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Maior livraria flutuante do mundo abre portas ao público em Vitória

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Uma cerimônia na manhã desta quinta-feira (10) marcou a abertura oficial da maior livraria flutuante do mundo, o navio Logos Hope, em Vitória. O evento teve a participação da vice-governadora Jaqueline Moraes, da primeira-dama Maria Virgínia Casagrande e dos secretários de Estado, Fabrício Noronha (Cultura) e Durval Uliana (Turismo), além de autoridades portuárias e outras lideranças. O navio ficará atracado no Porto de Vitória, no Centro da cidade, até o próximo dia 20.

Durante a solenidade, foi realizado um desfile dos voluntários de diversas nacionalidades que atuam no navio, além da apresentação de uma dança coreana com leques e exibição de vídeo. A vice-governadora e a primeira-dama participaram do descerramento da faixa, abrindo oficialmente para visitação a livraria ao lado do diretor da embarcação, o sul-coreano Pil-Hun Park, e do capitão do Logos Hope, o norte-americano Tom Dyer.

“No início do ano, eu recebi uma equipe que me falou sobre a vinda do navio. Desde aquele dia, eu já fiquei curiosa e emocionada por saber que é um projeto que abraça voluntários do mundo todo. Ver pessoas dispostas a doar seu tempo, seu trabalho, seu amor, seu sorriso, seu afeto, seu respeito ao próximo, me deixa muito emocionada. Quero dizer a vocês, envolvidos neste projeto, que são muito bem-vindos e sintam-se abraçados por mim e pelo nosso governador Renato Casagrande”, contou a vice-governadora.

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Ainda sobre o projeto, Jaqueline Moraes ressaltou a importância da divulgação de diferentes culturas. “Represento uma boa parte da população que vem da periferia. E na periferia, às vezes, nós não temos acesso a livros. As crianças não conhecem os livros bonitos e coloridos como temos aqui. Vocês estão trazendo cultura, arte, informação e lazer para essas pessoas”, afirmou.

A primeira-dama Maria Virgínia Casagrande conheceu de perto o trabalho dos voluntários. Os jovens, com idade acima de 18 anos, falam mais de uma língua e permanecem até dois anos no navio. Em sua fala, além da importância da experiência proporcionada aos participantes, destacou que tanto o capitão quanto o diretor do navio têm suas famílias envolvidas no projeto. “Isso traz uma alegria muito grande. Porque praticar o cristianismo é também estar com a família em comunhão. É um prazer recebê-los aqui com algo tão importante para os jovens. Eles estão ansiosos em vir conhecer e fazer essa viagem através da literatura”, disse Maria Virgínia Casagrande.

Logos Hope em Vitória

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A embarcação fica no Porto de Vitória, em frente ao Palácio Anchieta, até o dia 20 de outubro. Estarão à venda mais de cinco mil títulos, promovendo ainda o intercâmbio cultural com 400 voluntários de mais de 60 países. O Logos Hope oferta títulos voltados para educação complementar, interesses profissionais e de carreira, com temáticas de ciência, esportes, culinária, artes, hobbies, saúde, idiomas, questões familiares e literatura cristã, por exemplo. Também há livros infantis, dicionários, atlas e outros. As obras são em português e inglês.

Assessoria/Vice-Governadoria

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Carne de laboratório: conheça a técnica desenvolvida pela Embrapa

Experimentos prometem reduzir impactos ambientais da produção animal

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está produzindo carne em laboratório. O experimento não sacrifica animais e não tem impacto ambiental, como ocorre na pecuária que, por causa do desmatamento e da emissão de gás metano, agrava o efeito estufa.

A inovação é liderada pela Embrapa Suínos e Aves, com sede em Concórdia (SC), que já produziu protótipos de filés de peito de frango, e pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), sediada em Brasília.

O laboratório desenvolveu amostras de alimentos impressos com base vegetal, como filé de salmão, caviar e anéis de lula.

A técnica envolve a multiplicação de uma amostra de células retiradas de animais vivos, equivalente a uma pequena biópsia. A amostra extraída é cultivada in vitro, em meio líquido rico em oxigênio e nutrientes — como glicose, aminoácidos e sais minerais — que permitem que as células se multipliquem.

A produção de carne cultivada utiliza técnicas da engenharia de tecidos para reparar tecidos biológicos danificados e técnicas da biotecnologia celular, que utiliza células vivas ou partes delas para tratar problemas biológicos. Os recursos são comuns à medicina regenerativa.

“Nós conseguimos isolar as diferentes células que compõem o tecido muscular vivo. A amostra tem um punhado de células musculares, algumas células de gordura e células do tecido conjuntivo. A partir disso, escolhemos qual é a célula que a gente quer e focamos na multiplicação em grande quantidade daquele tipo celular”, explica a veterinária Naiara Milagres Augusto da Silva, analista do Cenargen.

Ancoragem física

O crescimento do tecido muscular da carne cultivada necessita de uma superfície para ancoragem física, que imita a matriz extracelular dos sistemas biológicos naturais. Essas estruturas biomiméticas podem ser suportes (scaffolds) fibrosos e microcarreadores esféricos que transportam elétrons para as células que são aderentes.

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“Enquanto os scaffolds fibrosos auxiliam na orientação celular, na diferenciação muscular e na organização tridimensional do tecido cultivado, os microcarreadores esféricos favorecem a expansão celular em suspensão, aumentando a área disponível para crescimento e contribuindo para a produção em larga escala de tecido muscular”, descreve uma nota técnica da Embrapa a qual à Agência Brasil teve acesso.

Conforme a nota, suportes e microcarreadores são fundamentais para o desenvolvimento de propriedades na carne de laboratório. “Além das funções biológicas, essas estruturas influenciam diretamente [nas] propriedades tecnológicas e sensoriais da carne cultivada, incluindo textura, firmeza, retenção de água e percepção mastigatória”.

Proteínas vegetais

O foco do trabalho do Laboratório de Nanobiotecnologia do Cenargen é desenvolver biomateriais (insumos) a partir de proteínas vegetais, que podem servir de estruturas onde as células da carne cultivada vão aderir e se multiplicar.

Esse é o caso das malhas formadas por fibras de escala nanométricas. A olho nu parecem um pedaço de papel, mas no microscópio é possível observar uma superfície porosa que funciona como a matriz extracelular encontrada no organismo vivo, onde as células colam e se unem.

“O que temos tentado fazer é uma carne produzida a partir de células animais, mas que contam com diferentes insumos de origem natural — comestível e vegetal – para que possamos depender menos do uso de animais para esse processo”, detalha Naiara da Silva.

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Película comestível

Outro produto do laboratório é uma película comestível que serve como a tripa para o invólucro de embutidos, como linguiça, produzidos com a técnica de carne cultivada.

O protótipo deve ser finalizado em 2027. “Até meados do ano que vem, vai estar na vitrine como um ativo tecnológico Embrapa”, prevê o biólogo Luciano Paulino da Silva, pesquisador que coordena os experimentos com carne cultivada entre outras iniciativas no LNANO.

Segundo o especialista, após a finalização, os experimentos em torno da carne cultivada podem ganhar diferentes parceiros que se especializem na aplicação de produtos específicos com finalidade de produção industrial e comercialização.

Regulação

Grandes agroindústrias e startups brasileiras têm unidades para pesquisa com carne cultivada. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2023 a Resolução RDC nº 839, marco regulatório para a carne cultivada em laboratório.

Outros países como Singapura, Austrália, Estados Unidos, Israel e Austrália também desenvolvem carne cultivada e têm aprovação regulatória e comercial.

A experiência no LNANO foi documentada em artigo científico na revista Foods da editora suíça MDPI (sigla em inglês para Multidisciplinary Digital Publishing Institute), especializada em periódicos de acesso aberto sobre ciência e tecnologia.

Fonte: Agência Brasil

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