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Suyanne Barros, psicóloga de São Gabriel da Palha, destaca: “saúde mental no trabalho agora é exigência legal com a atualização da NR-01 e os impactos da gestão de Riscos Psicossociais”

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Suyanne Barros. Foto: Arquivo Pessoal

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), publicada em agosto de 2024 por meio da Portaria nº 1.419 do Ministério do Trabalho, trouxe uma mudança significativa para o ambiente corporativo brasileiro: a identificação e gestão dos riscos psicossociais nas empresas. A psicóloga Suyanne Barros, de São Gabriel da Palha, detalha o que muda na prática e quais impactos essa nova exigência pode trazer para empregadores e trabalhadores.

Segundo a especialista, a principal mudança está na ampliação do olhar sobre a saúde ocupacional. “Na prática, a principal mudança é que, além de identificar e gerenciar riscos já tradicionais, como os físicos, químicos, biológicos, de acidentes e os fatores ergonômicos, as empresas passam a ter a responsabilidade de mapear também os riscos psicossociais relacionados ao trabalho. Isso significa avaliar aspectos da organização do trabalho que podem impactar a saúde mental dos trabalhadores. O principal objetivo dessa atualização é ampliar o cuidado com a saúde do trabalhador, reconhecendo que a saúde mental também faz parte da saúde ocupacional. Com isso, busca-se incentivar ações preventivas dentro das organizações, reduzindo fatores que possam contribuir para o estresse, o sofrimento psíquico e o adoecimento relacionado ao trabalho”.

A partir deste ano, as empresas passam a ser fiscalizadas. A psicóloga explica como funcionará essa fiscalização e o que as empresas precisam comprovar: “A atualização da NR-01 passa a ser efetivamente fiscalizada a partir de 26 de maio de 2026. Desde a publicação da Portaria nº 1.419, em agosto de 2024, as empresas tiveram um período para se adaptar às novas exigências e incluir os riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. O objetivo da fiscalização não é apenas aplicar penalidades, mas incentivar uma gestão mais completa da saúde no ambiente de trabalho, considerando os aspectos que podem afetar o bem-estar psicológico dos trabalhadores. Para isso, as empresas precisarão comprovar que identificaram e avaliaram esses riscos, que eles estão registrados em seus programas de gestão de segurança e saúde no trabalho, como o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), e que existem medidas ou ações implementadas para prevenir ou reduzir esses fatores no ambiente de trabalho”.

Mas, afinal, o que são riscos psicossociais? A psicóloga explica que eles estão diretamente ligados ao cotidiano profissional. “São riscos que afetam a saúde mental de um trabalhador, podendo ser originados por fatores organizacionais, comportamentais e até mesmo decorrentes das condições físicas do ambiente de trabalho. Surgem quando determinados aspectos do ambiente de trabalho geram pressão ou desgaste contínuo. Entre os exemplos mais comuns estão excesso de demandas, pressão constante por resultados, jornadas prolongadas, trabalho precário, falta de clareza nas funções, baixa autonomia, falhas na comunicação, conflitos interpessoais, falta de reconhecimento, insegurança no trabalho e situações de assédio moral e sexual. Identificar esses riscos é fundamental para que as empresas adotem ações preventivas, promovendo ambientes de trabalho saudáveis e reduzindo fatores que podem levar ao adoecimento emocional”.

Com a nova exigência, as empresas deverão mapear esses riscos. A profissional explica como esse processo ocorre: “Na prática, as empresas precisam identificar situações do trabalho que possam gerar desgaste emocional, avaliar o nível de risco e registrar essas informações em seu Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), além de implementar ações consistentes para mitigar ou eliminar esses riscos. Esse processo geralmente envolve a coleta de informações sobre as condições de trabalho, a escuta dos trabalhadores, análise de aspectos da organização do trabalho, como carga de demandas, relações profissionais, comunicação interna e as condições em que as atividades são realizadas. A partir dessa análise, é possível identificar os principais fatores de riscos e definir medidas para prevenir, reduzir ou eliminar os riscos psicossociais. Existem no mercado questionários e formulários específicos, validados cientificamente, desenvolvidos justamente para avaliar fatores psicossociais no ambiente de trabalho. Cabe ao profissional responsável pelo processo escolher a metodologia mais adequada, considerando critérios técnicos e a realidade de cada organização. É importante destacar que o objetivo desse mapeamento não é avaliar a saúde mental individual de cada trabalhador, mas identificar condições do trabalho que podem contribuir para o adoecimento”.

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Segundo Suyanne, apenas em 2025 o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por saúde mental relacionados ao trabalho. Ela avalia o cenário: “Esse número é preocupante e representa um crescimento de cerca de 15% em relação a 2024. Esses dados mostram que não se trata de um problema isolado, mas de um sinal de que a saúde mental no trabalho se tornou uma questão estrutural. Transtornos como ansiedade, depressão e reações ao estresse estão entre as principais causas desses afastamentos. Além do impacto na vida das pessoas, há também um impacto social e econômico importante. Hoje, os afastamentos por transtornos mentais já representam mais de 13% de todos os benefícios por incapacidade concedidos no país. Esse cenário reforça a necessidade de as empresas olharem com mais atenção para como o trabalho está sendo organizado, incluindo a carga de demandas, as relações profissionais e o equilíbrio entre produtividade e bem-estar. Falar sobre saúde mental nas organizações deixou de ser apenas uma pauta de bem-estar e passou a ser uma questão estratégica para a sustentabilidade das empresas e para a qualidade de vida dos trabalhadores”, analisa.

A psicóloga também aponta sinais de alerta dentro das empresas: “Existem alguns sinais importantes, entre os mais comuns estão o aumento do absenteísmo (faltas frequentes), queda de produtividade, alta rotatividade de funcionários, maior número de afastamentos por questões de saúde mental e até aumento de acidentes de trabalho. No dia a dia das equipes, também podem aparecer sinais como irritabilidade constante, desmotivação, dificuldade de concentração, sensação de sobrecarga e conflitos frequentes entre colegas. Quando esses sinais começam a ocorrer de forma recorrente, isso pode indicar que aspectos da organização do trabalho, estão impactando negativamente o bem-estar dos trabalhadores. Observar esses dados é fundamental”.

Apesar dos avanços, muitas empresas ainda tratam a saúde mental como tema secundário. Suyanne alerta para as consequências dessa negligência:

“As consequências aparecem tanto na saúde dos trabalhadores quanto nos resultados da organização, além de gerarem impacto financeiro, já que empresas que não se adequarem também podem ser multadas. Na prática, isso costuma se refletir em maior absenteísmo, aumento de afastamentos por saúde mental, queda de produtividade, maior rotatividade de funcionários e até aumento de acidentes de trabalho. Também há custos diretos e indiretos, como gastos com afastamentos, perda de produtividade, horas extras para cobrir ausências, custos de recrutamento, contratação e treinamento de novos profissionais, além da perda de conhecimento quando o funcionário deixa a empresa. Em alguns casos, ainda podem surgir ações trabalhistas e danos à imagem da empresa. Por isso, a gestão dos riscos psicossociais não é apenas uma questão de cuidado com as pessoas, mas também uma decisão estratégica para reduzir custos e fortalecer a sustentabilidade do negócio”.

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Atuando como consultora, Suyanne tem orientado empresas da região a se adaptarem à nova realidade. “Tenho orientado as empresas a compreender que a atualização da NR-01 não tem como objetivo punir, mas fortalecer a prevenção dentro das organizações. Quando os riscos psicossociais são mapeados de forma estruturada, a empresa passa a ter mais clareza sobre quais fatores do ambiente de trabalho podem estar gerando desgaste e impactando a saúde mental dos trabalhadores. A partir desse diagnóstico, torna-se possível definir ações mais assertivas para intervir e reduzir esses riscos, melhorando as condições de trabalho e prevenindo problemas maiores, como afastamentos, conflitos e queda de produtividade. Por isso, entender como funciona o processo de mapeamento e a gestão desses riscos é fundamental. Quando esse trabalho é conduzido com base técnica e com foco na Saúde Mental no Trabalho, os dados deixam de ser apenas informações e passam a orientar decisões estratégicas”.

Entre os benefícios da prevenção, Suyanne destaca: “Entre os principais benefícios estão a redução de afastamentos por saúde mental, menor rotatividade de funcionários, diminuição do absenteísmo e menos acidentes de trabalho. Além disso, ambientes de trabalho mais saudáveis favorecem maior engajamento das equipes, melhoria do clima organizacional e aumento da produtividade. Na prática, quando a empresa cuida da saúde mental no trabalho, ela não apenas reduz custos relacionados ao adoecimento, mas também fortalece sua imagem institucional e se torna um fator de atração e retenção de talentos, já que as pessoas tendem a querer permanecer em organizações que promovem ambientes de trabalho mais saudáveis e respeitosos”.

A atuação do psicólogo ganha ainda mais relevância nesse cenário. “A atuação do psicólogo especialista em Saúde Mental e Trabalho se torna estratégica porque os riscos psicossociais estão diretamente ligados ao comportamento humano, às relações de trabalho e à forma como o trabalho é organizado. Embora a gestão de riscos ocupacionais envolva diferentes profissionais, o psicólogo possui formação específica para compreender como fatores como pressão, sobrecarga, conflitos, liderança e comunicação impactam a saúde mental dos trabalhadores. Isso permite uma análise mais aprofundada das dinâmicas do ambiente de trabalho, contribuindo para dados mais precisos e para a definição de ações preventivas mais eficazes. Além disso, a atuação do Psicólogo especialista também contribui para relatórios tecnicamente mais consistentes, o que fortalece as evidências das ações adotadas pela empresa, inclusive em situações de fiscalização”.

Por fim, a psicóloga deixa um recado aos empresários: “Minha mensagem é que as empresas não vejam essa exigência apenas como uma obrigação burocrática, mas como uma oportunidade de prevenção e melhoria do ambiente de trabalho. O prazo para adequação já está curto e é importante que as organizações comecem a agir. Também é importante lembrar que estar em conformidade com a legislação não é uma escolha, mas uma obrigatoriedade legal. Começar a adequação desde já ajuda a prevenir afastamentos, reduzir custos e evitar problemas em fiscalizações. Investir em prevenção é sempre mais inteligente e menos custoso do que lidar com as consequências depois”.

Fonte: Editora Hoje

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Em agenda no ES, Embrapa Café fortalece aproximação entre pesquisa e demandas do setor produtivo

Em agenda no Espírito Santo, representantes da Embrapa Café estiveram na sede da Cooabriel, em São Gabriel da Palha, na quinta-feira (9). A visita integrou uma série de compromissos no estado para estreitar o diálogo com a cadeia produtiva, além de conhecer experiências do setor. 

Ao longo da semana, a comitiva cumpriu um roteiro de visitas estratégicas pelo estado, incluindo passagens por instituições e empresas como a Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag); o Grupo Tristão; o Centro de Cafés Especiais do Espírito Santo (CECAFES), em Venda Nova do Imigrante; a Fazenda Experimental do Incaper, em Marilândia. 

A agenda ocorre em um momento em que a instituição busca ampliar sua conexão com as demandas do setor produtivo, aproximando ainda mais a pesquisa dos desafios enfrentados pelos cafeicultores e pelas organizações que atuam na cadeia cafeeira. Segundo o chefe-geral da Embrapa Café, Rodolfo Oliveira, a proposta é estabelecer uma atuação cada vez mais alinhada às diferentes perspectivas. 

“A ideia é mudar um pouco o foco de atuação, trazendo principalmente a pesquisa para responder aos problemas e gargalos que o setor produtivo identifica. O papel da pesquisa é importante, mas precisa estar acoplado e responder a esses desafios. A ideia desta visita é conhecer quem está fazendo. A Cooabriel é uma cooperativa de excelência, reconhecida. Queremos conhecer e aproximar a Embrapa Café do que já está sendo feito no Espírito Santo”, afirmou Oliveira. 

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Para a chefe de Inovação e Negócios da Embrapa Café, Renata Silva, a aproximação com as lideranças e instituições do setor representa uma oportunidade de aprendizado e construção conjunta de soluções. “Viemos para aprender com os avanços que já vêm sendo construídos e para somar nos desafios, procurando alternativas para que a ciência, a tecnologia e a inovação possam auxiliar nesse processo de continuidade da evolução da cafeicultura capixaba, que é uma das maiores do Brasil e referência para o mundo. Vemos desafios relacionados à sustentabilidade, à qualidade do café e à produção de um café saudável, e queremos fazer parte desses avanços”, destacou. 

O subsecretário de Estado de Desenvolvimento Rural do Espírito Santo, Michel Tesh, ressaltou que a agenda permitiu apresentar à entidade importantes referências da cafeicultura capixaba. “Conhecer a nossa cafeicultura e a Cooabriel faz parte disso. A cooperativa é parte da evolução do conilon, leva conhecimento, gera conhecimento e difunde isso entre os seus cooperados, contribuindo para que o conilon do Espírito Santo chegue à indústria nacional e a mercados internacionais”, afirmou. 

Ainda segundo Tesh, as agendas favorecem o olhar sobre a pesquisa, a partir de uma ótica bastante aplicada, o que pode contribuir para novas oportunidades de mercado. “É um momento oportuno e histórico porque abre uma perspectiva de estratégia, de posicionamento e de comunicação para que se posicione o nosso café muito bem no Brasil e no mundo, a partir da pesquisa cafeeira”, acrescentou. 

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O presidente da Cooabriel, Luiz Carlos Bastianello, também destacou o impacto positivo da cooperação entre os diferentes elos da cadeia. “A Embrapa tem desempenhado um papel muito importante na cafeicultura brasileira e, cabe destacar, nos cafés canéforas. Temos muito a aprender com o trabalho que a instituição vem desenvolvendo, especialmente em relação à aplicabilidade das pesquisas nas regiões produtoras de conilon”, concluiu Bastianello. 

Fonte: Cooabriel

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