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Pai, preciso te dizer o quanto você ainda é importante

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O tempo passou, mas ainda me lembro das delícias de ser a sua criança.

Lembro-me de quando te via sentado no chão e sua perna em descanso parecia um refúgio perfeito. Deitava minha cabeça e imaginava que aquele seria meu abrigo eterno e seguro.

O chão era puro deleite, porque era o afeto quem aquecia e amaciava meu coração.

Lembro bem das muitas voltas que dei em cima dos seus ombros. Quase podia alcançar as estrelas, daquela altura! Acho que tínhamos superpoderes naquela época.

Percebi hoje que o tempo encolheu nossa afinidade. Há anos não me deito em seu colo paterno.

Entendo agora que seus ombros carregam pesos maiores que o meu de quando criança, as pesadas obrigações que antes eu não percebia.

Mas nem tudo se foi. Ficaram vivas as lembranças, justificativa da minha contínua batalha para ser feliz. Ficaram seus exemplos, de trabalho, zelo e honestidade. Esses nunca vão passar.

A sua constante vontade de dividir o pão, o banco, o café e ver a vida passar sem pressa no fim de tarde ou da semana, aproveitando um pouco do sossego pra rir de coisas pouco importantes, é uma lição que aprendi com prazer.

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As experiências vividas ficaram inscritas no seu rosto, a bondade impressa no peito. Os seus nãos escreveram minha personalidade.

Pai, minha vida de adulto talvez tenha me feito ficar longe do seu colo, mas não restam dúvidas de que seus ensinamentos me aproximaram da pessoa que eu sou hoje. Sou um espelho seu.

Noto agora, e com certa graça, que seu esforço para me repreender de vez em quando é uma sutil tentativa de manter nosso elo. Eu aceito. Cresci, mas ainda preciso dos conselhos de um pai. Preciso contar com sua opinião, com seus ouvidos para me escutar, e com sua presença para me completar.

O passar dos anos me fez forte e experiente, e serviram para me provar que a maior parte do ser humano que eu sou hoje devo a você, Pai.

Agradeço por isso. E por todas as delícias que vivi desde que me tornei a sua criança.

Alessandra Piassarollo
Administradora e Escritora

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Como diferenciar Autismo e TDAH – Artigo escrito pela neuropsicóloga gabrielense Jéssica Pereira Pelissari Oliveira

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA) são condições do neurodesenvolvimento que frequentemente geram dúvidas entre pais, educadores e até mesmo profissionais. Isso acontece porque ambos podem apresentar dificuldades de atenção, interação social e desafios no ambiente escolar. No entanto, apesar de algumas semelhanças, existem diferenças importantes entre eles.

O TDAH é caracterizado principalmente por dificuldades relacionadas à atenção, impulsividade e hiperatividade. Pessoas com TDAH costumam apresentar desorganização, dificuldade para concluir tarefas, esquecer compromissos e ter problemas para manter o foco em atividades que consideram pouco interessantes. Em contrapartida, quando encontram algo que desperta grande interesse, podem apresentar o chamado hiperfoco, permanecendo concentradas por longos períodos naquela atividade específica.

Já no autismo, além das dificuldades na interação social e na comunicação, é comum observar comportamentos mais rígidos e interesses restritos. Muitas pessoas com TEA apresentam necessidade de previsibilidade, resistência a mudanças e sofrimento diante de situações que fogem daquilo que esperavam ou planejaram. Essas características podem ser percebidas em brincadeiras, rotinas e relações sociais.

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Outra diferença importante está na forma como ocorre a interação social. A pessoa com TDAH geralmente deseja se relacionar e participar das atividades sociais, mas sua impulsividade, dificuldade em esperar a vez ou controlar comportamentos pode gerar conflitos e afastamento dos colegas. No autismo, por outro lado, frequentemente existem dificuldades relacionadas à compreensão das regras sociais, da reciprocidade nas interações e da chamada atenção compartilhada, habilidade fundamental para a construção das relações interpessoais.

Embora apresentem características distintas, TDAH e autismo podem coexistir no mesmo indivíduo, tornando a avaliação especializada ainda mais importante. Um diagnóstico preciso permite compreender as necessidades específicas de cada pessoa e direcionar intervenções mais eficazes.

Na Clínica Evoluta, a avaliação neuropsicológica é realizada com rigor científico, embasamento técnico e olhar individualizado para cada paciente. O processo permite identificar de forma detalhada o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental, contribuindo para diagnósticos mais precisos e intervenções adequadas às necessidades de cada indivíduo. A avaliação neuropsicológica é realizada na Clínica Evoluta, em São Gabriel da Palha.

Foto: Arquivo Pessoal

Jéssica Pereira Pelissari Oliveira – CRP 16/5835

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Psicóloga, neuropsicóloga e especialista em desenvolvimento infantil, Jéssica Pereira Pelissari Oliveira possui sólida formação e atuação voltada à avaliação e intervenção nos transtornos do neurodesenvolvimento. É pós-graduada em Neuropsicologia, Terapia Cognitivo-Comportamental na Infância e Adolescência Intervenção ABA aplicada ao TEA ao DI.

É especialista em Neuropsicologia reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia. Atua como idealizadora e diretora da Clínica de Desenvolvimento Infantil Evoluta, localizada em São Gabriel da Palha/ES, referência no atendimento multidisciplinar a crianças e famílias. É ainda coautora do livro Vozes da Neurodiversidade, obra que contribui para a ampliação do conhecimento e da conscientização sobre o neurodesenvolvimento e a inclusão.

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