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Laboratório da Ufes em São Mateus viabiliza pesquisas agrícolas
Depois de três meses de funcionamento, o Laboratório de Análise de Resíduos Químicos da Ufes em São Mateus tem colhido bons frutos tanto para os alunos do Centro Universitário Norte da Universidade (Ceunes) quanto para os produtores rurais. O laboratório foi garantido com recursos de uma emenda individual do deputado federal e vice-presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Evair de Melo (PP-ES), no valor de R$ 300 mil ao Orçamento do Governo Federal.
O laboratório é utilizado para a formação de estudantes em iniciação científica, para as pesquisas dos alunos do mestrado, além de subsidiar pesquisas científicas do Programa Agromais, que trabalha com a qualidade de produtos agrícolas, tais como a pimenta do reino, o café, o mamão, o coco, entre muitos outros.
O parlamentar ressalta a importância de investimentos estruturantes para a educação no Espírito Santo, que também irá refletir no trabalho dos produtores rurais de todo o estado. “O nosso papel na política é fazer com que os impostos pagos pela população se tornem em oportunidades para que os nossos jovens possam expandir e compartilhar seus conhecimentos, explorando melhor seus talentos e fomentar o fortalecimento da sociedade e seus diversos setores, como a própria agricultura, outra grande beneficiada com esse projeto”.
Retorno aos estudantes
De acordo com o professor Aloísio Cotta, diversos alunos já estão fazendo uso direto dos aparelhos do Laboratório em atividades dos subprojetos desenvolvidos. No momento, o foco é o desenvolvimento de um projeto de Análise de Resíduos de Pesticidas em Pimenta-do-Reino produzidas na região norte do ES em safras anteriores. “A análise de resíduos de pesticidas por si só constitui um grande desafio, pois se trata da determinação de compostos em baixíssimas concentrações. O objetivo é explorar ao máximo as possibilidades analíticas que foram disponibilizadas com a aquisição do equipamento. Esperamos em breve ser capazes de analisar uma vasta gama compostos”, afirmou Aloísio.
O professor comenta que antes do investimento, essas atividades não eram possíveis pois não haviam os equipamentos necessários para o desenvolvimento desses projetos. A expectativa agora é de conseguir enriquecer ainda mais o conhecimento dos alunos e, consequentemente, atuar de maneira mais aguda no atendimento aos produtores rurais. “Com a estrutura e os novos equipamentos, vamos desenvolver uma base de conhecimentos, formação de alunos, de publicações e divulgação das competências de modo a justificar novos parceiros. Tenho certeza que iremos expandir nossa capacidade analítica e assim poder atender a demandas dos produtores de mamão, café, uva, macadâmia, entre outras matérias-primas”.
Agromais 2018
De 26 a 28 de julho, a Ufes e a Cooperativa dos Produtores Agropecuários da Bacia do Cricaré (Coopbac) realizam no campus de São Mateus a Agromais 2018, a feira do agronegócio regional. O evento traz em sua programação a realização de exposições, workshops empresariais, palestras e concursos voltados às novas tecnologias e controle de qualidade no campo.
“A Feira vai ser um sucesso, pois o evento promove uma aproximação da prática com a teoria, permitindo uma troca de experiências que direcionam pesquisas e desenvolvimentos tecnológicos, alinhados com a demanda dos produtores da região. Além disso, a feira vai apresentar o que há de mais moderno no mercado em termos de tecnologias e implementos”, considera Aloísio.
Assessoria do Dep.Federal Evair de Melo
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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil
O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.
O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.
Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.
A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.
No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.
O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.
Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.
“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.
Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.
A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.
Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.
A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.
Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.
O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.
Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.
Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.
O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.
Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.
O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.
Fonte: Pensar Agro
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