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O que você precisa saber para sua viagem de negócios a Lisboa
Viajar a trabalho em Lisboa requer planejamento e organização. Descubra dicas para equilibrar compromissos e aproveitar o melhor da cidade
Viajar a trabalho tem um ritmo próprio. É uma mistura de pressa e oportunidade. Em Lisboa, isso ganha um tempero especial: cidade compacta, clima ameno e um jeito de receber que ajuda a transformar compromissos em oportunidades de rede.
Se você sai do Espírito Santo, por exemplo, a viagem pede cuidado com conexão e fuso. Vale planejar bem a chegada para não perder energia no primeiro dia de reuniões. Aproveite também para ajustar o corpo ao novo ritmo, dedicando as primeiras horas em Lisboa para descansar, organizar o material de trabalho e se adaptar ao ambiente antes de começar a rotina intensa.
Planejamento e acomodação para viagens corporativas
Escolher bem onde ficar significa ganhar tempo. Hospedagem próxima ao centro de negócios, lugares com bons restaurantes por perto ou com proximidade das estações de metrô reduz o desgaste com deslocamento e aumenta sua janela de descanso.
Uma alternativa muito útil para estadias profissionais são os serviços de aluguel de apartamentos mensais em Lisboa. Optar por um apartamento pronto evita o estresse de instalar-se e permite transformar a estadia em algo parecido com “casa”.
Nessa modalidade de estadia, você terá cozinha para um café a qualquer hora, espaço para reuniões rápidas e, muitas vezes, internet com velocidade e estabilidade confiável. Isso faz diferença quando precisa fazer uma chamada tarde da noite com a equipe no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo.
Antes de reservar, verifique a distância até seus pontos de interesse. E convém checar comentários de quem já ficou lá. Informação direta de hóspedes ajuda a entender ruído noturno, facilidade para táxis, qualidade do Wi-Fi e até outros pontos mais específicos como qualidade dos cômodos e aparelhos.
Documentação, vistos e cuidados sanitários
Organizar documentos com antecedência evita surpresas. Verifique o tipo de visto necessário dependendo da sua duração e do motivo da viagem. Em muitos casos de curta temporada para negócios, o processo é simples, mas cada situação tem sua regra.
Leve cópias físicas e digitais do passaporte, do visto (quando aplicável), do seguro de viagem e de contatos úteis como do RH da sua empresa. Tenha à mão também comprovantes de vacinação que possam ser exigidos, regras sanitárias mudam, então confirme antes de embarcar.
Assuntos bancários merecem atenção. Avisar seu banco sobre viagens evita bloqueios em cartões. Se for pagar despesas locais com cartão corporativo, confirme os limites e taxas. Embarcar com um cartão com chip internacional e um cartão de backup poupa tempo.
Como montar a agenda sem se esgotar
Equilibrar reuniões e fôlego é o grande desafio. Em vez de empilhar encontros seguidos, prefira blocos de trabalho mais curtos e pausas estratégicas. Uma reunião longa à tarde pode ser seguida de uma caminhada curta perto do rio para arejar a cabeça antes do jantar de negócios.
Combine horários com antecedência e sempre confirme local e tempo estimado de duração. Pequenas folgas entre compromissos salvam o dia quando o trânsito ou um atraso acontecem. Use a manhã para tarefas que exigem concentração e reserve horários no fim do dia para networking em cafés ou jantares.
Se a missão envolve apresentações, cheque com antecedência equipamentos do local ou leve adaptadores e cabos extras. Ter um pendrive com os slides, uma cópia na nuvem e um cabo HDMI pode evitar imprevistos. Simples coisas técnicas, quando não funcionam direito, costumam ser as que mais atrapalham.
Deslocamento e locomoção local
Lisboa é relativamente compacta, mas o transporte precisa de atenção. O metrô facilita deslocamentos entre zonas centrais e é prático para evitar trânsito em horários de pico. Táxis e serviços por aplicativo funcionam bem; em muitas ocasiões são a maneira mais rápida de chegar no horário certo para um compromisso.
Para deslocamentos curtos, caminhar é eficiente e dá a chance de perceber o bairro, descobrir cafés e entender a logística local. Calçados confortáveis ajudam: Lisboa tem ladeiras e ruas de paralelepípedos que surpreendem quem costuma andar em terrenos planos.
Se tiver reuniões em diferentes pontos da cidade, planeje rotas e considere a possibilidade de marcar um espaço de coworking por um dia. Coworkings oferecem salas de reunião prontas, boa conexão e um ambiente profissional quando você precisa de foco e estrutura fora do hotel ou apartamento.
Cultura de negócios, etiqueta e tempo para aproveitar
Nos encontros profissionais, pontualidade é bem vista. Cumprimente com um aperto de mão firme e seja direto ao expor motivos da visita. Ao mesmo tempo, há um espaço para cordialidade; pequenas conversas sobre cidade, gastronomia e cultura ajudam a criar empatia antes de falar de números.
Se o seu público for do setor público ou de empresas tradicionais, prepare apresentações mais formais. Para startups e áreas criativas, um tom menos rígido costuma funcionar melhor. Pesquisar previamente quem são os interlocutores facilita muito a conversa.
Entre compromissos, aproveite para ambientar-se. Uma noite livre pode render um jantar em um restaurante típico ou uma visita rápida a um miradouro para ver a cidade ao pôr do sol. Essas pausas recarregam energia e costumam render assuntos leves que quebram o gelo em reuniões seguintes.
Dicas finais e checklist rápido
Tenha backups: carregadores, adaptadores e um powerbank sempre à mão. Separe um kit de viagem com itens essenciais para uma apresentação: caneta de qualidade, bloco de notas e cabos sobressalentes.
Cheque o fuso e programe alarmes para reuniões com o Brasil. Combine janelas de disponibilidade com sua equipe antes de embarcar, para não ser pego por um horário confuso.
Reserve um tempo para caminhar pelo bairro onde está alojado. Conhecer padarias locais, mercados e farmácias ajuda em emergências e também torna os dias mais leves. Se viajar a trabalho frequentemente, construa uma pequena “rotina local”: o café da manhã no mesmo lugar, um parque para caminhar, um restaurante confiável.
Por fim, organize a volta. Guarde comprovantes de despesas, trate do transporte até o aeroporto com antecedência e aproveite as últimas horas para revisar o que foi combinado na viagem. Pequenos rituais de fechamento evitam retrabalho depois do retorno ao Espírito Santo.
Autor
Clara Martins
Clara Martins é uma repórter e escritora com uma década de experiência em jornalismo. Com foco em temas políticos e culturais, sua escrita conecta-se emocionalmente com os leitores, buscando sempre fomentar um pensamento crítico.
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Carne de laboratório: conheça a técnica desenvolvida pela Embrapa
Experimentos prometem reduzir impactos ambientais da produção animal
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está produzindo carne em laboratório. O experimento não sacrifica animais e não tem impacto ambiental, como ocorre na pecuária que, por causa do desmatamento e da emissão de gás metano, agrava o efeito estufa.

A inovação é liderada pela Embrapa Suínos e Aves, com sede em Concórdia (SC), que já produziu protótipos de filés de peito de frango, e pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), sediada em Brasília.
O laboratório desenvolveu amostras de alimentos impressos com base vegetal, como filé de salmão, caviar e anéis de lula.
A técnica envolve a multiplicação de uma amostra de células retiradas de animais vivos, equivalente a uma pequena biópsia. A amostra extraída é cultivada in vitro, em meio líquido rico em oxigênio e nutrientes — como glicose, aminoácidos e sais minerais — que permitem que as células se multipliquem.
A produção de carne cultivada utiliza técnicas da engenharia de tecidos para reparar tecidos biológicos danificados e técnicas da biotecnologia celular, que utiliza células vivas ou partes delas para tratar problemas biológicos. Os recursos são comuns à medicina regenerativa.
“Nós conseguimos isolar as diferentes células que compõem o tecido muscular vivo. A amostra tem um punhado de células musculares, algumas células de gordura e células do tecido conjuntivo. A partir disso, escolhemos qual é a célula que a gente quer e focamos na multiplicação em grande quantidade daquele tipo celular”, explica a veterinária Naiara Milagres Augusto da Silva, analista do Cenargen.
Ancoragem física
O crescimento do tecido muscular da carne cultivada necessita de uma superfície para ancoragem física, que imita a matriz extracelular dos sistemas biológicos naturais. Essas estruturas biomiméticas podem ser suportes (scaffolds) fibrosos e microcarreadores esféricos que transportam elétrons para as células que são aderentes.
“Enquanto os scaffolds fibrosos auxiliam na orientação celular, na diferenciação muscular e na organização tridimensional do tecido cultivado, os microcarreadores esféricos favorecem a expansão celular em suspensão, aumentando a área disponível para crescimento e contribuindo para a produção em larga escala de tecido muscular”, descreve uma nota técnica da Embrapa a qual à Agência Brasil teve acesso.
Conforme a nota, suportes e microcarreadores são fundamentais para o desenvolvimento de propriedades na carne de laboratório. “Além das funções biológicas, essas estruturas influenciam diretamente [nas] propriedades tecnológicas e sensoriais da carne cultivada, incluindo textura, firmeza, retenção de água e percepção mastigatória”.
Proteínas vegetais
O foco do trabalho do Laboratório de Nanobiotecnologia do Cenargen é desenvolver biomateriais (insumos) a partir de proteínas vegetais, que podem servir de estruturas onde as células da carne cultivada vão aderir e se multiplicar.
Esse é o caso das malhas formadas por fibras de escala nanométricas. A olho nu parecem um pedaço de papel, mas no microscópio é possível observar uma superfície porosa que funciona como a matriz extracelular encontrada no organismo vivo, onde as células colam e se unem.
“O que temos tentado fazer é uma carne produzida a partir de células animais, mas que contam com diferentes insumos de origem natural — comestível e vegetal – para que possamos depender menos do uso de animais para esse processo”, detalha Naiara da Silva.
Película comestível
Outro produto do laboratório é uma película comestível que serve como a tripa para o invólucro de embutidos, como linguiça, produzidos com a técnica de carne cultivada.
O protótipo deve ser finalizado em 2027. “Até meados do ano que vem, vai estar na vitrine como um ativo tecnológico Embrapa”, prevê o biólogo Luciano Paulino da Silva, pesquisador que coordena os experimentos com carne cultivada entre outras iniciativas no LNANO.
Segundo o especialista, após a finalização, os experimentos em torno da carne cultivada podem ganhar diferentes parceiros que se especializem na aplicação de produtos específicos com finalidade de produção industrial e comercialização.
Regulação
Grandes agroindústrias e startups brasileiras têm unidades para pesquisa com carne cultivada. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2023 a Resolução RDC nº 839, marco regulatório para a carne cultivada em laboratório.
Outros países como Singapura, Austrália, Estados Unidos, Israel e Austrália também desenvolvem carne cultivada e têm aprovação regulatória e comercial.
A experiência no LNANO foi documentada em artigo científico na revista Foods da editora suíça MDPI (sigla em inglês para Multidisciplinary Digital Publishing Institute), especializada em periódicos de acesso aberto sobre ciência e tecnologia.
Fonte: Agência Brasil
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