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Fortes chuvas atingem o ES há uma semana; veja os impactos nos municípios capixabas

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Desde a terça-feira (12), o Espírito Santo sofre com as fortes chuvas que assolam os municípios capixabas. Até o momento, são 1744 pessoas desalojadas, 98 desabrigadas, 10 feridas e 4 mortas, de acordo com o boletim divulgado pela Defesa Civil na manhã desta quinta-feira (21). 

O município de Linhares, no norte do estado, registrou o  maior acumulado de chuva nas últimas 24 horas, com 102,60 milímetros. Em Vitória, de acordo com a Defesa Civil, foram 97,76 milímetros. Já o município de Viana, que foi um dos mais atingidos pelas chuvas, registrou acumulado abaixo de 40 milímetros. 

Uma semana após a chegada da chuva, seis municípios ainda permanecem em situação de emergência: Alegre, Cariacica, Viana, Domingos Martins e Marechal Floriano. Já o município de Santa Leopoldina, decretou, na última terça-feira (19), estado de calamidade pública.

Três, das quatro vítimas fatais registradas até o momento, morreram em decorrência das enxurradas na cidade, que tem mais de 300 pessoas fora de casa. O produtor rural Fabrício Caus, de 48 anos, e o filho, Lorenzo Caus, de 6, morreram soterrados na comunidade de Holanda, em Santa Leopoldina. 

A outra vítima é Adolfo Siller, de 87 anos. Ele morreu na tarde da última terça-feira (19) após ter a casa soterrada. O idoso teve as duas pernas quebradas e precisou passar por cirurgia. No entanto, complicações afetaram o estado de saúde e o levaram a óbito.

Em Cariacica, no bairro Novo Horizonte, mais uma vítima: um idoso, identificado apenas como Mauro, foi encontrado dentro de uma residência, em situação de alagamento, já sem vida. A Polícia Civil informou que a perícia no local do fato e a necropsia preliminar indicaram que a morte se deu por afogamento. Testemunhas acreditam que o idoso estaria dormindo quando a casa alagou.

SITUAÇÃO DOS MUNICÍPIOS ATINGIDOS

Vila Velha
São Torquato – Rolamento de Bloco atingiu uma residência. A área foi isolada e não há vítimas. (Fonte: CIODES – atualizado 20/11/2019)

Fundão
O nível do rio subiu cerca de 3m do seu nível normal, medição feita 20/11 as 22h. (Fonte: COMPDEC – atualizado 20/11/2019). BR 262 1. Movimento de Massa no KM 77 – Rodovia liberada. (FONTE: Superintendente do DNIT atualizado 20/11/2019)

Serra 1. Desabamento Parcial de uma residência – Bairro Eldorado. (Fonte: COMPDEC – atualizado 20/11/2019)

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São Mateus
Vários pontos de deslizamentos de terra e queda de um muro de divisa de lote; Transbordamento do Córrego da Bica causando inundação, Bairro Carapina; Rodovia entre São Mateus x Nova Venécia parcialmente interditada por queda de barreira. (Fonte: COMPDEC – atualizado 20/11/2019)

Linhares
Vários pontos de alagamentos, ruas, residências e a Br 101, o Coordenador está fazendo levantamentos dos pontos atingidos. (Fonte: COMPDEC – atualizado 20/11/2019)

Colatina
Um ponto comercial interditado no Bairro Colatina Velha, por risco de queda de bloco rochoso; Duas edificações interditadas no Bairro Bela Vista, por risco de movimento de massa, aproximadamente 13 pessoas desalojadas. (Fonte: COMPDEC – atualizado 20/11/2019)

Vila Pavão
Ponte interditada em Área Rural – Comunidade Luzilândia. (Fonte: COMPDEC – atualizado 20/11/2019)

Marilândia
Início de deslizamento de terra em área de risco, uma família encontra-se desalojada preventivamente. (Fonte: COMPDEC – atualizado 20/11/2019)

ACUMULADOS DE CHUVA
LINHARES – 102.60
VITÓRIA – 97.76
SERRA – 94.93
ARACRUZ –  92.50
SÃO MATEUS – 62.60
MARILÃNDIA – 57.80
SANTA LEOPOLDINA – 57.18
VILA VELHA –  54.20
RIO BANANAL –  53.60
SÃO ROQUE DO CANAÃ –  52.18
CARIACICA – 50.45
FUNDÃO – 50.60
IBIRAÇU – 47.49
SANTA MARIA DE JETIBÁ – 41.41
CONCEIÇÃO DA BARRA – 40.00

ALERTAS VIGENTES 
Risco de movimento de Massa – Fundão Alto (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Serra Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Afonso Cláudio Moderado (CEMADEN)
Risco Hidrológico – Aracruz Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Aracruz Moderado (CEMADEN)
Risco Hidrológico – Ibatiba Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Brejetuba Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Barra de São Francisco Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Água Doce do Norte Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Vila Pavão Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Ibiraçu Moderado (CEMADEN)
Risco Hidrológico – Vitória Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Vitória Moderado (CEMADEN)
Risco Hidrológico – Cariacica Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Vila Velha Moderado (CEMADEN)
Risco Hidrológico – Serra Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Cariacica Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Linhares Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Vila Velha Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Santa Leopoldina Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Viana Moderado (CEMADEN)
Risco de movimento de Massa – Domingos Martins (CEMADEN)

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REDE VITÓRIA SOLIDÁRIA
A Rede Vitória se solidariza com as pessoas que tiveram prejuízos por conta da chuva. É a Rede Vitória Solidária, que quer ajudar aqueles que mais precisam. E quem quiser contribuir, pode fazer doações em pontos específicos dos municípios atingidos.

Além das pessoas que foram obrigadas a sair de suas residências, centenas de pessoas tiveram as casas invadidas pela força da água, perdendo roupas, alimentos, móveis e eletrodomésticos.

Para ajudar os capixabas afetados pela chuva, órgãos oficiais e grupos independentes se mobilizam para arrecadar e entregar doações.

Confira os pontos para entrega de doações e a necessidade das vítimas
VIANA: Centro de Referência e Assistência Social (Cras), em Marcílio de Noronha – O local aceita doações de produtos de limpeza, higiene pessoal, roupas e móveis. Telefone: 3255-1285.

CARIACICA: Banco de alimentos Josué de Castro, localizado na rua Valfredo Ferreira Paiva, bairro Rosa da Penha. A prioridade do local é doação de água potável, produtos de higiene pessoal, material de limpeza, móveis e roupas de cama e banho.

A padaria Ebenezer, no bairro Itaquari, também está recebendo doações para a população.

Igreja Católica, Igreja Batista e Igreja Assembleia, no bairro Novo Horizonte.

SANTA LEOPOLDINA: Secretaria Municipal de Assistência e Ação Social, localizada na rua Costa Pereira, n° 94, Centro, Santa Leopoldina. Telefone (27) 3266-1010.

– Escola Milton Corteletti, Barra de Mangaraí, a 10 km da Sede do Município.

– Centro Comunitário de Retiro de Mangaraí, a 5 km da Barra de Mangaraí.

Em todos esses locais, podem ser doadas cestas básicas, colchonetes, roupas, calçados, roupas de cama, material de higiene pessoal e limpeza.

Bombeiros
Além desses locais de doações, o Corpo de Bombeiros informou que está recebendo, em sua sede na Enseada do Suá, em Vitória, doações de água potável.

Folha Vitória

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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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