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Mesários podem ganhar até 6 dias de folga por trabalhar nas eleições

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O Espírito Santo tem mais de 2,7 milhões de eleitores e quase nove mil seções eleitorais em todo o estado. De acordo com números do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), as salas de votação deste ano, no pleito do dia 7 de outubro, serão fiscalizadas e organizadas por 35.900 mesários.

Leonardo Penedo Prezotti, presidente da comissão de mesários do TRE-ES, afirma que o processo de escolha dos mesários começou em julho. A seleção é realizada entre milhares de voluntários e também com convocações feitas por cartórios eleitorais. Os selecionados não recebem pagamentos em dinheiro, mas têm direito ao auxílio alimentação e também a tirar folgas no trabalho. 

“Todo mesário tem direito a R$ 30 de auxílio-alimentação, por dia de votação. Ele tem direito a dois dias de folga por convocação. Se ele recebeu o treinamento, se ele trabalhar no primeiro e no segundo turno, ele pode ter até seis dias de folga”, explicou o representante do TRE. 

Caso seja convocado e não compareça no dia da eleição, um mesário pode pagar uma multa de até R$ 35. As convocações chegam em cartas enviadas pelos Correios. O representante do TRE-ES destaca que as pessoas que já trabalharam como mesário e não receberam nenhuma notificação devem ficar atentas. 

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“A gente fica dependendo do serviço dos Correios. As cartas são expeditas com antecedência. Pode, sim, haver atraso na entrega. Por isso, gente pede para o eleitor entrar em contato com o seu cartório eleitoral, para saber se vai ser convocado ou não, e ter treinamento devido”, concluiu Penedo. 

A pedagoga Tatiane Goulart é mesária no bairro São Pedro, em Vitória, e vai trabalhar nas eleições pela terceira vez. Ela firma que gosta da função, mas destaca que já passou por dificuldades, por causa do mau comportamento de alguns eleitores. 

“Já vi eleitores que não respeitavam as normas dessa questão do aparelho celular. Alguns querem entrar falando no celular ou entrar na cabine para votar com o celular na mão. Nós orientamos para que a pessoa desligue. Já teve pessoas que ficam muito tempo dentro da cabine para voltar”, relatou a mesária. 

Além dos mesários, cerca de 10 mil outros eleitores do Espírito Santo foram convocados para trabalhar nas urnas em 2018. Eles são responsáveis por organizar os prédios utilizados para a votação, como as escolas, e também transportam as urnas eletrônicas utilizadas no dia da eleição. 

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Gazeta Online

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Carne de laboratório: conheça a técnica desenvolvida pela Embrapa

Experimentos prometem reduzir impactos ambientais da produção animal

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está produzindo carne em laboratório. O experimento não sacrifica animais e não tem impacto ambiental, como ocorre na pecuária que, por causa do desmatamento e da emissão de gás metano, agrava o efeito estufa.

A inovação é liderada pela Embrapa Suínos e Aves, com sede em Concórdia (SC), que já produziu protótipos de filés de peito de frango, e pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), sediada em Brasília.

O laboratório desenvolveu amostras de alimentos impressos com base vegetal, como filé de salmão, caviar e anéis de lula.

A técnica envolve a multiplicação de uma amostra de células retiradas de animais vivos, equivalente a uma pequena biópsia. A amostra extraída é cultivada in vitro, em meio líquido rico em oxigênio e nutrientes — como glicose, aminoácidos e sais minerais — que permitem que as células se multipliquem.

A produção de carne cultivada utiliza técnicas da engenharia de tecidos para reparar tecidos biológicos danificados e técnicas da biotecnologia celular, que utiliza células vivas ou partes delas para tratar problemas biológicos. Os recursos são comuns à medicina regenerativa.

“Nós conseguimos isolar as diferentes células que compõem o tecido muscular vivo. A amostra tem um punhado de células musculares, algumas células de gordura e células do tecido conjuntivo. A partir disso, escolhemos qual é a célula que a gente quer e focamos na multiplicação em grande quantidade daquele tipo celular”, explica a veterinária Naiara Milagres Augusto da Silva, analista do Cenargen.

Ancoragem física

O crescimento do tecido muscular da carne cultivada necessita de uma superfície para ancoragem física, que imita a matriz extracelular dos sistemas biológicos naturais. Essas estruturas biomiméticas podem ser suportes (scaffolds) fibrosos e microcarreadores esféricos que transportam elétrons para as células que são aderentes.

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“Enquanto os scaffolds fibrosos auxiliam na orientação celular, na diferenciação muscular e na organização tridimensional do tecido cultivado, os microcarreadores esféricos favorecem a expansão celular em suspensão, aumentando a área disponível para crescimento e contribuindo para a produção em larga escala de tecido muscular”, descreve uma nota técnica da Embrapa a qual à Agência Brasil teve acesso.

Conforme a nota, suportes e microcarreadores são fundamentais para o desenvolvimento de propriedades na carne de laboratório. “Além das funções biológicas, essas estruturas influenciam diretamente [nas] propriedades tecnológicas e sensoriais da carne cultivada, incluindo textura, firmeza, retenção de água e percepção mastigatória”.

Proteínas vegetais

O foco do trabalho do Laboratório de Nanobiotecnologia do Cenargen é desenvolver biomateriais (insumos) a partir de proteínas vegetais, que podem servir de estruturas onde as células da carne cultivada vão aderir e se multiplicar.

Esse é o caso das malhas formadas por fibras de escala nanométricas. A olho nu parecem um pedaço de papel, mas no microscópio é possível observar uma superfície porosa que funciona como a matriz extracelular encontrada no organismo vivo, onde as células colam e se unem.

“O que temos tentado fazer é uma carne produzida a partir de células animais, mas que contam com diferentes insumos de origem natural — comestível e vegetal – para que possamos depender menos do uso de animais para esse processo”, detalha Naiara da Silva.

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Película comestível

Outro produto do laboratório é uma película comestível que serve como a tripa para o invólucro de embutidos, como linguiça, produzidos com a técnica de carne cultivada.

O protótipo deve ser finalizado em 2027. “Até meados do ano que vem, vai estar na vitrine como um ativo tecnológico Embrapa”, prevê o biólogo Luciano Paulino da Silva, pesquisador que coordena os experimentos com carne cultivada entre outras iniciativas no LNANO.

Segundo o especialista, após a finalização, os experimentos em torno da carne cultivada podem ganhar diferentes parceiros que se especializem na aplicação de produtos específicos com finalidade de produção industrial e comercialização.

Regulação

Grandes agroindústrias e startups brasileiras têm unidades para pesquisa com carne cultivada. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2023 a Resolução RDC nº 839, marco regulatório para a carne cultivada em laboratório.

Outros países como Singapura, Austrália, Estados Unidos, Israel e Austrália também desenvolvem carne cultivada e têm aprovação regulatória e comercial.

A experiência no LNANO foi documentada em artigo científico na revista Foods da editora suíça MDPI (sigla em inglês para Multidisciplinary Digital Publishing Institute), especializada em periódicos de acesso aberto sobre ciência e tecnologia.

Fonte: Agência Brasil

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