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Na UTI, quem tem mais músculos resiste mais – Artigo escrito pelo educador físico gabrielense Gabriel Costa de Andrade
Existe uma verdade dura que poucos gostam de encarar: o corpo que você constrói hoje pode ser o mesmo que vai te manter vivo amanhã. Pode parecer exagero, mas não é. A massa muscular não é apenas estética. Ela é, na prática, uma reserva metabólica de sobrevivência.
Quando um indivíduo é internado em uma UTI, o corpo entra em estado de extremo estresse. Há aumento do catabolismo, inflamação sistêmica, perda acelerada de proteínas e, muitas vezes, longos períodos de imobilização. Nesse cenário, o organismo começa a consumir aquilo que tem disponível e o principal estoque funcional é o músculo. Quem tem pouca massa muscular entra nessa batalha em desvantagem.
Músculo: o escudo invisível da sua saúde
O tecido muscular exerce funções vitais que vão muito além da força:
-Regula o metabolismo
-Auxilia no controle glicêmico
-Atua no sistema imunológico
-Armazena aminoácidos essenciais
-Contribui para a recuperação tecidual
Em situações críticas, como infecções graves, cirurgias ou traumas, o corpo precisa desses recursos para sobreviver. Sem músculo suficiente, o organismo simplesmente não tem de onde tirar.
A realidade dentro de uma UTI
Pacientes com maior massa muscular tendem a apresentar:
-Melhor resposta imunológica
-Menor tempo de ventilação mecânica
-Recuperação mais rápida
-Menor risco de complicações
-Maior taxa de sobrevivência
Enquanto isso, indivíduos com baixa massa muscular especialmente idosos ou sedentários, sofrem mais com a chamada sarcopenia aguda, que é a perda acelerada de músculo durante a internação. E aqui está o ponto crítico: muitas vezes, essa perda é irreversível.
Treinar não é estética. É preparação para a vida. A academia não é só sobre espelho. É sobre longevidade. Cada treino é um investimento silencioso na sua capacidade de resistir a doenças, acidentes e imprevistos. Você não treina apenas para ficar bem hoje. Você treina para ter chances amanhã.
O erro da maioria
As pessoas ainda enxergam musculação como algo superficial. Algo opcional. Mas a ciência já deixou claro: força e massa muscular são fatores diretos de proteção à vida. Negligenciar isso é como abrir mão de um seguro achando que nunca vai precisar. Até precisar.
Conclusão
A UTI não escolhe os mais motivados. Ela testa os mais preparados.
E preparo não é sorte. É construção diária. Treinar é, acima de tudo, um ato de responsabilidade com o seu próprio futuro. Porque no final, quando o corpo for colocado à prova, quem tem mais músculo… resiste mais.
Gabriel Costa de Andrade
Licenciado e Bacharel em Educação Física – CREF: 012721
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Atraso de fala: o que é esperado em cada idade – Artigo escrito pela neuropsicóloga gabrielense Jéssica Pereira Pelissari Oliveira
O desenvolvimento da linguagem é um dos marcos mais esperados pelas famílias nos primeiros anos de vida da criança. As primeiras palavras costumam representar não apenas uma conquista comunicativa, mas também um sinal de que o desenvolvimento está ocorrendo dentro do esperado. No entanto, quando a fala demora a surgir ou parece diferente do padrão esperado para a idade, é importante observar com atenção.
De modo geral, espera-se que o bebê emita balbucios por volta dos 6 meses, produza sons variados e demonstre intenção comunicativa ao longo do primeiro ano de vida. As primeiras palavras com significado costumam surgir entre 12 e 15 meses, como “mamá”, “papá” ou o nome de pessoas próximas. Aos 18 meses, a criança já deve falar algumas palavras isoladas de forma funcional. Por volta dos 2 anos, espera-se que utilize cerca de 20 a 50 palavras e comece a formar pequenas combinações de duas palavras, como “quer água” ou “mamãe vem”. Aos 3 anos, a fala já deve estar mais estruturada, com frases simples e compreensíveis para pessoas fora do convívio familiar.
O atraso de fala ocorre quando a criança não atinge esses marcos dentro da faixa etária esperada. Ele pode estar relacionado a diferentes fatores, como dificuldades auditivas, alterações no desenvolvimento da linguagem, questões ambientais, atraso global do desenvolvimento ou transtornos do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista. É importante destacar que cada criança possui seu ritmo, mas atrasos significativos ou ausência de evolução progressiva merecem avaliação especializada.
A identificação precoce é fundamental, pois quanto antes houver intervenção adequada, maiores são as chances de avanço no desenvolvimento comunicativo. Diante de dúvidas, o acompanhamento com profissionais especializados, como fonoaudiólogo e neuropsicólogos para uma avaliação do desenvolvimento infantil, pois esta avaliação contribui para compreender as necessidades reais de cada criança e direcionar é o melhor tratamento.
Observar, acolher e buscar orientação não é exagero, é cuidado. O desenvolvimento da linguagem é uma construção progressiva, e cada etapa merece atenção.
Jéssica Pereira Pelissari Oliveira – CRP 16/5835
Psicóloga, neuropsicóloga e especialista em desenvolvimento infantil, Jéssica Pereira Pelissari Oliveira possui sólida formação e atuação voltada à avaliação e intervenção nos transtornos do neurodesenvolvimento. É pós-graduada em Neuropsicologia, Terapia Cognitivo-Comportamental na Infância e Adolescência Intervenção ABA aplicada ao TEA ao DI.
É especialista em Neuropsicologia reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia. Atua como idealizadora e diretora da Clínica de Desenvolvimento Infantil Evoluta, localizada em São Gabriel da Palha/ES, referência no atendimento multidisciplinar a crianças e famílias. É ainda coautora do livro Vozes da Neurodiversidade, obra que contribui para a ampliação do conhecimento e da conscientização sobre o neurodesenvolvimento e a inclusão.
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