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Obras em andamento e trechos duplicados na BR-101

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Nos dois últimos anos, os municípios de Anchieta, João Neiva e Ibiraçu receberam investimentos que permitiram concluir os trechos duplicados da BR-101. As intervenções foram possíveis, segundo a Eco101 – concessionária que administra 475,9 quilômetros da rodovia, no trecho que vai do trevo de acesso à cidade de Mucuri, na Bahia, até a divisa com o Rio de Janeiro –, após a solicitação de licenciamento simplificado aos órgãos ambientais, baseado na portaria 289/2013, do Ministério do Meio Ambiente, e de autorizações judiciais relacionadas à liberação da ocupação irregular da faixa de domínio, área da União às margens da via.

Os novos trechos contam com quatro faixas de rolamento, duas para cada sentido, pavimentadas com asfalto borracha, material feito a partir de pneus reciclados e que possui maior durabilidade e proporciona maior aderência aos pneus dos veículos, principalmente em dias de chuva, evitando derrapagens e reduzindo o spray causado pelas rodas na presença de água na pista. Além disso, os percursos agora contam com barreiras rígidas ou canteiro central no eixo da pista, que separam os sentidos norte e sul, e sinalização horizontal e vertical revitalizada.

Em Anchieta, as obras aconteceram entre o km 363 e o km 365, aumentando a segurança para trafegar nessa região. Em João Neiva, entre o km 205,4 e o km 207,9, foram construídas quatro faixas de rolamento e um viaduto no cruzamento existente na comunidade de Caboclo Bernardo, na altura do km 206, que possibilita aos motoristas cruzarem a pista ou fazerem o retorno na rodovia de forma mais segura, independente da via principal. Já em Ibiraçu, do km 215,9 ao km 220,4, a melhoria foi no traçado da pista, que foi retificado para suavizar curvas muito fechadas, compatibilizando com a velocidade da via. Além das obras de ampliação, a Eco101 implantou uma passarela na altura do distrito de Guatemala.

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Dando continuidade às melhorias previstas, estão em andamento obras em oito quilômetros de Iconha – entre o km 373,5 e o km 380,3 –, contemplando o Contorno. 90% dos serviços já estão concluídos, incluindo dois viadutos – nas interseções norte e sul – que interceptam a atual BR-101, e a ponte sobre o Rio Iconha, localizada na metade do Contorno. Finalizado no último mês de outubro, já está em uso o desvio na altura do km 379,5 para a finalização das obras de encaixe do Contorno, na interseção sul, sobre a pista existente. Além disso, cerca de 70% do trecho, aproximadamente seis quilômetros, estão pavimentados. Por ficar em área de mata virgem, o Contorno também demandou serviços de corte e aterro de mais de 1,3 milhão de metros cúbicos (m³) de solo e mais de 100 mil m³ de escavações em rochas, realizadas por meio do uso controlado de explosivos.

Conforme a Eco101, desde maio deste ano, a partir da liberação em março da licença ambiental da região sul da BR-101 e seus complementos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), tiveram início as obras no trecho de 30 quilômetros entre os municípios de Viana e Guarapari, a partir do trevo com a BR-262, próximo ao posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

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O trajeto contará com três novos viadutos. O primeiro, próximo ao posto da PRF, em Viana, evitará que os veículos parem antes de seguir viagem no sentido Vitória, Guarapari ou Belo Horizonte. O segundo será construído no distrito de Amarelos, próximo à rodovia ES-388, e o terceiro será em Guarapari, na principal entrada da cidade pela BR-101. Nessa região, já foram realizadas 97% da supressão vegetal, 97% da limpeza de vegetação e 38% da terraplanagem.

A Eco101 informa que já aplicou R$ 1,2 bilhão de recursos nesses primeiros cinco anos de concessão, contemplando obras, manutenção e serviços operacionais voltados aos usuários da rodovia, como atendimentos médicos e mecânicos. Desse total, R$ 262 milhões foram investidos na recuperação inicial da rodovia, R$ 40 milhões na construção de instalações operacionais (equipamentos, sistemas de informação, praças de pedágio, bases e sede), R$ 165 milhões em vias locais, R$ 55 milhões em passarelas e recuperação de estruturas, R$ R$ 131 milhões em equipamentos e sistemas, R$ 340 milhões em serviços aos usuários e R$ 87 milhões em impostos e tributos.

Folha Vitória

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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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