ENTREVISTA - ES1.com.br
Enfermeira Priscilla Queiroz, especialista em amamentação, aborda desafios e cuidados no pós-parto em São Gabriel da Palha
Agosto é marcado pelo Agosto Dourado, campanha dedicada à conscientização e à promoção da amamentação, destacando a importância do aleitamento materno para a saúde da mãe e do bebê. O período também amplia o debate sobre os desafios enfrentados pelas mulheres durante a amamentação e a importância do acesso à informação e ao acompanhamento adequado.
Embora seja um processo natural, a amamentação pode envolver desafios para muitas mulheres, especialmente nos primeiros dias após o nascimento do bebê. Dificuldades com a pega, dores, fissuras, insegurança sobre a produção de leite e as mudanças físicas e emocionais do puerpério são algumas das situações que podem tornar esse período mais delicado para a mãe e para o recém-nascido.
Para falar sobre esses desafios e esclarecer dúvidas comuns, conversamos com Priscilla Queiroz, enfermeira especialista em Saúde da Mulher, consultora em amamentação e laserterapeuta, em São Gabriel da Palha. Na entrevista, ela explica os principais obstáculos encontrados pelas mães, destaca a importância da orientação profissional e aborda temas como uso de chupetas e mamadeiras, introdução de fórmulas infantis, saúde emocional no puerpério, prevenção de fissuras e mastite e o uso da laserterapia como tratamento complementar.
Ao longo da conversa, Priscilla também reforça que cada experiência de amamentação é individual e que informação, acompanhamento e acolhimento podem contribuir para que a mulher tome decisões mais conscientes e adequadas à realidade de sua família.
Confira a entrevista completa:
Editora Hoje – Embora a amamentação seja um ato natural, muitas mulheres enfrentam dificuldades logo nos primeiros dias. Por que isso acontece?
Priscilla Queiroz – Isso acontece porque, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a amamentação não é um comportamento meramente instintivo ou mecânico. Trata-se de um aprendizado prático que o bebê e a mãe precisam construir juntos, do zero, em um momento de intensas transformações físicas e emocionais. Nos primeiros dias, fatores como a anatomia da mama e do bebê, o ajuste do encaixe da boca (pega) e a postura ideal ainda estão sendo calibrados. Além disso, a falta de um alinhamento prévio sobre o comportamento normal do recém-nascido e a pressão por resultados imediatos geram ansiedade e insegurança, tornando a adaptação fisiológica inicial muito mais complexa do que se imagina.
Editora Hoje – Na sua experiência como consultora em amamentação, quais são os desafios mais frequentes enfrentados pelas mães?
Priscilla Queiroz – Na prática, os desafios são múltiplos e integrados, e não se limitam apenas à questão física. Um dos pontos mais marcantes é a sobrecarga emocional e a insegurança, alimentadas pelo medo constante de não ter leite suficiente e pela dificuldade de interpretar as necessidades do recém-nascido, que usa o peito não só para se alimentar, mas também para se autorregular e buscar aconchego. A isso, somam-se a privação extrema de sono e a adaptação às necessidades do bebê, o que torna o processo muito exigente. No aspecto manejo, o ajuste da pega e do posicionamento costuma ser um obstáculo frequente, especialmente no momento da apojadura (descida do leite), quando o engurgitamento mamário pode dificultar o encaixe e gerar dores ou fissuras. Portanto, o desafio raramente é isolado: ele nasce da combinação entre a exigência física, os ajustes do manejo e o impacto emocional de uma nova rotina.
Editora Hoje – Quais os sinais que indicam que a amamentação não está acontecendo de forma adequada e que a mãe deve procurar ajuda?
Priscilla Queiroz – Os sinais de alerta vão muito além de uma simples dificuldade de adaptação e envolvem tanto a resposta do bebê quanto a saúde física e emocional da mãe.Na mãe, a presença de dor persistente, fissuras ou trauma mamilar é um sinal claro de que algo precisa ser investigado. Embora a causa frequente possa ser sanada com melhora da pega e posicionamento, o trauma também pode decorrer de fatores como disfunções orais e anatômicas do bebê (língua pressa), hipersensibilidade tecidual materna. Mamas excessivamente ingurgitadas, áreas avermelhadas, endurecidas ou febre também exigem intervenção imediata. No bebê, os alertas principais aparecem no padrão de eliminação e no comportamento: poucas fraldas de xixi e cocô no decorrer das 24 horas, ganho de peso insuficiente ou perda ponderal contínua, letargia excessiva (dificuldade de acordar para mamar) ou um choro inconsolável com sinais permanentes de insatisfação após as mamadas. Estalos frequentes durante a sucção, padrão de mastigação no peito e vazamento constante de leite pelos cantos da boca também indicam que a transferência de leite não está sendo eficiente. Por fim, a exaustão extrema, o sentimento de incapacidade e o sofrimento psíquico da mãe são sinais de alerta tão graves quanto os físicos. Na presença de qualquer um desses quadros, a avaliação de um profissional especializado é muito importante.
Editora Hoje – O uso de bicos artificiais pode realmente interferir na amamentação?
Priscilla Queiroz – Sim, o uso de bicos artificiais, como chupetas e mamadeiras, pode interferir no processo de amamentação, especialmente na fase inicial de adaptação. Isso acontece porque a mecânica de sucção no bico artificial é diferente da pega no peito, além de o fluxo de leite na mamadeira ser contínuo e exigir menos esforço do bebê. Em alguns casos, essa diferença pode gerar a chamada ‘confusão de bicos’ ou de fluxo, fazendo com que a criança demonstre irritação ao mamar na mama ou encontre dificuldades no ajuste da pega. No entanto, é importante ressaltar que cada bebê e cada dinâmica familiar reagem de forma diferente: enquanto algumas duplas mantêm o aleitamento sem intercorrências mesmo com o uso de bicos, outras podem apresentar impactos na produção de leite ou na adaptação do bebê. O nosso papel como profissionais não é impor regras, mas sim oferecer orientações claras e baseadas em evidências sobre os riscos e benefícios envolvidos, garantindo que a família tenha autonomia e suporte para fazer as escolhas que melhor funcionem para a sua realidade.
Editora Hoje – Há casos em que a mulher não consegue amamentar. Como lidar com essa situação e com a culpa?
Priscilla Queiroz – Existem situações em que a amamentação no peito não se concretiza ou precisa ser interrompida por fatores fisiológicos, anatômicos ou emocionais da mãe ou do bebê. Nesses momentos, a primeira coisa a fazer é tirar o peso da culpa: a amamentação depende de uma engrenagem complexa e não conseguir amamentar no peito não diminui o valor de nenhuma mãe.A maternidade e o vínculo afetuoso não se resumem ao leite materno. O amor, a proteção e a nutrição continuam sendo entregues em cada colo e em cada mamadeira oferecida com presença. O meu papel como profissional é respeitar a história e as escolhas de cada família, acolhendo essa mulher onde quer que ela esteja e garantindo que o seu bebê cresça saudável e amado.
Editora Hoje – Como a orientação de um profissional especializado pode fazer a diferença no sucesso da amamentação?
Priscilla Queiroz – O papel do profissional especializado não é trazer respostas prontas ou fórmulas mágicas, mas sim caminhar ao lado da família para tornar o processo mais claro e seguro. A amamentação é uma construção diária, e ter um suporte técnico ajuda a atravessar os desafios do pós-parto com mais tranquilidade. Na prática, a consultora oferece um olhar de fora, treinado para avaliar o que pode ser ajustado — seja na dinâmica da mamada, na saúde da mama ou no ritmo do bebê. Nós ajudamos a interpretar os sinais do recém-nascido, a prevenir complicações e a diferenciar o que é esperado do que precisa de intervenção. Mais do que buscar uma amamentação perfeita, a orientação profissional serve para acolher as dúvidas, organizar as condutas com base em evidências e ajudar a mãe a tomar decisões conscientes. É um trabalho de parceria, focado em encontrar o caminho que funcione melhor e seja sustentável para aquela família.
Editora Hoje – Existe algum preparo que as gestantes podem fazer durante a gravidez para tornar esse momento mais tranquilo?
Priscilla Queiroz – Em termos físicos ou corporais, não existe a necessidade de nenhum preparo nas mamas. O próprio organismo se encarrega de toda a preparação fisiológica durante a gestação, desde as alterações na mama até a produção do colostro. Mitos como ‘buchas’, cremes ou pomadas para calejamento mamilo devem ser totalmente descartados, pois podem prejudicar a pele. O verdadeiro preparo na gravidez é o ganho de conhecimento. Fazer uma consultoria de amamentação na gestação, permite que a gestante compreenda com antecedência a mecânica do processo, a fisiologia da produção do leite, o posicionamento correto, o manejo do bebê e o que esperar dos primeiros dias. Estar informada e munida de estratégias práticas antes do parto traz mais segurança emocional e reduz o impacto dos desafios no pós-parto.
Editora Hoje – A insegurança de não produzir leite suficiente é uma preocupação comum. Quando essa preocupação tem fundamento e quando é apenas uma percepção da mãe?
Priscilla Queiroz – Na maioria das vezes, essa preocupação é apenas uma falsa percepção gerada pela falta de informação sobre a fisiologia da lactação. É muito comum que, após as primeiras semanas, a mama deixe de ficar tão cheia ou endurecida como no início. Isso não significa que a produção caiu, mas sim que o organismo regulou a produção conforme a demanda do bebê . A preocupação só passa a ter fundamento real apósuma avaliação clínica do binômio mãe-bebê. Precisamos analisar se há sinais concretos, como ganho de peso insuficiente da criança e baixo volume de eliminações (xixi e cocô). Além disso, é importante diferenciar a ‘falta de leite’ da dificuldade de extração: muitas vezes a mãe tem total capacidade de produzir, mas uma pega incorreta impede que o bebê retire o leite de forma eficiente. Sem essa extração adequada, o estímulo à mama cai e, aí sim, a produção pode diminuir como consequência. Por isso, antes de concluir que ‘não tem leite’, é indispensável avaliar como essa mamada está acontecendo.
Editora Hoje – Qual o impacto da saúde emocional da mulher durante o puerpério na amamentação?
Priscilla Queiroz – O impacto é direto e profundo. A amamentação depende de uma engrenagem hormonal complexa, principalmente da prolactina e da ocitocina, esta última responsável por fazer o leite ‘descer’ ou ser ejetado da mama. O estresse alto, a ansiedade severa e a privação extrema de sono liberam adrenalina e cortisol, hormônios que podem inibir temporariamente a ação da ocitocina e dificultar a saída do leite. É aqui que o conhecimento entra como um poderoso protetor da saúde emocional. Quando a mulher sabe, por exemplo, que o colostro é o alimento ideal e suficiente para os primeiros dias, e que a apojadura (a descida do leite maduro) costuma acontecer entre o 3º e o 5º dia pós-parto, ela não entra em pânico prematuro achando que ‘não tem leite’. Alinhar expectativas sobre o comportamento do bebê e o tempo de mamada traz a calma necessária para que o corpo funcione perfeitamente e os hormônios fluam de forma adequada.
Editora Hoje – Fissuras, engurgitamento mamário e mastite são as principais causas de interrupção da amamentação? Como esses problemas podem ser prevenidos?
Priscilla Queiroz – A dor é um dos principais motivos para o desmame precoce involuntário. Quando a mãe está com fissuras no bico do peito, o momento de amamentar gera apreensão, o que pode levar ao espaçamento das mamadas. Isso reduz o estímulo da mama e traz uma sobrecarga emocional enorme, onde a dor física e a exaustão andam juntas. Por isso, a prevenção depende de identificar as causas logo no início. Na consulta, avalio a saúde da mama, a postura e a dinâmica da mamada. Se percebo sinais de alterações na cavidade oral do bebê, encaminho a família para profissionais parceiros, como fonoaudiólogos ou odontopediatras. Já na apojadura, o manejo com massagens suaves e ordenhas de alívio evita que a mama fique muito rígida e dolorida, interrompendo esse ciclo de desconforto antes que ele se agrave.
Editora Hoje – A laserterapia tem sido cada vez mais utilizada no cuidado de mulheres que estão amamentando. Em quais situações ela é indicada e quais benefícios ela oferece?
Priscilla Queiroz – A laserterapia de baixa potência, conhecida tecnicamente como fotobiomodulação, é uma excelente aliada na amamentação. Suas principais indicações incluem o tratamento de fissuras mamilares, o alívio da dor e o auxílio no manejo do engurgitamento mamário. Entre os seus maiores benefícios estão a aceleração da cicatrização dos tecidos, a analgesia, a modulação da inflamação e o estímulo à drenagem linfática. No entanto, é fundamental destacar que o laser é uma terapia complementar. Na prática, vemos muitas mulheres realizando diversas sessões de laser sem obter melhora, não porque a tecnologia falhe, mas porque o fator causador da lesão continua lá. Aplicar o laser sem corrigir a causa da lesão, é como tentar cicatrizar uma ferida que continua sendo machucada a cada mamada. Por isso, a laserterapia nunca deve ser feita de forma isolada, mas sim associada a um manejo clínico e ajustes na técnica de amamentação.
Editora Hoje – Hoje muitas mães recorrem a dicas encontradas nas redes sociais. Quais orientações equivocadas você mais encontra no consultório?
Priscilla Queiroz – As redes sociais têm excelentes profissionais produzindo conteúdo de qualidade, mas a desinformação ainda é frequente — vinda tanto da internet quanto de mitos populares transmitidos de geração em geração. O mito mais clássico é a ideia do ‘leite fraco’. Nutritivamente, o leite materno não é fraco. Quando o bebê demonstra sinais de fome frequente ou ganho de peso insuficiente, o motivo geralmente está ligado a dificuldades na transferência de leite (por questões de manejo ou anatomia oral do bebê) ou, em alguns casos, a uma produção materna diminuída, que precisa de investigação e estímulo adequado. Outra orientação antiga e prejudicial é o uso de compressas quentes na mama engurgitada, o que aumenta o inchaço e a inflamação. Também vemos o uso sem orientação de bombas extratoras principalmente no momento da apojadura, que podem gerar hiperprodução indesejada, e a indicação indiscriminada do bico de silicone como ‘solução rápida’, quando na verdade ele exige avaliação técnica para não impactar a amamentação.
Editora Hoje – Em que momento usar fórmulas infantis? É realmente necessário e quais os riscos da introdução precoce sem orientação profissional?
Priscilla Queiroz – A fórmula infantil é um recurso extremamente importante e seguro quando bem indicada. Ela é indispensável nos casos em que a mãe possui alguma contraindicação para amamentar, em condições específicas de saúde do bebê ou quando há uma indicação clínica do pediatra de necessidade real de complementação. O problema reside na introdução precoce e precipitada, como a oferta de fórmula nos primeiros dias por achar que o colostro não é suficiente, sem avaliação técnica. Esse uso sem orientação reduz o estímulo na mama, diminui a produção natural de leite e pode desencadear o desmame precoce. Além disso, quando a fórmula é oferecida emmamadeiras, adiciona-se o risco da confusão de bicos e de fluxo. Por isso, caso a complementação seja realmente necessária, orientamos que seja feita por meio de utensílios que protegem a amamentação, como o copinho ou a colher dosadora.
Editora Hoje – O que você diria para uma mãe que está frustrada, cansada e pensando em desistir de amamentar?
Priscilla Queiroz – A primeira coisa que eu diria é: você não está sozinha e a sua saúde mental importa tanto quanto a nutrição do seu bebê. O cansaço do puerpério é real e exaustivo. Buscar a ajuda de um profissional especializado serve não apenas para tentar ajustar a amamentação, mas para olhar para essa mãe com empatia. Juntas, avaliamos o cenário e traçamos um plano de cuidados. Se o caminho for ajustar a pega e continuar amamentando, daremos todo o suporte. Se o caminho mais saudável para aquela mulher e para a dinâmica da família for a transição para a fórmula ou para o desmame, esse processo será feito com todo o respeito, sem julgamentos e com orientação técnica. O suporte existe para deixar a jornada mais leve, seja qual for a decisão da mãe.
Editora Hoje – Como funciona o seu atendimento de consultoria de amamentação? De que forma as mães interessadas podem procurar esse suporte?
Priscilla Queiroz – Ofereço um suporte integral à mulher, que começa na gestação e se estende por todo o pós-parto. Na consultoria na gestação, fazemos um alinhamento teórico e prático usando mamas didáticas e bonecos para simular posturas, pega, posicionamento, técnicas de ordenha manual e massagens. No pós-parto, realizo a visita para avaliar a mamada presencialmente, analisar a anatomia do bebê, ajustar a dinâmica e traçar um plano de cuidados individualizado. Além da amamentação, integro terapias complementares de ponta para a recuperação puerperal, como a laserterapia (local e ILIB) e a aplicação de taping. Essas tecnologias auxiliam nas fissuras e dores mamilares, no manejo do engurgitamento mamário, na sustentação abdominal, no alívio e cicatrização da cicatriz da cesariana e também no cuidado e cicatrização do períneo em casos de parto vaginal (como em lacerações). A assistência não termina na visita: mantenho um acompanhamento contínuo da família por mensagens. Realizo atendimentos presenciais e domiciliares em São Gabriel da Palha e região, além de consultorias online para mães de qualquer localidade. Para agendamentos, informações de qualidade e para acompanhar mais do meu trabalho, as mães podem me encontrar no Instagram: @priscillaqz.laser e me chamar pelo link da bio.
Fonte: Editora Hoje
ENTREVISTA - ES1.com.br
“Somos ciência, cuidado e resistência”: enfermeiro Jhonatan Pratti, de São Gabriel da Palha, destaca desafios e propósito da profissão
No Dia Internacional da Enfermagem e do Enfermeiro, celebrado em 12 de maio, profissionais que dedicam a vida ao cuidado ganham ainda mais visibilidade. Em São Gabriel da Palha, o enfermeiro Maikon Jhonatan Pratti, de 26 anos, compartilha sua trajetória na profissão, marcada por esforço, propósito e compromisso com a vida. Atuando há dois anos e cinco meses na enfermagem, ele fala sobre os desafios da categoria, a importância da valorização profissional e as experiências que transformaram sua forma de cuidar.
Confira a entrevista completa:
Editora Hoje – Como foi sua trajetória até se tornar enfermeiro?
Jhonatan – Minha trajetória foi construída com muito esforço, dedicação e propósito. Sempre enxerguei a saúde como uma forma de transformar vidas. Durante minha graduação fui entendendo que a enfermagem vai muito além de só teoria: é presença, cuidado e acolhimento. Cada etapa da minha caminhada fortaleceu ainda mais minha paixão pela profissão.
Editora Hoje – O que te motivou a escolher a enfermagem como profissão?
Jhonatan – Além de enxergar que era possível mudar a situação financeira da minha família, eu também percebi que a enfermagem tem o poder de aliviar dores, oferecer esperança e fazer diferença mesmo nos momentos mais difíceis. Eu queria uma profissão com propósito humano, e eu sempre tive isso comigo, e encontrei isso na enfermagem.
Editora Hoje – O que significa ser enfermeiro para você?
Jhonatan – É trabalhar com autonomia, é exercer cuidado com responsabilidade, humanidade e empatia. É estar presente quando alguém está fragilizado e precisa não apenas de assistência, mas também de apoio emocional, segurança e acolhimento.
Editora Hoje – Quais são as principais responsabilidades de um enfermeiro no dia a dia?
Jhonatan – O Enfermeiro está ligado a gestão de pessoas, a liderança dos processos de trabalho e da equipe de enfermagem são do Enfermeiro, então ser um bom profissional traz consigo a responsabilidade de trazer clareza a sua equipe e fazer com que o cuidado do ser humano seja ofertado com qualidade.
Editora Hoje – O que a enfermagem representa dentro de uma equipe de saúde?
Jhonatan – Representa conexão, o elo central dentro da equipe de trabalho, é a profissão que permanece mais próxima do paciente durante todo o cuidado, conectando assistência, gestão, acolhimento e segurança.
Editora Hoje – Quais são os maiores desafios enfrentados atualmente na profissão?
Jhonatan – A Enfermagem tem várias lutas, mas a principal, é a valorização da classe, cargas horárias gigantes com salário incompativel, cansaço físico e mental absurdo e em certos momentos, obrigações que vão além de nossa função. Mas hoje lutamos para sermos reconhecidos, para que todos entendam que o Enfermeiro não é submisso a alguém ou alguma classe, a enfermagem tem ciência, autonomia e voz própria.
Editora Hoje – Existe alguma situação marcante da sua carreira que te transformou como profissional ou como pessoa?
Jhonatan – Sempre lembro do primeiro óbito de um recém-nascido que aconteceu no hospital onde eu trabalhava, ali entendi que a fé está ligada diretamente com a ciência, independente de crer em algo ou não. Vi os familiares tentando entender o motivo, se questionando e anos depois, tive a honra de ver novamente aquela família alegre com a chegada do novo sonho que era o filho deles.
Editora Hoje – Como você lida com a pressão emocional e física da rotina hospitalar ou clínica?
Jhonatan – Eu lido entendendo que pressão faz parte da enfermagem, mas que ela não pode apagar o profissional e nem o ser humano por trás do jaleco. Tento manter equilíbrio emocional, organização e preparo técnico, porque quanto mais segurança eu tenho no que faço, melhor consigo agir em situações difíceis.
Editora Hoje – O que as pessoas geralmente não enxergam sobre o trabalho da enfermagem?
Jhonatan – As pessoas geralmente enxergam apenas o procedimento, a medicação ou o atendimento rápido. O que muitas vezes não veem é a responsabilidade emocional, técnica e física que existe por trás de cada decisão da enfermagem. Não enxergam as horas de estudo, a pressão psicológica, o desgaste físico, o medo de errar, a responsabilidade sobre vidas e nem a capacidade de identificar situações graves antes mesmo que aconteçam.
Editora Hoje – O que mais te orgulha dentro da sua profissão?
Jhonatan – É saber que as vezes sem condições mínimas, a Enfermagem faz acontecer. Usa a criatividade e da um jeito naquilo que para muitos nao daria certo. É entender que temos o conhecimento técnico e salvamos vidas, mesmo quando o nosso pessoal está péssimo, deixamos tudo em casa e vamos cuidar do outro, do amor da vida de alguém, seja um pai, uma mãe, um filho, um namorado, esposa, sem querer nada em troca.
Editora Hoje – Como datas como o Dia Internacional da Enfermagem e do Enfermeiro ajudam a dar visibilidade à profissão?
Jhonatan – Datas como o Dia Internacional da Enfermagem ajudam a dar visibilidade porque lembram a sociedade da importância real da Enfermagem dentro da saúde. É um momento de reconhecer que não é só o cuidado prestado, mas também a ciência, a liderança, a responsabilidade e o impacto que a enfermagem tem diariamente na vida das pessoas.
Editora Hoje – Que mensagem você gostaria de deixar para colegas de profissão nesta data?
Jhonatan – Nós somos gigantes, nós somos resistência, somos ciência e somos cuidado. E que nunca nos falte voz para defender nossa profissão, coragem para ocupar espaços e orgulho da ciência e da força que a enfermagem representa. Somos acolhimento, técnica, liderança e linha de frente. Feliz Dia da Enfermagem para todos que fazem dessa profissão uma missão diária.
Editora Hoje – Que mensagem você deixaria para quem sonha em seguir carreira na enfermagem?
Jhonatan – Venha com coragem, traga empatia, e disposição para nunca para de aprender, por que a Enfermagem é uma profissão intensa, desafiadora e muitas vezes cansativa, mas também é uma das áreas mais humanas e transformadoras que existem.
Editora Hoje – Neste Dia Internacional da Enfermagem e do Enfermeiro, qual reflexão você gostaria de compartilhar com a sociedade?
Jhonatan – A reflexão que eu quero deixar é que é importante lembrar que a ENFERMAGEM não é feita apenas de AMOR e VOCAÇÃO. Amor sem valorização gera desgaste, cansaço e adoecimento. Quem trabalha na enfermagem estuda, se especializa, assume responsabilidades enormes e lida diariamente com vidas, dor, pressão e decisões difíceis. A sociedade precisa entender que respeito à enfermagem vai além de homenagens: envolve reconhecimento profissional, condições dignas de trabalho, segurança, salários justos e voz ativa dentro da saúde.
Fonte: Editora Hoje
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