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Mercado segue com baixa liquidez e depende das exportações para reagir
A redução de 3,53 milhões de toneladas na produção mundial de arroz prevista para a safra 2025/26 pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), combinada com a queda dos estoques globais e a manutenção do consumo em níveis recordes, começa a mudar o cenário para o cereal no mercado internacional. No Brasil, porém, os preços seguem pressionados pelo excesso de oferta. Com a colheita praticamente concluída e uma produção estimada em cerca de 12 milhões de toneladas, o setor depende do aumento das exportações para reduzir os estoques acumulados.
Principal produtor de arroz fora da Ásia e nono maior produtor mundial, o Brasil cultivou aproximadamente 1,7 milhão de hectares na safra 2024/25. O Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 70% da produção nacional, já concluiu a colheita. Apesar do avanço da produção, o mercado doméstico segue com baixa liquidez e negócios pontuais.
O elevado volume disponível após a colheita aumentou a dependência do mercado externo para absorver os excedentes. Embora os embarques continuem ocorrendo, o ritmo das exportações ainda é considerado insuficiente para promover uma redução mais expressiva da oferta interna.
Além disso, a recente desvalorização do dólar, que voltou a operar próximo de R$ 5,00, reduziu a competitividade do cereal brasileiro no exterior, enfraquecendo a paridade de exportação em um momento em que a ampliação das vendas externas é considerada fundamental para a recuperação das cotações.
O Brasil exporta anualmente cerca de 2 milhões de toneladas de arroz e importa entre 1 milhão e 1,5 milhão de toneladas, principalmente dos países do Mercosul. A balança comercial do setor tem ganhado importância nos últimos anos, à medida que os produtores buscam ampliar a presença do cereal brasileiro em mercados da América Central, África e Oriente Médio.
No cenário internacional, o relatório de junho do USDA revisou para baixo em 1,51 milhão de hectares a área cultivada global e reduziu as projeções para os estoques finais. Ao mesmo tempo, manteve a demanda mundial em níveis recordes, sinalizando um mercado menos folgado na temporada 2025/26.
Embora os estoques globais ainda sejam considerados confortáveis, a combinação entre menor produção e consumo aquecido tende a dar sustentação aos preços internacionais. O movimento, contudo, ainda não se refletiu no mercado brasileiro, que continua pressionado pelo volume disponível após a colheita e pela necessidade de acelerar o escoamento da safra.
Fonte: Pensar Agro
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Pesquisadores alertam: EL Niño vem turbinado e vai afetar calendário agrícola no Brasil
Pesquisadores e centros meteorológicos internacionais identificaram sinais de que o El Niño de 2026 pode entrar para o grupo dos mais intensos das últimas décadas e permanecer ativo até o início de 2027. O fenômeno, potencializado pelo aquecimento global, tende a alterar o calendário agrícola brasileiro, com risco de atraso no plantio da soja no Centro-Oeste e no Matopiba e excesso de chuvas no Sul, principal região produtora de trigo do País.
As projeções divulgadas entre maio e junho consolidaram a expectativa de um evento persistente. Em algumas áreas próximas à costa da América do Sul, o aquecimento da superfície do oceano chegou a ficar entre 2°C e 3°C acima da média, enquanto a região central do Pacífico registrava anomalias em torno de 0,7°C.
Diferentemente dos grandes eventos de 1982-83, 1997-98 e 2015-16, o El Niño de 2026 se desenvolve em um cenário de aquecimento mais generalizado dos oceanos. Com menos contraste entre águas quentes e frias, os pesquisadores passaram a utilizar novos indicadores para medir a intensidade do fenômeno. Por esse critério, o episódio atual já apresenta características semelhantes às observadas em alguns dos eventos mais severos do registro histórico.
No Brasil, os efeitos costumam variar entre as regiões. No Sul, a combinação entre o El Niño e outros padrões atmosféricos pode favorecer volumes de chuva acima da média durante a primavera e o verão. Para culturas de inverno, como o trigo, a distribuição das precipitações ao longo do ciclo tende a ser mais importante que o volume acumulado, já que excesso de umidade durante a fase reprodutiva e na colheita pode afetar a qualidade dos grãos.
No Centro-Oeste e no Matopiba, o comportamento tradicional do fenômeno é diferente. As chuvas costumam se tornar mais irregulares no início da primavera, período que marca a abertura do plantio da soja. Eventuais atrasos na semeadura podem reduzir a janela ideal para o milho de segunda safra em 2027, responsável por cerca de 80% da produção brasileira do cereal.
O País entra nesse cenário após uma safra recorde. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 358,6 milhões de toneladas de grãos em 2025/26, além de uma colheita de 66,7 milhões de sacas de café e mais de 700 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
Segundo os especialistas, os impactos do fenômeno tendem a ser mais regionais do que nacionais. Enquanto parte das áreas produtoras pode registrar condições favoráveis, regiões dependentes da regularidade das chuvas, como Centro-Oeste e Matopiba, e áreas mais suscetíveis ao excesso de precipitações, como o Sul, devem concentrar maior atenção ao comportamento do clima ao longo da safra 2026/27.
Fonte: Pensar Agro
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