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Dermocosméticos: quando vale a pena investir em produtos com ação clínica?

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Foto: Divulgação

Cuidar da saúde da pele vai além da estética. A pele é o maior órgão do corpo humano e funciona como uma barreira natural contra agentes externos, como poluição, microrganismos e radiação solar. Por isso, quando há desequilíbrios, como acne, sensibilidade, ressecamento intenso ou manchas, a abordagem precisa ser mais criteriosa do que o simples uso de cosméticos comuns.

É nesse cenário que os dermocosméticos ganham destaque. Esses produtos, que se situam entre o cosmético e o medicamento, apresentam ativos com comprovação científica, desenvolvimento baseado em pesquisa dermatológica e formulações pensadas para agir de forma segura e eficaz sobre diferentes condições da pele. Mas afinal, quando realmente vale a pena investir neles?

Entenda a diferença entre cosmético e dermocosmético

Cosméticos tradicionais têm como principal objetivo melhorar a aparência da pele ou dos cabelos, oferecendo benefícios imediatos como hidratação, brilho e suavidade. Já os dermocosméticos vão além: eles têm formulações voltadas para o tratamento e prevenção de alterações cutâneas, com respaldo técnico e testes clínicos que comprovam sua ação.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), dermocosméticos contêm substâncias ativas que atuam em camadas mais profundas da pele e contribuem para o tratamento de acne, melasma, dermatite, rosácea, envelhecimento precoce e outros quadros.

Eles não substituem medicamentos, mas muitas vezes são indicados como coadjuvantes em tratamentos dermatológicos ou como medida preventiva.

Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica esses produtos como “cosméticos com propriedades funcionais”, ou seja, que exercem uma ação além da estética superficial.

Casos em que o uso de dermocosméticos é indicado

Investir em dermocosméticos faz sentido quando há uma necessidade real de intervenção mais profunda e direcionada. Entre os casos mais comuns estão:

  • Pele acneica ou oleosa: produtos com ácido salicílico, niacinamida ou zinco ajudam a controlar a oleosidade e desobstruir os poros sem agredir a pele.
  • Manchas e hiperpigmentação: ativos como ácido kójico, ácido tranexâmico e vitamina C auxiliam na uniformização do tom da pele.
  • Envelhecimento cutâneo: substâncias antioxidantes, como retinol e peptídeos, atuam na prevenção e redução de rugas e perda de firmeza.
  • Sensibilidade e rosácea: fórmulas com ação calmante, anti-inflamatória e restauradora da barreira cutânea são essenciais para evitar crises e desconfortos.
  • Pele desidratada ou ressecada: ingredientes como ácido hialurônico, ceramidas e ureia promovem hidratação profunda e reparação.
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Ao optar por um produto com ação clínica, o consumidor tem acesso a uma abordagem mais segura, com menor risco de reações adversas e maior eficácia a longo prazo.

Critérios de segurança na escolha de dermocosméticos

Os dermocosméticos se destacam pela alta exigência em termos de controle de qualidade e comprovação de eficácia. Muitos deles passam por estudos clínicos e dermatológicos que avaliam não apenas os efeitos visíveis, mas também a tolerância em diferentes tipos de pele, inclusive as mais sensíveis.

É possível encontrar uma grande variedade de dermocosméticos voltados para o rosto, corpo e cabelos, com fórmulas específicas para diferentes necessidades, tipos de pele e faixas etárias. Esses produtos costumam estar organizados em categorias como antiacne, anti-idade, proteção solar, hidratação corporal, entre outros.

Para quem deseja resultados consistentes e seguros, esse tipo de investimento é uma escolha mais consciente do que recorrer a fórmulas genéricas ou improvisadas.

Custo, eficácia e benefícios a longo prazo

Embora os dermocosméticos geralmente tenham um valor mais elevado em comparação aos cosméticos convencionais, é importante considerar o custo-benefício envolvido. Produtos com ação clínica, quando bem escolhidos, oferecem resultados mais duradouros, melhor tolerância cutânea e menor necessidade de substituição frequente.

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Além disso, o uso correto desses itens pode prevenir o agravamento de problemas dermatológicos e, consequentemente, reduzir a necessidade de tratamentos médicos mais caros ou invasivos no futuro.

Um bom exemplo é o uso regular de protetor solar com antioxidantes, que ajuda a evitar manchas, rugas e até câncer de pele, conforme alertado em campanhas da SBD e do Ministério da Saúde.

Importância do acompanhamento profissional em tratamentos com dermocosméticos

Apesar da acessibilidade crescente desses produtos, a recomendação é sempre buscar orientação profissional antes de incluir um dermocosmético na rotina. O dermatologista pode avaliar as reais necessidades da pele, indicar os ativos mais compatíveis e orientar sobre possíveis interações com outros tratamentos.

A automedicação, mesmo com produtos de livre comercialização, pode gerar efeitos adversos como ressecamento, irritações ou agravamento de condições existentes. O uso consciente é parte fundamental de uma rotina de cuidados eficiente.

A escolha por dermocosméticos representa um cuidado mais técnico e individualizado com a pele. Eles são indicados principalmente quando há uma necessidade de ação clínica e quando os resultados esperados envolvem mais do que apenas aparência.

Com o suporte profissional e a escolha correta dos produtos, é possível tratar, proteger e manter a saúde cutânea de forma segura e eficaz.

Referências:

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Conceitos e definições. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/acessoainformacao/perguntasfrequentes/cosmeticos/conceitos-e-definicoes.

BRASIL. Ministério da Saúde. Tratamento e prevenção. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-pele/tratamento-e-prevencao.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA (SBD). Cuidados diários com a pele. Disponível em: https://www.sbd.org.br/cuidados/cuidados-diarios-com-a-pele/.

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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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