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Tratado entra em vigor nesta sexta e inaugura nova fase para as exportações brasileiras

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A entrada em vigor provisória do acordo comercial entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia, nesta sexta-feira (1º.05), inaugura uma nova etapa para as exportações brasileiras. A redução imediata de tarifas para mais de 5 mil produtos não significa apenas vender mais barato para a Europa. Na prática, o acordo muda a régua de competitividade do Brasil em um mercado de alto poder de compra, forte exigência sanitária e crescente pressão ambiental.

O impacto inicial será mais visível na indústria. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos bens exportados pelo Brasil à União Europeia passam a ter tarifa zero já na primeira fase. Dos 2.932 produtos que terão imposto eliminado agora, 2.714 são industriais. A lista inclui máquinas, equipamentos, produtos químicos, metalurgia, componentes mecânicos e materiais elétricos.

Mas o efeito para o agronegócio não deve ser lido apenas pela porteira. A maior oportunidade está na agroindústria, nos alimentos processados, nos insumos, nas máquinas agrícolas, nos equipamentos de irrigação, na cadeia de embalagens, na logística e em segmentos capazes de agregar valor à produção primária. O Brasil já é competitivo em volume. O desafio, agora, será capturar margem.

A União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em 2025, a corrente de comércio entre os dois lados chegou a cerca de US$ 100 bilhões, com exportações brasileiras de US$ 49,8 bilhões e importações de US$ 50,3 bilhões. Apesar do tamanho da relação, a participação do Brasil nas compras totais europeias ainda é baixa: cerca de 1,6%, segundo estudo divulgado pela ApexBrasil.

Esse dado ajuda a explicar a aposta do governo e do setor privado. O acordo não muda apenas tarifas; ele tenta recolocar o Brasil em um mercado no qual o país tem presença relevante, mas ainda concentrada em commodities. A pauta brasileira para a União Europeia segue marcada por petróleo bruto, café não torrado, soja, celulose e minérios. A abertura tarifária cria espaço para diversificação, mas não garante avanço automático.

No agro, os produtos mais sensíveis terão tratamento diferente. Carne bovina, carne de frango, açúcar, etanol, arroz e mel entram em regimes de cotas, com volumes limitados e implantação gradual. A União Europeia autorizou, por exemplo, uma cota de 99 mil toneladas de carne bovina do Mercosul com tarifa de 7,5%, sem acesso livre total. Para aves, a cota será de 180 mil toneladas, com tarifa zero e faseamento em cinco anos. No açúcar, não haverá nova cota para o Brasil: 180 mil toneladas de açúcar bruto de cana para refino entram com tarifa zero dentro de uma cota já existente.

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O desenho mostra que a abertura agrícola será controlada. A União Europeia buscou proteger seus produtores em cadeias politicamente sensíveis, sobretudo carne, açúcar e aves. Além das cotas, o acordo prevê salvaguardas bilaterais: se houver aumento de importações capaz de causar dano ou ameaça de dano a setores europeus, a redução tarifária pode ser suspensa ou revista.

Para o produtor brasileiro, isso significa que o ganho não virá apenas por volume. A disputa será por regularidade, rastreabilidade, sanidade, padronização e cumprimento de exigências ambientais. A própria Comissão Europeia afirma que, a partir do fim de 2026, apenas produtos livres de desmatamento poderão entrar no mercado europeu em cadeias como soja, carne bovina, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma.

É nesse ponto que o acordo deixa de ser apenas comercial e passa a ter efeito estratégico dentro da porteira. Quem exporta ou fornece para exportadores terá de comprovar origem, aderência sanitária, documentação e conformidade ambiental. A tarifa menor abre a porta; a burocracia técnica define quem consegue atravessá-la.

A indústria de máquinas e equipamentos deve ser uma das primeiras beneficiadas. Cerca de 96% das exportações brasileiras do setor para a Europa terão tarifa zerada, incluindo compressores, bombas industriais e peças mecânicas. Para o agro, o efeito indireto pode aparecer em duas frentes: mais competitividade para fabricantes nacionais que exportam tecnologia e maior pressão sobre empresas brasileiras expostas à concorrência europeia no mercado interno.

O acordo também altera a posição brasileira na rede global de comércio. Hoje, os países com os quais o Brasil mantém acordos comerciais representam cerca de 9% das importações mundiais. Com a União Europeia, esse universo pode superar 37%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a liberalização pode alcançar mais de 90% do comércio bilateral ao longo da implementação.

Ainda assim, o resultado dependerá da capacidade de uso do acordo pelas empresas. Para acessar a tarifa preferencial, exportadores terão de cumprir regras de origem, apresentar declaração adequada e atender aos procedimentos alfandegários previstos. A Comissão Europeia informou que produtos em trânsito ou armazenados temporariamente na data de início da aplicação provisória também poderão solicitar tratamento preferencial, desde que o importador apresente declaração de origem em até seis meses.

Isan Rezende

A entrada em vigor ocorre em meio a um ambiente global mais protecionista. A União Europeia busca reduzir dependências externas e diversificar fornecedores, enquanto o Brasil tenta ampliar mercados diante de disputas comerciais e barreiras tarifárias em outras praças. Nesse tabuleiro, o acordo com o bloco europeu é menos um ponto de chegada e mais um teste de competitividade.

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“A entrada em vigor marca um avanço importante, mas é preciso separar o que é oportunidade imediata do que é promessa de médio prazo. A tarifa menor ajuda, sem dúvida, mas o acesso ao mercado europeu não é automático. Ele depende de padrão, de regularidade e, principalmente, de capacidade de atender exigências que vão além do preço”, comentou o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende.

Isan lembra que o produtor brasileiro é competitivo dentro da porteira e que o desafio está fora dela. “Logística cara, insegurança regulatória e mudanças constantes nas regras internas acabam reduzindo parte desse ganho que o acordo pode trazer. Se o Brasil não resolver esses gargalos, a vantagem tarifária pode ficar no papel”.

“Outro ponto que precisa ser observado é a forma como as exigências ambientais e de rastreabilidade serão aplicadas. Não se trata de rejeitar esses critérios, mas de garantir que haja previsibilidade e isonomia. O risco é criar um cenário em que o produtor brasileiro precise cumprir requisitos cada vez mais complexos sem ter, na mesma medida, segurança jurídica e condições equivalentes de competição”, comentou o presidente do IA.

Para o setor, a mensagem é direta: a Europa continuará comprando alimentos, fibras e energia, mas comprará cada vez mais de quem conseguir provar origem, qualidade e conformidade. O Brasil tem escala. Falta transformar essa escala em valor agregado, previsibilidade e reputação. O acordo reduz tarifas; a exigência europeia continuará alta.

Fonte: Pensar Agro

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Micrômetro: Medições Precisas Em Peças Pequenas

Descubra micrometro: como garantir medições precisas em peças pequenas e técnicas e veja como medir espessuras, diâmetros e rebaixos com controle

Micrômetro: como garantir medições precisas em peças pequenas e técnicas

Micrômetro mede dimensões pequenas com leitura em centésimos ou milésimos de milímetro, dependendo do modelo. Ele entra no controle de espessuras, diâmetros externos, furos, canais e rebaixos quando a tolerância exige mais precisão que uma medição comum.

O micrômetro externo trabalha com diâmetro externo e espessura. O interno mede furos e canais. O de profundidade atende rebaixos. Em uma peça de usinagem CNC, por exemplo, a medida pode passar no paquímetro e reprovar no micrômetro quando a tolerância dimensional fica apertada. A leitura só merece confiança quando instrumento, peça e operador estão sob controle: faces limpas, zero conferido, força correta e geometria bem posicionada.

Como usar, ler e conferir o micrômetro antes de medir peças pequenas

Usar micrômetro começa antes de encostar na peça. Em mecânica de precisão, cavaco fino, óleo, calor da mão e pressão em excesso mudam a leitura. Em tolerâncias estreitas, essa diferença já basta para aprovar ou reprovar uma peça.

Ao escolher um micrometro, olhe a faixa de medição, a resolução, o tipo de contato e a geometria da peça. A referência industrial para medição dimensional fica em 20 °C, conforme o NIST. Quando peça e instrumento vêm de ambientes diferentes, espere a estabilização antes de medir.

Passo 1: limpe as faces, estabilize a peça e confira o zero

Limpe as faces de medição e retire óleo das mãos antes de manusear o instrumento. Em metrologia, uma sujeira quase invisível entre a face e a peça já desloca o resultado.

Feche o micrômetro com pressão leve pela catraca. Se o zero não coincidir, separe o instrumento para ajuste ou verificação conforme o procedimento interno. Não compense o erro “de cabeça” durante a medição, porque essa prática quebra a rastreabilidade do resultado.

Passo 2: posicione a peça sem pegar rebarba, chanfro ou raio como referência falsa

A peça precisa ficar perpendicular às faces de medição. Rebarba, chanfro, raio e marca de ferramenta não servem como referência para a dimensão funcional, mesmo quando parecem áreas bem acabadas.

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O erro mais comum é medir uma borda “bonita” que, na verdade, está arredondada ou deformada. Em peças finas, o excesso de força ainda pode flexionar o material e gerar uma leitura menor que a dimensão real.

Passo 3: aplique força pela catraca e repita a leitura sem apertar demais

Use a catraca ou friction thimble para manter a força de contato uniforme. Quando o operador aperta pelo tambor comum, a força aumenta e pode deformar chapas finas, tubos delicados e componentes usinados com parede reduzida.

Compare três leituras no mesmo ponto. Se a repetibilidade oscilar, volte para o básico: apoio da peça, limpeza das faces, temperatura e perpendicularidade. Na prática, muitos desvios aparecem antes de qualquer problema no instrumento.

Passo 4: leia a escala fixa, o tambor e o nônio em milésimos de milímetro

Leia a escala fixa primeiro e some a indicação do tambor. Em micrômetros com nônio, a escala vernier acrescenta a fração final e permite leitura mais fina nos modelos compatíveis.

Nas leituras em milésimos de milímetro, mantenha o olho de frente para a escala. Olhar inclinado cria erro de paralaxe e pode fazer a marca errada parecer alinhada.

Checklist rápido de calibração com blocos-padrão e rastreabilidade

Na calibração do micrômetro, observe zero, desgaste das faces, paralelismo, sujeira e resposta da catraca. Em faixas acima de 25 mm ou 1”, use padrão, bloco-padrão ou haste de referência compatível com a faixa nominal.

Quando a medida entra no controle de qualidade, trabalhe com blocos-padrão, certificado rastreável e procedimento documentado. Rastreabilidade metrológica liga a leitura a um padrão confiável, conceito alinhado às práticas do INMETRO e da norma ISO/IEC 17025 para laboratórios.

Erros comuns que distorcem a medição em peças técnicas

Calor da mão, umidade, cavaco preso e peça recém-usinada alteram a leitura. Em superfícies curvas, o alinhamento pesa ainda mais, porque um pequeno giro muda o ponto de contato e desloca o resultado.

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Furos profundos podem pedir medidor interno tipo súbito. Variação geométrica pode ser melhor avaliada com relógio comparador. Geometrias complexas e tolerâncias muito estreitas podem exigir medição tridimensional por CMM.

Dicas para precisão: temperatura, repetibilidade e escolha da ferramenta certa

Meça após a estabilização térmica e segure o micrômetro pelo isolamento, quando houver. Em ambiente de oficina, testamos leituras logo depois da usinagem e repetimos após a peça estabilizar; a diferença aparece com mais clareza em peças pequenas com tolerância fechada.

O resultado fica mais confiável quando a ferramenta combina com a peça, as faces estão limpas, a leitura foi repetida e o critério de aceitação já está definido. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui procedimento de calibração acreditado.

Como saber se o micrômetro está calibrado?

Veja o zero antes do uso e compare o instrumento com padrão, bloco-padrão ou haste de referência adequada. Se houver desvio, não libere a medição sem ajuste ou calibração rastreável.

Qual é a forma correta de ler um micrômetro em milímetros?

Leia a escala fixa, some a leitura do tambor e, nos modelos com vernier, acrescente a fração indicada pela linha coincidente. Essa sequência evita pular parte da leitura e reduz erro de interpretação.

Quando usar micrômetro em vez de paquímetro?

Use micrômetro quando a peça pequena exige controle dimensional mais fino e contato mais estável. Ele ajuda em tolerâncias apertadas, desde que a geometria permita apoio correto entre as faces.

Temperatura da peça pode alterar a medição?

Sim. Peça, micrômetro e ambiente precisam estabilizar quando a tolerância é crítica, porque as dimensões variam com a temperatura.

O micrômetro só entrega precisão quando tipo, leitura, força de contato, calibração e geometria da peça trabalham juntos. Antes de liberar lotes críticos, revise o procedimento interno de metrologia.

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