forma detalhada o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental, contribuindo para diagnósticos mais precisos e intervenções adequadas às necessidades de cada indivíduo. A avaliação neuropsicológica é realizada na Clínica Evoluta, em São Gabriel da Palha.

Foto: Arquivo Pessoal

Jéssica Pereira Pelissari Oliveira – CRP 16/5835

leia também:  Egoísmo: o comportamento que adoece o mundo

Psicóloga, neuropsicóloga e especialista em desenvolvimento infantil, Jéssica Pereira Pelissari Oliveira possui sólida formação e atuação voltada à avaliação e intervenção nos transtornos do neurodesenvolvimento. É pós-graduada em Neuropsicologia, Terapia Cognitivo-Comportamental na Infância e Adolescência Intervenção ABA aplicada ao TEA ao DI.

É especialista em Neuropsicologia reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia. Atua como idealizadora e diretora da Clínica de Desenvolvimento Infantil Evoluta, localizada em São Gabriel da Palha/ES, referência no atendimento multidisciplinar a crianças e famílias. É ainda coautora do livro Vozes da Neurodiversidade, obra que contribui para a ampliação do conhecimento e da conscientização sobre o neurodesenvolvimento e a inclusão.

Visualizar

MAIS LIDAS DA SEMANA

error: Conteúdo protegido!!