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O jornalismo profissional escreve a nossa história – artigo por José Carlos Corrêa

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Foto: pixabay

Há pouco mais de um século, nascia o jornalismo profissional e, com ele, a técnica jornalística que tem como princípios a publicação da informação confirmada por checagem prévia que confronta as várias versões dos acontecimentos, a prestação de serviços à comunidade e a mediação, com ética, entre os fatos e a população. Por essas razões a imprensa é considerada uma conquista da civilização indispensável à democracia, que garante ao cidadão o acesso ao direito à informação.

Praticado cada vez mais no conceito de multiplataforma – no qual o consumidor obtém a informação na forma por ele preferida, seja no papel impresso, na internet, no rádio ou na TV – o jornalismo se tornou essencial à vida das pessoas, principalmente nessa época de proliferação exacerbada das fake news, as notícias falsas que se espalham como vírus nas redes sociais digitais, deformando as informações.

Na passagem do século XIX para o século XX, as notícias e reportagens publicadas pelo jornalismo profissional cumpriram o importante papel de separar os boatos e versões tendenciosas da informação correta. Atualmente, essa relevante missão do jornalismo se renova, como contraponto às fake news que, com clara motivação política espalham a desinformação e prejudicam a sociedade.

A trajetória do jornalismo profissional é marcada por um processo permanente de atualização decorrente dos avanços tecnológicos e mudanças nos hábitos das pessoas. Foi assim com as rotativas que potencializaram a capacidade de impressão dos jornais e revistas multiplicando a quantidade de leitores. Foi assim com a invenção do rádio e da TV, meios que transformaram o mundo em uma aldeia global, como escreveu Marshall McLuhan. Está sendo assim com a popularização da internet que abriu novas possibilidades de disseminação das informações.

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É um equívoco pensar, contudo, que a internet é um concorrente capaz de liquidar a mídia impressa, o rádio ou a TV. A história ensina que as inovações tecnológicas, na maioria das vezes, mais do que criar concorrências, abrem novas possibilidades de mudanças e adequações para os agentes que atuam no mercado. Os jornais e as revistas, assim como as emissoras de rádio e TV passaram a ganhar novas audiências graças à internet.

É natural que em um ambiente de tão significativas e rápidas mudanças, os agentes que atuam no meio experimentem perdas e ganhos com relação à participação no mercado. É o caso, por exemplo, dos jornais e revistas impressos que tiveram reduções nas suas tiragens enquanto crescia o número de assinaturas digitais. Mais do que uma transição do impresso para o digital o fato representa uma adequação do jornalismo profissional que passa a ser acessado no conceito multiplataforma.

Basta verificar que o conteúdo editorial dos jornais e revistas impressos – aprofundado, contextualizado, interpretativo, que leva o leitor à reflexão – é inteiramente diferente do conteúdo veiculado pelos jornais e revistas digitais, que utilizam textos e parágrafos mais curtos que conduzem a leituras mais rápidas como são próprias do meio. Ou seja, o impresso e o digital mais se complementam do que concorrem entre si. Não é por outra razão que os

grandes jornais do país mantêm, simultaneamente a edição impressa em papel e a digital.

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O jornalismo profissional, nessa primeira quadra do século XXI, se mostra capaz de desenvolver linguagens distintas para cada uma das plataformas que utiliza para alcançar os seus fiéis leitores e consumidores de informação, sem prejuízo do legado cultural que deixa para as comunidades onde atua. Não é sem razão que a ANJ, Associação Nacional de Jornais, veiculou a campanha “Nunca se leu tanto jornal”, ressaltando o conceito das múltiplas plataformas. É também a ANJ que, baseada nas métricas auditadas pelo IVC, informa que o acesso aos jornais cresceu 40% durante a pandemia da Covid-19, com os leitores ávidos por informações confiáveis.

A importância do jornalismo profissional pode ser avaliada pela voracidade com que os bolsões políticos radicais que se espalham pelas redes sociais da internet – e que são os maiores disseminadores das fake news – se voltam contra ele. Esses grupos sabem, mais do que ninguém, que o jornalismo profissional é o antídoto capaz de neutralizar a desinformação e as mentiras. Sabem que a imprensa profissional é a fonte procurada pelos consumidores quando buscam informação de qualidade e com credibilidade e pelos pesquisadores que desejam reconstituir a história recente da sociedade.

No dia 7 de abril se comemora o Dia do Jornalista. Essa data motivou a elaboração desse artigo que procura resgatar o valor do jornalismo profissional – e de todos os meios e plataformas por ele utilizados – e o papel que ele desempenha de historiador da trajetória da sociedade contemporânea.

(*) Jornalista e professor

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Carne de laboratório: conheça a técnica desenvolvida pela Embrapa

Experimentos prometem reduzir impactos ambientais da produção animal

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está produzindo carne em laboratório. O experimento não sacrifica animais e não tem impacto ambiental, como ocorre na pecuária que, por causa do desmatamento e da emissão de gás metano, agrava o efeito estufa.

A inovação é liderada pela Embrapa Suínos e Aves, com sede em Concórdia (SC), que já produziu protótipos de filés de peito de frango, e pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), sediada em Brasília.

O laboratório desenvolveu amostras de alimentos impressos com base vegetal, como filé de salmão, caviar e anéis de lula.

A técnica envolve a multiplicação de uma amostra de células retiradas de animais vivos, equivalente a uma pequena biópsia. A amostra extraída é cultivada in vitro, em meio líquido rico em oxigênio e nutrientes — como glicose, aminoácidos e sais minerais — que permitem que as células se multipliquem.

A produção de carne cultivada utiliza técnicas da engenharia de tecidos para reparar tecidos biológicos danificados e técnicas da biotecnologia celular, que utiliza células vivas ou partes delas para tratar problemas biológicos. Os recursos são comuns à medicina regenerativa.

“Nós conseguimos isolar as diferentes células que compõem o tecido muscular vivo. A amostra tem um punhado de células musculares, algumas células de gordura e células do tecido conjuntivo. A partir disso, escolhemos qual é a célula que a gente quer e focamos na multiplicação em grande quantidade daquele tipo celular”, explica a veterinária Naiara Milagres Augusto da Silva, analista do Cenargen.

Ancoragem física

O crescimento do tecido muscular da carne cultivada necessita de uma superfície para ancoragem física, que imita a matriz extracelular dos sistemas biológicos naturais. Essas estruturas biomiméticas podem ser suportes (scaffolds) fibrosos e microcarreadores esféricos que transportam elétrons para as células que são aderentes.

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“Enquanto os scaffolds fibrosos auxiliam na orientação celular, na diferenciação muscular e na organização tridimensional do tecido cultivado, os microcarreadores esféricos favorecem a expansão celular em suspensão, aumentando a área disponível para crescimento e contribuindo para a produção em larga escala de tecido muscular”, descreve uma nota técnica da Embrapa a qual à Agência Brasil teve acesso.

Conforme a nota, suportes e microcarreadores são fundamentais para o desenvolvimento de propriedades na carne de laboratório. “Além das funções biológicas, essas estruturas influenciam diretamente [nas] propriedades tecnológicas e sensoriais da carne cultivada, incluindo textura, firmeza, retenção de água e percepção mastigatória”.

Proteínas vegetais

O foco do trabalho do Laboratório de Nanobiotecnologia do Cenargen é desenvolver biomateriais (insumos) a partir de proteínas vegetais, que podem servir de estruturas onde as células da carne cultivada vão aderir e se multiplicar.

Esse é o caso das malhas formadas por fibras de escala nanométricas. A olho nu parecem um pedaço de papel, mas no microscópio é possível observar uma superfície porosa que funciona como a matriz extracelular encontrada no organismo vivo, onde as células colam e se unem.

“O que temos tentado fazer é uma carne produzida a partir de células animais, mas que contam com diferentes insumos de origem natural — comestível e vegetal – para que possamos depender menos do uso de animais para esse processo”, detalha Naiara da Silva.

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Película comestível

Outro produto do laboratório é uma película comestível que serve como a tripa para o invólucro de embutidos, como linguiça, produzidos com a técnica de carne cultivada.

O protótipo deve ser finalizado em 2027. “Até meados do ano que vem, vai estar na vitrine como um ativo tecnológico Embrapa”, prevê o biólogo Luciano Paulino da Silva, pesquisador que coordena os experimentos com carne cultivada entre outras iniciativas no LNANO.

Segundo o especialista, após a finalização, os experimentos em torno da carne cultivada podem ganhar diferentes parceiros que se especializem na aplicação de produtos específicos com finalidade de produção industrial e comercialização.

Regulação

Grandes agroindústrias e startups brasileiras têm unidades para pesquisa com carne cultivada. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2023 a Resolução RDC nº 839, marco regulatório para a carne cultivada em laboratório.

Outros países como Singapura, Austrália, Estados Unidos, Israel e Austrália também desenvolvem carne cultivada e têm aprovação regulatória e comercial.

A experiência no LNANO foi documentada em artigo científico na revista Foods da editora suíça MDPI (sigla em inglês para Multidisciplinary Digital Publishing Institute), especializada em periódicos de acesso aberto sobre ciência e tecnologia.

Fonte: Agência Brasil

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