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Planejamento estratégico: Sesa realiza balanço das ações realizadas em 2019

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Na tarde dessa segunda-feira (09), a Secretaria da Saúde (Sesa) realizou um balanço do Planejamento Estratégico realizado durante os primeiros 11 meses da gestão. Ao todo foram sete encontros realizados no auditório da Sesa Enseada, em Vitória.

Participaram do encontro o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes; o gerente de Planejamento Estratégico e Desenvolvimento Institucional, Francisco José Dias da Silva; o consultor do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), Anderson Dias; além de subsecretários; gerentes e servidores da Secretaria.

De acordo com o gerente de Planejamento Estratégico e Desenvolvimento Institucional da Sesa, Francisco José Dias da Silva, o que foi traçado no início do ano e os resultados alcançados até o momento foram muito satisfatórios. “Somos servidores públicos, pessoas que prestam serviços à população para alcançar algum resultado. Esse planejamento realizado é estratégico e ao longo do tempo temos resultados positivos, mas podemos ir além”, disse.

Durante o encontro, o secretário Nésio Fernandes falou aos servidores fazendo um balanço do que já foi realizado nestes primeiros meses de gestão, frisando que não se pode deixar para o último ano de Governo as questões estratégicas estruturantes que devem ser traçadas no início da gestão.

Ele iniciou sua fala comparando o atendimento médico brasileiro com o norte-americano, destacando que ser humano que precisar de atendimento médico em solo nacional, tem esse direito garantido. “O Sistema Único de Saúde do Brasil é um sistema de direitos, não mercantilizado, em que qualquer ser humano que pise em solo nacional tenha seu direito garantido”, destacou.

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Nésio Fernandes ainda listou as ações traçadas e realizadas durante o ano de 2019, sendo o primeiro deles a criação do Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi), que cria instrumentos para qualificação nos atendimentos médicos, com o programa Qualifica APS que visa à formação dos profissionais médicos por meio de programas de residência, e muda o modelo de saúde hoje centrado nos hospitais, o que é um modelo esgotado, e aumenta a capacidade de incorporação tecnológica na rede de atendimento.

“As ações do ICEPi criaram nesse primeiro ano um conjunto de ações para dentro do Governo. Ele cria instrumentos de promoção de um ambiente num ecossistema de inovação no âmbito do Sistema Único de Saúde”, ressaltou.

Ele também falou sobre a criação da Fundação Estadual de Inovação em Saúde (iNOVA Capixaba), que se dedicará à prestação de serviços públicos de saúde com o objetivo de proporcionar agilidade, flexibilidade e dinamismo compatível com a demanda crescente da população por serviços de qualidade. A criação da Fundação foi autorizada pela Lei Complementar Nº 924, publicada sem vetos no Diário Oficial do Estado, em 18 de outubro de 2019.

Outra decisão adotada por meio de planejamento e após estudos, é a construção de um novo Hospital em São Mateus. A ação é vista como uma missão importante para o Governo. Além disso, o secretário também falou sobre a implantação do prontuário eletrônico e do novo modelo de regulação.

“Nesse primeiro ano de Governo conseguimos apontar qual o modelo de Estado que a gente defende, qual o conteúdo de Estado a gente quer dar para ele, e quais instrumentos nós vamos lançar mão para poder construir uma transformação na saúde pública do Estado”, pontuou.

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Para Nésio Fernandes “o planejamento estratégico precisa refletir a sistematização de tudo isso para a gente poder fazer com que ao longo dos próximos três anos, transformar o plano em ação e não em um documento cartorial. A gente precisa romper com a maldição do cotidiano. Se a gente não se desvencilhar do cotidiano, e observar a riqueza daquilo que se construiu no planejamento, observar a perspectiva estratégica daquilo que a gente precisa enxergar, se a gente ficar só no cotidiano, nada muda.”

Adaptações ao longo do ano

Em seguida, o consultor do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), Anderson Dias, que tem auxiliado desde o início do ano na elaboração do Planejamento Estratégico da Sesa e no fortalecimento da gestão, destacou que durante esse processo houve algumas variações no plano e foi necessário realizar algumas adaptações para que os processos pudessem ser colocados em prática.

“No início das nossas oficinas encontramos um conjunto de consultorias sendo desenvolvidas aqui. Com isso, nossas oficinas foram ocorrendo dentro daquele contexto. No entanto, durante esse processo, tivemos os enfrentamentos já citados aqui, e passamos a construir vários processos formativos, como a criação do Icepi, e agora já colhemos resultados de tudo isso”, explicou.

O planejamento estratégico continua em 2020, com a realização das oficinas de monitoramento e avaliação do plano de Ação.

Sesa

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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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