conecte-se conosco


Artigos - ES1.com.br

Superação pela Educação: Anomalias Congênitas (anquiloglossia), Estigma e Superação: Memórias que se Transformam em Propósito – Artigo escrito pela pedagoga gabrielense Rubiani de Fátima Roque

Publicado em

As experiências da infância exercem papel decisivo na construção da identidade, da autoestima e das escolhas ao longo da vida. Quando atravessadas por preconceito e violência simbólica, seus impactos tornam-se ainda mais profundos, especialmente no ambiente escolar, espaço que deveria promover acolhimento e desenvolvimento integral.

A anquiloglossia — popularmente conhecida como “língua presa” — é uma condição congênita simples do ponto de vista clínico, mas que pode adquirir dimensões dolorosas quando associada à desinformação e ao estigma. Na escola, minhas dificuldades de fala tornaram-se alvo de zombarias e imitações cruéis, transformando tentativas de comunicação em experiências de vergonha e silenciamento. Cada comentário pejorativo e correção ríspida comprometia não apenas minha expressão oral, mas também minha autoestima e segurança emocional.

Assim, a anquiloglossia deixou de ser apenas uma condição física para se tornar uma ferramenta de humilhação. Revisitar essas memórias é reconhecer o impacto emocional da discriminação associada a condições congênitas, mas também a força que emergiu desse processo. O que foi visto como fragilidade tornou-se a base do meu compromisso com a inclusão.

leia também:  DEZ DICAS INFALÍVEIS PARA PASSAR EM CONCURSOS PÚBLICOS - Artigo escrito pela gabrielense Fasley Teixeira de Siqueira e Silva

Essa trajetória contribuiu diretamente para minha escolha profissional e para a idealização do projeto “Mãos que Falam”, voltado à ampliação do acesso à Língua Brasileira de Sinais (Libras) e à promoção da comunicação acessível no contexto escolar. A menina silenciada transformou-se em professora, escritora e agente de inclusão, dedicada a ressignificar espaços que antes representaram dor.

Hoje, aos 35 anos, retorno à escola não mais como aluna calada, mas como educadora que encontrou na fé, no propósito e no compromisso com a acessibilidade a força para transformar experiências de exclusão em práticas de acolhimento. Conclui-se que nenhuma criança deve enfrentar sozinha o bullying, o racismo ou a discriminação. Intervir é dever ético da escola, acolher é compromisso pedagógico e proteger a infância é assegurar que nenhuma voz seja calada antes mesmo de aprender a existir no mundo.

“Ressignificar o passado não significa apagá-lo; significa iluminá-lo, permitindo que dele surjam maturidade, direção e responsabilidade social.” (autoria) ROQUE, R. F.

Rubiani de Fátima Roque. Foto: Arquivo Pessoal

Rubiani de Fátima Roque

leia também:  “Até que eu encontre o caminho certo, meu nome será recomeço”

Mestranda em Educação (UFES). Pedagoga, com pós-graduação em Educação Especial e Inclusiva, com ênfase em Surdez e Libras; Docência do Ensino Superior em Libras; Alfabetização e Letramento; Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental; e Gestão Escolar. Possui formação como Tradutora e Intérprete de Libras. Atua como professora da Rede Municipal de Educação de São Gabriel da Palha, exercendo as funções de Tradutora e Intérprete de Libras e professora regente. É idealizadora do Projeto “Mãos Que Falam” (2025), voltado à promoção da inclusão e acessibilidade. Possui experiência na área da Educação, com ênfase em Surdez e Libras.

Artigos - ES1.com.br

Como diferenciar Autismo e TDAH – Artigo escrito pela neuropsicóloga gabrielense Jéssica Pereira Pelissari Oliveira

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA) são condições do neurodesenvolvimento que frequentemente geram dúvidas entre pais, educadores e até mesmo profissionais. Isso acontece porque ambos podem apresentar dificuldades de atenção, interação social e desafios no ambiente escolar. No entanto, apesar de algumas semelhanças, existem diferenças importantes entre eles.

O TDAH é caracterizado principalmente por dificuldades relacionadas à atenção, impulsividade e hiperatividade. Pessoas com TDAH costumam apresentar desorganização, dificuldade para concluir tarefas, esquecer compromissos e ter problemas para manter o foco em atividades que consideram pouco interessantes. Em contrapartida, quando encontram algo que desperta grande interesse, podem apresentar o chamado hiperfoco, permanecendo concentradas por longos períodos naquela atividade específica.

Já no autismo, além das dificuldades na interação social e na comunicação, é comum observar comportamentos mais rígidos e interesses restritos. Muitas pessoas com TEA apresentam necessidade de previsibilidade, resistência a mudanças e sofrimento diante de situações que fogem daquilo que esperavam ou planejaram. Essas características podem ser percebidas em brincadeiras, rotinas e relações sociais.

leia também:  "O discurso 'se ame do jeito que você é' está adoecendo pessoas?" – Artigo escrito pelo educador físico gabrielense Gabriel Costa de Andrade

Outra diferença importante está na forma como ocorre a interação social. A pessoa com TDAH geralmente deseja se relacionar e participar das atividades sociais, mas sua impulsividade, dificuldade em esperar a vez ou controlar comportamentos pode gerar conflitos e afastamento dos colegas. No autismo, por outro lado, frequentemente existem dificuldades relacionadas à compreensão das regras sociais, da reciprocidade nas interações e da chamada atenção compartilhada, habilidade fundamental para a construção das relações interpessoais.

Embora apresentem características distintas, TDAH e autismo podem coexistir no mesmo indivíduo, tornando a avaliação especializada ainda mais importante. Um diagnóstico preciso permite compreender as necessidades específicas de cada pessoa e direcionar intervenções mais eficazes.

Na Clínica Evoluta, a avaliação neuropsicológica é realizada com rigor científico, embasamento técnico e olhar individualizado para cada paciente. O processo permite identificar de forma detalhada o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental, contribuindo para diagnósticos mais precisos e intervenções adequadas às necessidades de cada indivíduo. A avaliação neuropsicológica é realizada na Clínica Evoluta, em São Gabriel da Palha.

Foto: Arquivo Pessoal

Jéssica Pereira Pelissari Oliveira – CRP 16/5835

leia também:  DEZ DICAS INFALÍVEIS PARA PASSAR EM CONCURSOS PÚBLICOS - Artigo escrito pela gabrielense Fasley Teixeira de Siqueira e Silva

Psicóloga, neuropsicóloga e especialista em desenvolvimento infantil, Jéssica Pereira Pelissari Oliveira possui sólida formação e atuação voltada à avaliação e intervenção nos transtornos do neurodesenvolvimento. É pós-graduada em Neuropsicologia, Terapia Cognitivo-Comportamental na Infância e Adolescência Intervenção ABA aplicada ao TEA ao DI.

É especialista em Neuropsicologia reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia. Atua como idealizadora e diretora da Clínica de Desenvolvimento Infantil Evoluta, localizada em São Gabriel da Palha/ES, referência no atendimento multidisciplinar a crianças e famílias. É ainda coautora do livro Vozes da Neurodiversidade, obra que contribui para a ampliação do conhecimento e da conscientização sobre o neurodesenvolvimento e a inclusão.

Visualizar

MAIS LIDAS DA SEMANA

error: Conteúdo protegido!!