conecte-se conosco


Política Estadual - ES1.com.br

Sessão solene celebra 177 anos da Insurreição de Queimado

Publicado em

Proponente da sessão, Iriny cobrou melhoria no acesso da população ao Sítio Histórico de Queimado / Foto: Paula Ferreira

Vinte pessoas foram homenageadas com a Medalha Chico Prego pela sua luta contra a discriminação racial e a favor do povo negro na sessão solene que celebrou os 177 anos da Insurreição de Queimado. A solenidade ocorreu na noite desta sexta-feira (8) na Assembleia Legislativa (Ales).

O evento foi proposto pela deputada Iriny Lopes (PT), presidente da Comissão de Cultura da Casa, e também serviu para festejar o reconhecimento do Sítio Histórico e Arqueológico de São José do Queimado como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“Essa vitória não é um presente do Estado, é uma conquista da resistência do movimento negro capixaba, que lutou décadas contra o apagamento histórico planejado. Esse tombamento foi pavimentado por pesquisas essenciais desenvolvidas dentro da Ufes e do Ifes. A ciência e a academia se uniram à militância para comprovar o que muitos tinham certeza: Queimado é a raiz da nossa identidade”, disse.

Aproveitando que nesta sexta é comemorado o Dia Nacional do Turismo, a parlamentar apontou o tipo de turismo que deve ocorrer no sítio. “Não pode ser o turismo de um cenário de fotografias vazias de qualquer sentido. É o turismo da preservação histórica, do reconhecimento histórico daquelas ruínas como a memória de todos os que tombaram naquele momento e de todos que tombaram antes e depois na luta pela emancipação do povo negro de nosso Estado e país”, defendeu.

Também cobrou melhorias no acesso ao Sítio Histórico para que as pessoas possam conhecer o local. “Nosso mandato protocolou uma indicação à Ceturb para que as linhas de ônibus passem a atender o Sítio Histórico, o transporte público é um direito cultural. É urgente que o governo do Estado e a prefeitura de Serra olhem para a infraestrutura da estrada de acesso e para a manutenção daquela área”, frisou.

A solenidade contou com a presença do presidente nacional do Iphan, Deyvesson Israel Alves Gusmão, que falou da emoção ao conhecer Queimado. “É um sítio de memória sensível, que serve para que nunca esqueçamos da chacina que aconteceu em 1849 e de todo o processo de escravização, que é uma lembrança importante para a memória da diáspora africana no país. Traz a lembrança do que nunca mais deve acontecer neste país, que é a escravização do povo negro”, afirmou.

Ele destacou que as políticas de patrimônio cultural não devem ter compromisso com o racismo e com estigmas sociais aos povos indígenas e ao povo africano. “As políticas devem contribuir para a sociedade brasileira, sobretudo, aquelas do estigma social, para que não apenas aguentem o peso do racismo e da desigualdade social, mas que contribua para que as pessoas tenham vida. Temos buscado ampliar os horizontes do patrimônio cultural, que tem se voltado para os povos indígenas e escravizados e o sítio histórico cumpre esse papel, nos lembra de algo que nunca mais deve acontecer”, salientou.

Para o superintendente do Iphan-ES, Joubert Jantorno Filho, o reconhecimento do Sítio Histórico é uma reparação histórica do estado brasileiro. “Nós do Iphan Espírito Santo tivemos a honra de encaminhar e o conselho consultivo reconheceu essa luta. Houve uma reparação no reconhecimento dessa luta”, comemorou.

leia também:  Ales se mobiliza e Justiça suspende demolições na Barra do Jucu

Afroturismo

Segundo a gerente de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH) e presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Cepir), Edneia Conceição de Oliveira, Queimado deve ser um espaço de afroturismo. “Precisamos visibilizar tudo que é cultural e ancestral nos territórios negros. É muito emblemático pensar esse Sítio Histórico onde o afroturismo vai acontecer, não é apenas uma visita a um espaço, mas a um local que traz toda a ancestralidade do povo negro”, enfatizou.

Penha Gaspar, coordenadora-geral do Fórum Chico Prego, mencionou que a data de hoje é muito importante e precisava ser comemorada. “Falar de Queimado é falar de coragem, é falar de homens e mulheres negros que enfrentaram a escravização e a violência, mas que nunca abriram mão de sua dignidade e do sonho de liberdade”, explicou.

De acordo com ela, o Fórum carrega há mais de duas décadas a missão de manter a memória e garantir que as novas gerações conheçam a história do povo negro de Serra e do Espírito Santo. “Nossa resistência existe porque ainda enfrentamos desigualdade social, intolerância religiosa, racismo cultural e tentativas de apagamento histórico. Seguiremos transformando a memória em luta”, prometeu.

Representante dos Povos de Matriz Africana, Ricardo Luiz dos Santos Paiva, o Pai Ricardo, esclareceu que Queimado não é só dos negros, mas de um povo inteiro, não é só de uma religião, mas uma herança pela qual todos deveriam lutar e lembrar.

“Nosso tom de pele ainda é rejeitado por muitos. Somos negros sim, somos um povo sim, saímos de nossos lares, viemos para o Brasil, construímos o Brasil e somos preconceituosamente rejeitados em muitos órgãos e locais. Se não fosse todos que estão aqui, não teríamos chegado aonde chegamos. Juntos somos sempre mais fortes para trazer liberdade racial, estrutural e religiosa”, exaltou.

Neabi

Os integrantes do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) de Serra foram fundamentais na pesquisa que embasou o reconhecimento do Sítio de Queimado como patrimônio cultural brasileiro. Eles foram representados na cerimônia pelo professor Leonardo Matiazzi Corrêa.

“É um momento fundamental para dar visibilidade ao patrimônio, mas também dar visibilidade aos currículos escolares. Nosso maior desafio foi ver como Queimado é invisibilizado pelos currículos, pelos livros didáticos e em todos os níveis, da educação básica à universidade. Hoje, é um momento de celebrarmos Queimado como patrimônio nacional. É o 13º patrimônio nacional em nosso Estado. Nós, do Ifes e do Núcleo, nos colocamos à disposição para desenvolver pesquisas”, garantiu.

Ao final dos trabalhos, a deputada Iriny Lopes ponderou que o mundo vive um momento complexo, que exige de todos coerência, capacidade, compromisso e resiliência para não permitir nenhum tipo de retrocesso em nosso país. “Precisamos de reparação aos excluídos e excluídas, com destaque essencial ao povo negro brasileiro e aos povos tradicionais”, concluiu.

leia também:  Violência doméstica: Iriny propõe medida protetiva digital no ES

A solenidade ainda contou com três apresentações culturais: a banda de congo Konshaça, o coral e a orquestra do Instituto Serenata D’Favela, e a dupla Kauã Soeiro e Mizinho Dussamba.

Mesa

Além dos citados, a mesa de honra foi composta pelo vereador por Serra Uanderson Moreira (PDT); pelo representante da Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer de Serra, Denner Costa; pelo missionário comboniano Padre Wedipo; e pelo presidente do Conselho Municipal de Igualdade Racial de Serra, Ivo Lopes.

Semana

Iriny Lopes é autora da Lei 12.032/2024, que instituiu a Semana Estadual da Insurreição de Queimado, a ser comemorada entre os dias 19 e 26 do mês de março.

Insurreição de Queimado

Em 19 de março de 1849, na Freguesia do Queimado, atual município de Serra, aconteceu a primeira revolta dos escravos na província. A rebelião foi prontamente reprimida e a maior parte de seus líderes, executados. Entre os líderes estavam Francisco de São José, o Chico Prego; João Monteiro, o João da Viúva e Elisiário Rangel.

Centenas de pessoas participaram da rebelião, que acabou sendo derrotada pelas autoridades. Cinco líderes foram condenados à morte, incluindo Chico Prego, que foi capturado e enforcado em 11 de janeiro de 1850. No entanto, Elisiário conseguiu escapar da prisão e se refugiou nas matas do morro do Mestre Álvaro e nunca mais foi preso.

Medalha Chico Prego

Criada pela Resolução 2.080/2003, a Medalha “Chico Prego” é oferecida a personalidades ou entidades da sociedade civil organizada que se destaquem nas lutas contra a discriminação racial e em defesa das causas do povo negro.

Confira a lista dos homenageados com a Medalha Chico Prego:

1. Associação de Capoeira Força Negra (ACFN), representada por Fernando Ramos Rodrigues
2. Alexssandro de Jesus Silva, o Pai Brasinha
3. Ana Paula Lyra dos Santos, representada por Sabrina Luciano Santos
4. Danieli Rodrigues da Silva
5. Djanira Maria Duarte dos Santos
6. Emef Professora Ângela Maria Pereira Barcelos, representada por Ellen da Silva Moura
7. Instituto Serenata d’Favela, representado por Luciene Chagas
8. Instituto Modus Vivendi, representado por Wesley Pinheiro
9. Instituto Quadro de Esperança, representado por Odilamara do Santos Neto
10. Leonardo Matiazzi Corrêa
11. Leticia Secomandi Mazzoco
12. Lucas Ribeiro de Maria
13. Missionários Combonianos, representado pelo Padre Wedipo
14. Moacir Alves Rodrigues
15. Projeto Caminho do Bem, representado por Gilmar Carlos
16. Ricardo Luiz dos Santos Paiva (Pai Ricardo)
17. Ruthileia Machado
18. Sabrina Luciano Ramos
19. Saionara Paixão Santos
20. Zeumy Almeida Soeiro (Mizinho Dussamba)

Fonte: POLÍTICA ES

Política Estadual - ES1.com.br

Celebração a São Jorge e Ogum poderá integrar calendário oficial do ES

O Samba para São Jorge e Ogum – entidades religiosas das tradições católica e de matriz africana, respectivamente – é realizado anualmente na Escadaria da Piedade, no centro de Vitória. Essa manifestação cultural e religiosa acontece na terceira semana do mês de abril e reúne centenas de pessoas.

Por sua representatividade e iniciativa popular, a deputada Iriny Lopes (PT) apresentou o Projeto de Lei (PL) 270/2026 propondo que o evento anual – Samba para São Jorge e Ogum na Escadaria da Piedade – passe a compor o calendário oficial do estado.

A origem da festa Samba para São Jorge e Ogum na Escadaria da Piedade vem dos encontros mensais realizados em um tradicional bar do centro, especialmente no mês de abril. Depois, a festa migrou do bar para a escadaria, no início dos anos 2000.

Iriny lembra que São Jorge, conhecido como o “santo guerreiro”, é associado a Ogum nas religiões de matriz africana e considera esse sincretismo “elemento fundamental da formação cultural brasileira, especialmente no ES, promovendo o respeito à diversidade religiosa e o diálogo inter-religioso, valorização do patrimônio cultural imaterial, o fortalecimento das tradições populares e a promoção da diversidade cultural e religiosa, pilares essenciais para a construção de uma sociedade plural, democrática e inclusiva”, acentuou a deputada.

leia também:  Da Vitória comemora inclusão de quatro cidades capixabas na Sudene

Desde 2025, a festa – Samba para São Jorge e Ogum na Escadaria da Piedade – já faz parte do calendário cultural oficial do município de Vitória, por meio da Lei Municipal 10.197/2025.

A matéria foi lida em Plenário no dia 28 de abril e, por tratar da inclusão de data no calendário de eventos oficial do Estado, encaminhada para análise conclusiva da Comissão de Constituição e Justiça da Ales.

Acompanhe o andamento do PL 270/2026

Fonte: POLÍTICA ES

Visualizar

MAIS LIDAS DA SEMANA

error: Conteúdo protegido!!