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AGRICULTURA REGENERATIVA: COMO RECUPERAR O SOLO E PRODUZIR MAIS COM SUSTENTABILIDADE

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O setor agrícola atravessa um período de mudanças significativas. Métodos convencionais vêm desgastando os solos ao redor do mundo. Produtores rurais procuram caminhos para devolver vida às terras cansadas. A agricultura regenerativa apresenta-se como solução viável e necessária. Ela combina saberes ancestrais com avanços da ciência moderna. 

A proposta ultrapassa o conceito de mera sustentabilidade ambiental. O foco está em regenerar ativamente ecossistemas degradados pelo uso intensivo. Esse modelo converte áreas produtivas em sistemas de reparação natural. Entender seus fundamentos modifica a relação do homem com o campo. Quem adota essas práticas percebe ganhos econômicos e ecológicos. A transformação começa de baixo para cima, literalmente, pelo solo.

Os quatro pilares da agricultura regenerativa

1. Redução da perturbação do solo

O preparo mecânico intensivo desestrutura a camada fértil da terra. Implementos pesados fragmentam agregados e expõem a matéria orgânica. Esse processo acelera a erosão e empobrece o ecossistema subterrâneo. A abordagem regenerativa propõe eliminar ou diminuir o revolvimento. O plantio direto é a ferramenta mais empregada nesse sentido. 

Raízes mantêm a coerência física e biológica do substrato. Os microrganismos prosperam sem a desorganização causada pelo arado. A porosidade melhora, favorecendo a infiltração da chuva. A recuperação estrutural torna-se visível após alguns ciclos produtivos.

2. Cobertura vegetal permanente

A superfície descoberta degrada-se rapidamente sob ação climática. Sol, vento e precipitação arrancam nutrientes da camada superficial. Manter o chão protegido é regra básica desse sistema. Coberturas mortas e culturas vivas cumprem essa função. 

A palhada reduz a evaporação e ameniza a temperatura do solo. Ela também inibe o surgimento de plantas invasoras competitivas. Pesquisas indicam aumento de carbono orgânico com essa conduta. A camada protetora decompõe-se gradualmente, alimentando a biologia local. Esse mecanismo cria uma reserva natural de elementos nutritivos. A dependência por fertilizantes externos diminui ciclo após ciclo.

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3. Diversificação de espécies cultivadas

O cultivo repetido de uma única espécie empobrece o ambiente. Rotação e consorciação trazem equilíbrio para o agroecossistema. Diferentes plantas acessam nutrientes em camadas variadas do perfil. Leguminosas capturam nitrogênio da atmosfera e o disponibilizam no solo. 

Outras espécies solubilizam fósforo em profundidades maiores. Na plantação de arroz, o revezamento de culturas interrompe ciclos patogênicos. O consórcio entre gramíneas e leguminosas potencializa resultados agronômicos. A variedade vegetal acima reflete-se na riqueza microbiológica abaixo. Insetos benéficos encontram abrigo e alimentação em áreas diversas. Cada nova espécie adicionada fortalece a teia ecológica da lavoura.

4. Integração de sistemas produtivos

Combinar lavoura, pecuária e floresta otimiza o uso da propriedade. Árvores oferecem sombra, proteção e matéria orgânica para os animais. O gado deposita dejetos que enriquecem o substrato cultivável. A agricultura aproveita esse adubo natural para elevar a produção. 

Esse ciclo se fecha de maneira orgânica e eficiente. O modelo integrado corta despesas com insumos comprados de fora. Cada elemento sustenta o outro dentro de uma rede interligada. Árvores nativas dentro da fazenda regulam o microclima regional. Madeira e frutos geram receita extra para o produtor.

Foto: Divulgação

Benefícios que o produtor pode mensurar

Captura de carbono como receita extra

Solos bem manejados acumulam carbono retirado da atmosfera. Cada hectare regenerado retém toneladas de CO2 anualmente. Isso posiciona a fazenda como aliada no combate climático. O carbono estocado melhora a estrutura e a retenção hídrica. 

As culturas tornam-se mais tolerantes a períodos de seca prolongada. Gastos com irrigação caem de forma progressiva. Mercados de carbono remuneram essa contribuição ambiental. A renda verde surge como complemento à venda de grãos.

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Economia de insumos e maquinário

A fertilidade natural diminui a necessidade de adubos químicos. Controle biológico substitui defensivos em diversas situações. Bioinsumos ganham espaço nas propriedades de vanguarda. Menos tratoradas significam menos combustível e menor desgaste do solo. 

O lucro cresce mesmo com redução de gastos variáveis. Produtores relatam queda expressiva nos custos de produção. A propriedade fica mais competitiva e financeiramente resiliente. Essa vantagem se mantém mesmo em anos de safra desafiadora.

Primeiros passos para a transição

A conversão não ocorre em uma única estação agrícola. Começa com áreas-piloto dentro da própria fazenda. Um diagnóstico do solo aponta quais práticas adotar primeiro. Acompanhamento técnico especializado encurta a curva de aprendizado. 

Resultados concretos surgem geralmente na segunda colheita. Registrar cada mudança ajuda a ajustar o manejo com precisão. Dialogar com vizinhos que já trilharam esse caminho acelera o progresso. Cooperativas disponibilizam suporte técnico e conhecimento prático. Cada propriedade descobre seu próprio ritmo de transformação.

Um futuro que nasce no solo

A agricultura regenerativa demonstra que produzir e conservar são compatíveis. O terreno recuperado devolve à sociedade alimentos mais nutritivos. A água escorre mais limpa e farta nas microbacias. O agricultor conquista rentabilidade e tranquilidade ao mesmo tempo. 

Esse paradigma não é tendência passageira nem privilégio de poucos. Trata-se de uma resposta concreta aos desafios do clima atual. Quem inicia hoje prepara a terra para as próximas gerações. Regenerar o campo é plantar um amanhã mais fértil e justo.

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UE descarta adiamento e confirma bloqueio às carnes brasileiras a partir desta quinta-feira

A União Europeia não deve adiar o bloqueio às importações brasileiras de carnes e outros produtos de origem animal previsto para começar nesta quinta-feira (03.09). A confirmação foi dada nesta segunda-feira (31.08) pelo deputado irlandês Ciaran Mullooly, após reunião com representantes do gabinete do comissário europeu de Saúde e Bem-Estar Animal, Oliver Várhelyi.

Segundo Mullooly, a possibilidade de conceder autorizações individuais para determinadas regiões ou propriedades brasileiras também foi descartada. Com isso, as tentativas realizadas pelo Brasil nas últimas semanas para evitar a interrupção das vendas não conseguiram, até agora, alterar o cronograma europeu.

A restrição alcança carne bovina e de aves, ovos, mel, pescados e tripas, entre outros produtos de origem animal. A União Europeia retirou o Brasil da lista de países considerados aptos a atender às novas exigências sobre o uso de antimicrobianos, decisão anunciada em maio com aplicação prevista para 3 de setembro.

As regras europeias proíbem o uso de antimicrobianos para promover crescimento ou aumentar o rendimento dos animais e também impedem a utilização de medicamentos reservados ao tratamento de determinadas infecções humanas. Para exportar, o país fornecedor precisa oferecer garantias de que essas exigências são cumpridas ao longo da cadeia produtiva.

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), avalia que a confirmação do bloqueio representa um problema comercial relevante, mas considera necessário separar as exigências técnicas europeias das críticas feitas por grupos políticos e representantes de produtores daquele continente.

“Uma coisa é a União Europeia estabelecer regras para o acesso ao seu mercado e exigir que o Brasil demonstre documentalmente que consegue cumpri-las. Outra completamente diferente é transformar essa discussão em julgamento sobre a qualidade da carne brasileira. O Brasil é um dos maiores fornecedores de proteína animal do mundo, atende mercados extremamente exigentes e possui sistemas oficiais de controle sanitário. Se existe uma deficiência na comprovação exigida pela Europa, ela precisa ser corrigida tecnicamente, e não transformada em argumento para desqualificar toda a nossa produção”, afirma.

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A reação de Rezende ocorre depois de parlamentares irlandeses ampliarem as críticas ao produto brasileiro. O deputado Martin Kenny, porta-voz do Sinn Féin para agricultura e alimentos, chegou a defender a retirada de carnes brasileiras que já se encontram em circulação na Irlanda e classificou os produtos do País como inferiores aos produzidos localmente.

Para Rezende, declarações desse tipo mostram que a disputa ultrapassa a questão sanitária e ocorre em um ambiente de forte concorrência entre os produtores europeus e o agronegócio brasileiro.

“É impossível ignorar o componente comercial dessa discussão. O produtor europeu está submetido a custos elevados e vê o Brasil ampliar sua presença internacional com uma produção altamente competitiva. Isso não elimina a obrigação brasileira de cumprir as regras do mercado para o qual pretende vender, mas também não podemos aceitar que uma pendência regulatória seja utilizada para construir a imagem de que o alimento brasileiro é inseguro ou inferior. São coisas diferentes e precisam ser tratadas dessa forma”, diz o presidente do IA.

A Comissão Europeia já havia informado que o Brasil poderá retornar à lista de fornecedores autorizados quando conseguir demonstrar o cumprimento das exigências. O problema é que, para algumas cadeias, especialmente a bovina, a adequação pode demandar mais tempo porque envolve informações referentes ao histórico dos animais.

Mullooly afirmou que a Comissão Europeia também descartou uma alternativa que vinha sendo considerada nos bastidores: permitir que regiões, propriedades ou cadeias brasileiras que conseguissem demonstrar individualmente o cumprimento das regras continuassem exportando. Segundo o parlamentar, a autorização dependerá da situação do País perante as exigências europeias.

Rezende considera que esse é justamente o ponto que exige uma resposta rápida do governo e do setor produtivo.

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“Agora não adianta discutir apenas se a decisão europeia é justa ou injusta. O Brasil precisa identificar exatamente quais garantias ainda não foram consideradas suficientes, estabelecer um cronograma para atender cada uma delas e negociar uma solução que permita recuperar o mercado no menor prazo possível. Cada mês de restrição representa espaço que pode ser ocupado por concorrentes e, depois que outro fornecedor conquista esse comprador, recuperar a posição custa muito mais”, afirma Isan.

O mercado europeu não é o maior destino em volume da carne brasileira, mas possui importância estratégica por comprar produtos de maior valor agregado e funcionar como referência sanitária para outros compradores internacionais. Em 2025, as exportações brasileiras de carnes bovina e de aves para o bloco movimentaram cerca de R$ 9,3 bilhões, considerando a conversão dos US$ 1,8 bilhão registrados no período pelo câmbio atual próximo de R$ 5,15.

A pressão política contra o produto brasileiro também ganhou força na Irlanda. Nesta segunda-feira, Kenny pediu ao governo irlandês esclarecimentos sobre o destino das carnes brasileiras importadas antes da entrada em vigor das novas regras e defendeu até mesmo o recolhimento desses produtos. A reivindicação do parlamentar, porém, não significa que a União Europeia tenha determinado um recall.

Pelas informações divulgadas por Mullooly após o contato com a Comissão Europeia, produtos que tenham deixado o Brasil antes da entrada em vigor da nova regra poderão ser tratados de maneira diferente dos novos embarques.

Para o Brasil, portanto, a discussão muda de fase nesta semana. Depois das tentativas de evitar a entrada em vigor da medida, a prioridade passa a ser demonstrar o atendimento às exigências europeias e reduzir o período de afastamento de um dos mercados mais rigorosos e valorizados para as proteínas animais brasileiras.

Fonte: Pensar Agro

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