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Estado realizará monitoramento logístico de rochas ornamentais
Com o objetivo de reduzir os acidentes de trânsito envolvendo transporte de blocos e chapas serradas de rochas ornamentais, o Governo do Estado do Espírito Santo, por meio da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e do Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran|ES), assinou, na quinta-feira (01), o contrato com a Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (FEPESE), instituição de apoio à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para desenvolvimento de estudos e pesquisas aplicadas sobre acidentes de trânsito e suas causas no Estado do Espírito Santo, com vistas à implantação do Programa voluntário de monitoramento logístico de rochas ornamentais e do observatório de registro de informações.
De acordo com o diretor-geral do Detran|ES, Romeu Scheibe Neto, o monitoramento logístico permitirá ao Estado transformar o cenário da acidentalidade com o segmento de rochas ornamentais desenvolvendo um projeto customizado à nossa realidade. “A elaboração desses estudos e de um Observatório permitirá melhor diálogo com todas as áreas responsáveis pela logística viária. Desta forma poderemos prover aos órgãos fiscalizadores do trânsito informações qualificadas para melhor atuação e defesa da vida e assim facilitar a vida de quem está certo e dificultar para quem está errado, o que acredito que possibilitará a redução de acidentalidade”, concluiu.
O Doutor e professor Flávio Demori, do Laboratório de Transportes da UFSC (Labtrans), comentou sobre os benefícios dessa parceria. “Esses estudos e monitoramentos permitirão posteriormente implantar e especificar o corredor eletrônico de fiscalização que possibilitará coleta de informações em tempo real, permitindo assim uma melhor integração das informações sobre acidentes de trânsito e suas causas”.
Em outubro do ano passado, Romeu Scheibe Neto, juntamente com os representantes do segmento de blocos e chapas serradas de rochas ornamentais e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento do Espírito Santo, realizou uma visita técnica à Universidade Federal de Santa Catarina, onde conheceu soluções tecnológicas que, uma vez implantadas, ajudarão no combate do transporte irregular de rochas ornamentais, permitindo uma ação mais efetiva da fiscalização do excesso de peso transportado.
O presidente do Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Espírito Santo (Sindirochas-ES), Tales Machado, reforçou a importância do projeto para o setor, que tem participação em 10 % do PIB capixaba e está presente em 78 municípios do Estado. “A assinatura desse projeto vai contribuir com a competitividade no setor de rochas ornamentais capixaba, ele vai incentivar as empresas que ainda não atuam na regularidade para se adequar”.
Vale lembrar que o Detran|ES, o Sindirochas Espírito Santo, o Centro Tecnológico do Mármore e Granito (Cetemag), a Associação Nacional dos Organismos de Inspeção (ANGIS) e o Sest/Senat realizaram uma ‘força-tarefa’ no ano passado, a fim de promover a regularização dos condutores e veículos que fazem o transporte de rochas nas rodovias do Estado.
Já o professor e presidente da FAPESE, Mauro dos Santos Fiuza, comentou o pioneirismo do projeto. “O Espírito Santo será o pioneiro nesse tipo de trabalho e será referência para os outros Estados”, destacou.
Secom-ES
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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil
O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.
O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.
Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.
A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.
No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.
O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.
Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.
“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.
Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.
A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.
Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.
A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.
Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.
O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.
Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.
Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.
O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.
Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.
O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.
Fonte: Pensar Agro
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