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Banesfácil volta a receber contas de energia a partir desta terça
A partir desta terça-feira (17), a rede Banesfácil vai voltar a receber os pagamentos da fatura de energia elétrica da EDP. O acordo foi firmado na manhã da última sexta-feira (13), em reunião intermediada pelo governador do Estado, Paulo Hartung. Na reunião, realizada no Palácio Anchieta, estavam presentes, além do governador, representantes da EDP, Banestes, Procon Estadual e Assembleia Legislativa.
Esse acordo aconteceu após meses de problemas com longas filas e dificuldades para que os clientes conseguissem efetuar o pagamento da conta. “Nós fizemos quatro audiências conciliatórias, solicitamos a prorrogação do tempo de vencimento e realmente a empresa fez o credenciamento de outros pontos, mas isso não se mostrou suficiente. Nós ainda tínhamos problemas em alguns municípios. A gente fala muito de Cariacica, mas em Anchieta a situação também não é boa. Se a gente fizer uma viagem pelo Estado, a situação não era boa, pois os locais credenciados podem ser descredenciados no dia seguinte ou pode optar por não receber mais”, explicou Denize Izaita, diretora presidente do Procon-ES.
O Banestes informou que possui 381 correspondentes bancários distribuídos em todos os 78 municípios do Estado. Destacou também que, além do Banesfácil, os clientes do banco podem fazer o pagamento através de seus canais eletrônicos (Aplicativo Banestes, Internet Banking e caixas eletrônicos), além do débito automático.
“Nós temos certeza de que o retorno do Banesfácil, com seus 381 pontos de atendimento, foi a melhor solução. A partir de abril, começamos a registrar o acúmulo de pessoas na fila. Muitas pessoas ficaram horas e até ingressaram com ações judiciais”, disse a diretora presidente do Procon-ES.
De acordo com a EDP, o retorno da parceria visa à ampliação dos canais de pagamento para os clientes em todas as regiões do Estado, além de reiterar o contínuo compromisso das instituições de melhor atender os seus clientes. Além do Banesfácil, os clientes podem efetuar o pagamento das faturas em qualquer um dos Agentes Arrecadadores da EDP (disponíveis no site www.edp.com.br/agentesedp) e pelos canais de internet e caixas eletrônicos dos principais bancos.
Consumidores que não conseguiram pagar
Segundo o Procon-ES, 1254 pessoas registraram reclamações por conta da dificuldade para conseguir realizar o pagamento. “O dano à coletividade já aconteceu, independente do acordo firmado. Quem entrou com ação ela vai continuar correndo. Esses consumidores que tentaram fazer o pagamento das suas contas na semana passada e não conseguiram, a nossa orientação é de que busquem a concessionária através do serviço de ouvidoria. Caso seja negado essa possibilidade, de ser isentado de multas e juros, a gente convida a pessoa a ir ao Procon”, destacou Denize.
Folha vitoria
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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil
O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.
O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.
Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.
A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.
No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.
O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.
Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.
“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.
Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.
A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.
Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.
A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.
Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.
O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.
Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.
Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.
O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.
Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.
O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.
Fonte: Pensar Agro
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