conecte-se conosco


Artigos - ES1.com.br

Psicanálise: o que, afinal, se fala em uma análise? – Artigo escrito pela psicanalista Bárbara Felix de São Gabriel da Palha

Publicado em

Nem sempre quem procura uma análise sabe exatamente o que dizer. Às vezes, a pessoa chega porque terminou um relacionamento e não consegue entender por que aquilo doeu tanto. Outras vezes, traz um luto que não passa, uma perda que parece não encontrar lugar. Em muitos casos, nem existe um motivo claro; é só uma angústia que aparece, um cansaço emocional, uma ansiedade que insiste. Uma sensação de que algo não está bem… mesmo quando, aparentemente, está tudo certo. E, ainda assim, existe um movimento: o de procurar ajuda.

Mas falar não é tão simples quanto parece. Existem pessoas que falam o tempo todo, mas nunca disseram, de fato, o que sentem. E existem aquelas que nunca aprenderam a colocar em palavras o que vivem por dentro. Porque, em algum momento da vida, foi preciso se calar. Engolir, seguir, dar conta. O problema é que o que não pôde ser dito não desaparece. Ele fica atravessando decisões, relações e reações que a própria pessoa não entende. Às vezes, aparece de forma silenciosa; outras, vem como um incômodo que pega de surpresa, como se fosse “do nada”. Mas não é. Já estava ali.

leia também:  “Nenhuma herança é tão rica quanto a honestidade.”

A psicanálise surge como um espaço onde, pela primeira vez, talvez seja possível falar ou até perceber que ainda não se sabe como falar.

Freud inaugurou algo muito simples, mas profundamente transformador: a palavra como caminho. Não apenas a palavra organizada, bonita e consciente, mas também aquela que falha, que se repete, que trava e que escapa. Porque nem tudo o que importa vem de forma clara. Tem coisa que aparece no silêncio, na pausa, na dificuldade de continuar uma frase. Ou naquele momento em que a pessoa simplesmente não consegue dizer nada. E, ainda assim, algo está sendo dito.

A análise é, antes de tudo, um espaço de escuta. Mas não qualquer escuta. É uma escuta que sustenta o que aparece mesmo quando algo não faz sentido, mesmo quando é contraditório, mesmo quando incomoda. Porque, muitas vezes, o que mais precisa ser ouvido é justamente aquilo que foi evitado por tanto tempo.

Vivemos em um mundo onde se fala o tempo todo, mas quase sempre para fora. Pouco se fala para si. No meio da rotina, das cobranças e das exigências, a gente aprende a seguir, a funcionar e a “dar conta”. Até que, em algum momento, algo escapa. E é aí que muitas pessoas chegam ao consultório. Não necessariamente com respostas, mas com algo que precisa ser falado. Talvez a psicanálise seja isso: um lugar onde aquilo que nunca teve espaço para ser dito começa, aos poucos, a encontrar forma. Não porque alguém ensinou o que falar, mas porque, pela primeira vez, houve espaço para escutar.

Foto: Arquivo Pessoal

Barbara Felix

leia também:  Gentileza gera gentileza... E bons relacionamentos

Psicanalista

Artigos - ES1.com.br

Como diferenciar Autismo e TDAH – Artigo escrito pela neuropsicóloga gabrielense Jéssica Pereira Pelissari Oliveira

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA) são condições do neurodesenvolvimento que frequentemente geram dúvidas entre pais, educadores e até mesmo profissionais. Isso acontece porque ambos podem apresentar dificuldades de atenção, interação social e desafios no ambiente escolar. No entanto, apesar de algumas semelhanças, existem diferenças importantes entre eles.

O TDAH é caracterizado principalmente por dificuldades relacionadas à atenção, impulsividade e hiperatividade. Pessoas com TDAH costumam apresentar desorganização, dificuldade para concluir tarefas, esquecer compromissos e ter problemas para manter o foco em atividades que consideram pouco interessantes. Em contrapartida, quando encontram algo que desperta grande interesse, podem apresentar o chamado hiperfoco, permanecendo concentradas por longos períodos naquela atividade específica.

Já no autismo, além das dificuldades na interação social e na comunicação, é comum observar comportamentos mais rígidos e interesses restritos. Muitas pessoas com TEA apresentam necessidade de previsibilidade, resistência a mudanças e sofrimento diante de situações que fogem daquilo que esperavam ou planejaram. Essas características podem ser percebidas em brincadeiras, rotinas e relações sociais.

leia também:  “Nenhuma herança é tão rica quanto a honestidade.”

Outra diferença importante está na forma como ocorre a interação social. A pessoa com TDAH geralmente deseja se relacionar e participar das atividades sociais, mas sua impulsividade, dificuldade em esperar a vez ou controlar comportamentos pode gerar conflitos e afastamento dos colegas. No autismo, por outro lado, frequentemente existem dificuldades relacionadas à compreensão das regras sociais, da reciprocidade nas interações e da chamada atenção compartilhada, habilidade fundamental para a construção das relações interpessoais.

Embora apresentem características distintas, TDAH e autismo podem coexistir no mesmo indivíduo, tornando a avaliação especializada ainda mais importante. Um diagnóstico preciso permite compreender as necessidades específicas de cada pessoa e direcionar intervenções mais eficazes.

Na Clínica Evoluta, a avaliação neuropsicológica é realizada com rigor científico, embasamento técnico e olhar individualizado para cada paciente. O processo permite identificar de forma detalhada o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental, contribuindo para diagnósticos mais precisos e intervenções adequadas às necessidades de cada indivíduo. A avaliação neuropsicológica é realizada na Clínica Evoluta, em São Gabriel da Palha.

Foto: Arquivo Pessoal

Jéssica Pereira Pelissari Oliveira – CRP 16/5835

leia também:  A chave da sua felicidade está com você

Psicóloga, neuropsicóloga e especialista em desenvolvimento infantil, Jéssica Pereira Pelissari Oliveira possui sólida formação e atuação voltada à avaliação e intervenção nos transtornos do neurodesenvolvimento. É pós-graduada em Neuropsicologia, Terapia Cognitivo-Comportamental na Infância e Adolescência Intervenção ABA aplicada ao TEA ao DI.

É especialista em Neuropsicologia reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia. Atua como idealizadora e diretora da Clínica de Desenvolvimento Infantil Evoluta, localizada em São Gabriel da Palha/ES, referência no atendimento multidisciplinar a crianças e famílias. É ainda coautora do livro Vozes da Neurodiversidade, obra que contribui para a ampliação do conhecimento e da conscientização sobre o neurodesenvolvimento e a inclusão.

Visualizar

MAIS LIDAS DA SEMANA

error: Conteúdo protegido!!