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Tem tireoidismo? Não se desespere!

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Localizada na frente do pescoço, a tireoide é uma glândula em forma de borboleta cuja principal função é regular o metabolismo. “A tireoide nos mantém funcionando regularmente”, explica a Dra. Thays Dalla Bernardina Loureiro, médica da Endolife em São Gabriel da Palha.

Quando esse sistema se desregula, as consequências são sentidas no corpo inteiro. As mulheres têm cinco a oito vezes mais chances de apresentar transtornos da tireoide. Na maioria dos casos, não há prevenção, mas depois de identificado, o problema pode ser tratado com eficácia.

A médica explica que as doenças da tireoide normalmente são divididas em dois tipos, as doenças hormonais e estruturais. Sendo as doenças hormonais causadas pela falta ou excesso de hormônio no corpo, enquanto a parte estrutural corresponde aos nódulos ou cistos da tireoide.

O hipotireoidismo (“hipo” significa “menos”), acontece quando a tireoide não produz hormônios suficientes para manter o metabolismo funcionando com boa velocidade. Geralmente ocorre porque o sistema imunológico ataca a glândula. Os sinais de alerta são cansaço, ganho de peso, depressão e prisão de ventre. A pessoa pode não apenas ficar muito sensível ao frio como notar que a pele e o cabelo estão secos.

O hipertireoidismo (“hiper” significa “mais”) pode ser tratado com medicamentos, radiação (para lesionar a glândula e reduzir sua eficácia) ou, em casos extremos, remoção da tireoide e, depois comprimidos para hipotireoidismo a fim de repor os hormônios. “Ambas podem ser de origem genética hereditária ou adquirida por diversos fatores recorrentes”, ressaltou Thays.

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Em relação aos nódulos a Dra. Thays relata que nem sempre um nódulo na tireoide é grave. “A primeira coisa é não se preocupar demais, porque 60% das pessoas têm um nódulo na tireoide e menos de 5% deles são malignos. Ou seja, a grande maioria dos casos não é câncer”.

No momento em que se verifica um nódulo (em geral pelo exame de ultrassom), o mais importante é definir se ele precisa ser investigado com mais profundidade ou não. Entretanto, depois de descobrir o nódulo, a palavra de ordem é “serenidade” diz a profissional.  “Serenidade porque precisamos definir se esse nódulo merece ser investigado de maneira mais invasiva através de uma punção aspirativa. Nódulos com características suspeitas no ultrassom muitas vezes devem ser puncionados. Se esse nódulo for pequeno e não for suspeito, talvez possa ser apenas observado. Nada mais. Caso ele seja maligno, será necessário a realização de um tratamento”, afirma a doutora.

TIREOIDE NA GRAVIDEZ:

A gestação afeta muito o funcionamento da tireoide da mulher. “Na gravidez, a demanda de hormônio tireoidiano aumenta 30% a 50%, elevando assim a necessidade de hormônios tireoidianos”, relata a Dra. Thays.

Por serem inespecíficos, os sintomas de alteração da função tireoidiana na gestação podem ser confundidos com a sintomatologia comum da mulher grávida. “Portanto, a verificação laboratorial é de grande valia para detectar possíveis alterações nesta fase da mulher. A avaliação da função tireoidiana é feita por meio de exame de sangue que em geral faz parte do grupo de exames solicitados pelos obstetras quando da primeira consulta de pré-natal”, diz Thays.

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Sintomas de hipotireoidismo

Fadiga
Constipação
Ganho inexplicável de peso
Sensibilidade exagerada ao frio
Inchaço no rosto
Pele ressecada
Fraqueza, dor, sensibilidade ou rigidez muscular
Esquecimentos ou dificuldade de se concentrar
Desânimo
Alterações no ciclo menstrual

Sintomas de hipertireoidismo

Insônia
Diarreia
Perda inexplicável de peso
Suor excessivo
Ruborização da pele
Olhos saltados
Taquicardia (mais de 100 batimentos por minuto)
Ansiedade, irritabilidade ou nervosismo
Hiperatividade
Alterações no ciclo menstrual

Quem é afetado? 

• Mulheres, especialmente durante seis meses após engravidar ou ter um bebê
• Pessoas entre 30 e 60 anos
• Pessoas com história familiar de doenças da tireoide
• Pessoas com doenças autoimunes.

➽ HIPOTIREOIDISMO

Alimentos prejudiciais
Nozes
Farinha de soja

Alimentos benéficos
Cenoura
Batata-doce
Mamão
Melão-cantalupo
Espinafre
Folhas de nabo

➽ HIPERTIREOIDISMO

Alimentos prejudiciais
Bebidas cafeinadas.

Alimentos benéficos
Laticínios
Produtos de soja
Couve
Folhas de mostarda

 

 


camera_enhance Drª. Thays Dalla Bernardina Loureiro (Crédito: Editora Hoje)


Editora Hoje/Seleções

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Carne de laboratório: conheça a técnica desenvolvida pela Embrapa

Experimentos prometem reduzir impactos ambientais da produção animal

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está produzindo carne em laboratório. O experimento não sacrifica animais e não tem impacto ambiental, como ocorre na pecuária que, por causa do desmatamento e da emissão de gás metano, agrava o efeito estufa.

A inovação é liderada pela Embrapa Suínos e Aves, com sede em Concórdia (SC), que já produziu protótipos de filés de peito de frango, e pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), sediada em Brasília.

O laboratório desenvolveu amostras de alimentos impressos com base vegetal, como filé de salmão, caviar e anéis de lula.

A técnica envolve a multiplicação de uma amostra de células retiradas de animais vivos, equivalente a uma pequena biópsia. A amostra extraída é cultivada in vitro, em meio líquido rico em oxigênio e nutrientes — como glicose, aminoácidos e sais minerais — que permitem que as células se multipliquem.

A produção de carne cultivada utiliza técnicas da engenharia de tecidos para reparar tecidos biológicos danificados e técnicas da biotecnologia celular, que utiliza células vivas ou partes delas para tratar problemas biológicos. Os recursos são comuns à medicina regenerativa.

“Nós conseguimos isolar as diferentes células que compõem o tecido muscular vivo. A amostra tem um punhado de células musculares, algumas células de gordura e células do tecido conjuntivo. A partir disso, escolhemos qual é a célula que a gente quer e focamos na multiplicação em grande quantidade daquele tipo celular”, explica a veterinária Naiara Milagres Augusto da Silva, analista do Cenargen.

Ancoragem física

O crescimento do tecido muscular da carne cultivada necessita de uma superfície para ancoragem física, que imita a matriz extracelular dos sistemas biológicos naturais. Essas estruturas biomiméticas podem ser suportes (scaffolds) fibrosos e microcarreadores esféricos que transportam elétrons para as células que são aderentes.

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“Enquanto os scaffolds fibrosos auxiliam na orientação celular, na diferenciação muscular e na organização tridimensional do tecido cultivado, os microcarreadores esféricos favorecem a expansão celular em suspensão, aumentando a área disponível para crescimento e contribuindo para a produção em larga escala de tecido muscular”, descreve uma nota técnica da Embrapa a qual à Agência Brasil teve acesso.

Conforme a nota, suportes e microcarreadores são fundamentais para o desenvolvimento de propriedades na carne de laboratório. “Além das funções biológicas, essas estruturas influenciam diretamente [nas] propriedades tecnológicas e sensoriais da carne cultivada, incluindo textura, firmeza, retenção de água e percepção mastigatória”.

Proteínas vegetais

O foco do trabalho do Laboratório de Nanobiotecnologia do Cenargen é desenvolver biomateriais (insumos) a partir de proteínas vegetais, que podem servir de estruturas onde as células da carne cultivada vão aderir e se multiplicar.

Esse é o caso das malhas formadas por fibras de escala nanométricas. A olho nu parecem um pedaço de papel, mas no microscópio é possível observar uma superfície porosa que funciona como a matriz extracelular encontrada no organismo vivo, onde as células colam e se unem.

“O que temos tentado fazer é uma carne produzida a partir de células animais, mas que contam com diferentes insumos de origem natural — comestível e vegetal – para que possamos depender menos do uso de animais para esse processo”, detalha Naiara da Silva.

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Película comestível

Outro produto do laboratório é uma película comestível que serve como a tripa para o invólucro de embutidos, como linguiça, produzidos com a técnica de carne cultivada.

O protótipo deve ser finalizado em 2027. “Até meados do ano que vem, vai estar na vitrine como um ativo tecnológico Embrapa”, prevê o biólogo Luciano Paulino da Silva, pesquisador que coordena os experimentos com carne cultivada entre outras iniciativas no LNANO.

Segundo o especialista, após a finalização, os experimentos em torno da carne cultivada podem ganhar diferentes parceiros que se especializem na aplicação de produtos específicos com finalidade de produção industrial e comercialização.

Regulação

Grandes agroindústrias e startups brasileiras têm unidades para pesquisa com carne cultivada. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2023 a Resolução RDC nº 839, marco regulatório para a carne cultivada em laboratório.

Outros países como Singapura, Austrália, Estados Unidos, Israel e Austrália também desenvolvem carne cultivada e têm aprovação regulatória e comercial.

A experiência no LNANO foi documentada em artigo científico na revista Foods da editora suíça MDPI (sigla em inglês para Multidisciplinary Digital Publishing Institute), especializada em periódicos de acesso aberto sobre ciência e tecnologia.

Fonte: Agência Brasil

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