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Frente parlamentar debate políticas para pessoas diabéticas
A próxima semana de trabalhos das comissões e frentes parlamentares (FPs) da Assembleia Legislativa (Ales) contará com um debate sobre as políticas públicas destinadas às pessoas com diabetes tipo 1.
Esse será o tema da reunião da FP para Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Diabetes, presidida pelo deputado Gandini (Podemos). O encontro acontece na quarta-feira (13), às 14 horas, no Plenário Rui Barbosa.
Segundo o Ministério da Saúde, o diabetes tipo 1 é uma doença crônica que se caracteriza pela destruição de células responsáveis pela produção e secreção da insulina. Por isso, o tratamento exige o uso diário de insulina para regular a glicose e evitar possíveis complicações da doença.
O pico de incidência ocorre em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, mas o diabetes tipo 1 pode atingir pessoas de qualquer idade. A estimativa é do surgimento de 25,6 casos por 100 mil habitantes a cada ano, o que, segundo o Ministério da Saúde, é uma incidência elevada.
Para a discussão do tema na Ales, foram convidadas as associações de pessoas diabéticas, além de médicos, gestores da área da saúde e representantes da Defensoria Pública e do Ministério Público.
Estão previstos, entre os participantes, a gerente de Atenção Farmacêutica da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Graziele Massarioli; o presidente da Associação de Diabéticos do ES, Alexandre Loyola; e a endocrinologista da Sociedade Brasileira de Diabetes, Mariana Guzzo; entre outros debatedores.
Animais
A Comissão de Proteção e Bem-Estar dos Animais, presidida pela deputada Janete de Sá (PSB), tem duas agendas na próxima semana. A primeira acontece na terça-feira (12), às 11 horas, no Auditório Hermógenes Lima da Fonseca. Trata-se de uma reunião mais deliberativa para a votação de projetos de lei e decisão de temas que devem entrar na pauta do grupo.
No mesmo dia, o colegiado deve ir a Marechal Floriano, na região serrana, para participar de audiência pública promovida pela Câmara Municipal. A iniciativa é da Frente Parlamentar Municipal em Defesa da Causa Animal. O encontro entre os legislativos estadual e municipal está marcado para as 18h30.
A audiência tem o objetivo de discutir políticas públicas, propor melhorias e fortalecer iniciativas voltadas para a proteção e o bem-estar animal.
Confira a agenda dos colegiados da Ales*:
Segunda (11/05)
11 horas – Comissão de Cooperativismo – Plenário Rui Barbosa
13h30 – Comissão de Finanças – Plenário Dirceu Cardoso
Terça (12/05)
9 horas – Comissão de Saúde – Plenário Rui Barbosa
11 horas – Comissão de Direitos Humanos – Plenário Rui Barbosa
11 horas – Comissão de Proteção e Bem-Estar dos Animais – Auditório Hermógenes Lima da Fonseca
18h30 – Audiência da Câmara de Marechal Floriano com a participação da Comissão de Proteção e Bem-Estar dos Animais – Câmara de Marechal Floriano
Quarta (13/05)
14 horas – Reunião da Frente Parlamentar para Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Diabetes – Plenário Rui Barbosa
*Agenda sujeita a alterações
Fonte: POLÍTICA ES
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Sessão solene celebra 177 anos da Insurreição de Queimado
Vinte pessoas foram homenageadas com a Medalha Chico Prego pela sua luta contra a discriminação racial e a favor do povo negro na sessão solene que celebrou os 177 anos da Insurreição de Queimado. A solenidade ocorreu na noite desta sexta-feira (8) na Assembleia Legislativa (Ales).
O evento foi proposto pela deputada Iriny Lopes (PT), presidente da Comissão de Cultura da Casa, e também serviu para festejar o reconhecimento do Sítio Histórico e Arqueológico de São José do Queimado como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
“Essa vitória não é um presente do Estado, é uma conquista da resistência do movimento negro capixaba, que lutou décadas contra o apagamento histórico planejado. Esse tombamento foi pavimentado por pesquisas essenciais desenvolvidas dentro da Ufes e do Ifes. A ciência e a academia se uniram à militância para comprovar o que muitos tinham certeza: Queimado é a raiz da nossa identidade”, disse.
Aproveitando que nesta sexta é comemorado o Dia Nacional do Turismo, a parlamentar apontou o tipo de turismo que deve ocorrer no sítio. “Não pode ser o turismo de um cenário de fotografias vazias de qualquer sentido. É o turismo da preservação histórica, do reconhecimento histórico daquelas ruínas como a memória de todos os que tombaram naquele momento e de todos que tombaram antes e depois na luta pela emancipação do povo negro de nosso Estado e país”, defendeu.
Também cobrou melhorias no acesso ao Sítio Histórico para que as pessoas possam conhecer o local. “Nosso mandato protocolou uma indicação à Ceturb para que as linhas de ônibus passem a atender o Sítio Histórico, o transporte público é um direito cultural. É urgente que o governo do Estado e a prefeitura de Serra olhem para a infraestrutura da estrada de acesso e para a manutenção daquela área”, frisou.
A solenidade contou com a presença do presidente nacional do Iphan, Deyvesson Israel Alves Gusmão, que falou da emoção ao conhecer Queimado. “É um sítio de memória sensível, que serve para que nunca esqueçamos da chacina que aconteceu em 1849 e de todo o processo de escravização, que é uma lembrança importante para a memória da diáspora africana no país. Traz a lembrança do que nunca mais deve acontecer neste país, que é a escravização do povo negro”, afirmou.
Ele destacou que as políticas de patrimônio cultural não devem ter compromisso com o racismo e com estigmas sociais aos povos indígenas e ao povo africano. “As políticas devem contribuir para a sociedade brasileira, sobretudo, aquelas do estigma social, para que não apenas aguentem o peso do racismo e da desigualdade social, mas que contribua para que as pessoas tenham vida. Temos buscado ampliar os horizontes do patrimônio cultural, que tem se voltado para os povos indígenas e escravizados e o sítio histórico cumpre esse papel, nos lembra de algo que nunca mais deve acontecer”, salientou.
Para o superintendente do Iphan-ES, Joubert Jantorno Filho, o reconhecimento do Sítio Histórico é uma reparação histórica do estado brasileiro. “Nós do Iphan Espírito Santo tivemos a honra de encaminhar e o conselho consultivo reconheceu essa luta. Houve uma reparação no reconhecimento dessa luta”, comemorou.
Afroturismo
Segundo a gerente de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH) e presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Cepir), Edneia Conceição de Oliveira, Queimado deve ser um espaço de afroturismo. “Precisamos visibilizar tudo que é cultural e ancestral nos territórios negros. É muito emblemático pensar esse Sítio Histórico onde o afroturismo vai acontecer, não é apenas uma visita a um espaço, mas a um local que traz toda a ancestralidade do povo negro”, enfatizou.
Penha Gaspar, coordenadora-geral do Fórum Chico Prego, mencionou que a data de hoje é muito importante e precisava ser comemorada. “Falar de Queimado é falar de coragem, é falar de homens e mulheres negros que enfrentaram a escravização e a violência, mas que nunca abriram mão de sua dignidade e do sonho de liberdade”, explicou.
De acordo com ela, o Fórum carrega há mais de duas décadas a missão de manter a memória e garantir que as novas gerações conheçam a história do povo negro de Serra e do Espírito Santo. “Nossa resistência existe porque ainda enfrentamos desigualdade social, intolerância religiosa, racismo cultural e tentativas de apagamento histórico. Seguiremos transformando a memória em luta”, prometeu.
Representante dos Povos de Matriz Africana, Ricardo Luiz dos Santos Paiva, o Pai Ricardo, esclareceu que Queimado não é só dos negros, mas de um povo inteiro, não é só de uma religião, mas uma herança pela qual todos deveriam lutar e lembrar.
“Nosso tom de pele ainda é rejeitado por muitos. Somos negros sim, somos um povo sim, saímos de nossos lares, viemos para o Brasil, construímos o Brasil e somos preconceituosamente rejeitados em muitos órgãos e locais. Se não fosse todos que estão aqui, não teríamos chegado aonde chegamos. Juntos somos sempre mais fortes para trazer liberdade racial, estrutural e religiosa”, exaltou.
Neabi
Os integrantes do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) de Serra foram fundamentais na pesquisa que embasou o reconhecimento do Sítio de Queimado como patrimônio cultural brasileiro. Eles foram representados na cerimônia pelo professor Leonardo Matiazzi Corrêa.
“É um momento fundamental para dar visibilidade ao patrimônio, mas também dar visibilidade aos currículos escolares. Nosso maior desafio foi ver como Queimado é invisibilizado pelos currículos, pelos livros didáticos e em todos os níveis, da educação básica à universidade. Hoje, é um momento de celebrarmos Queimado como patrimônio nacional. É o 13º patrimônio nacional em nosso Estado. Nós, do Ifes e do Núcleo, nos colocamos à disposição para desenvolver pesquisas”, garantiu.
Ao final dos trabalhos, a deputada Iriny Lopes ponderou que o mundo vive um momento complexo, que exige de todos coerência, capacidade, compromisso e resiliência para não permitir nenhum tipo de retrocesso em nosso país. “Precisamos de reparação aos excluídos e excluídas, com destaque essencial ao povo negro brasileiro e aos povos tradicionais”, concluiu.
A solenidade ainda contou com três apresentações culturais: a banda de congo Konshaça, o coral e a orquestra do Instituto Serenata D’Favela, e a dupla Kauã Soeiro e Mizinho Dussamba.
Mesa
Além dos citados, a mesa de honra foi composta pelo vereador por Serra Uanderson Moreira (PDT); pelo representante da Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer de Serra, Denner Costa; pelo missionário comboniano Padre Wedipo; e pelo presidente do Conselho Municipal de Igualdade Racial de Serra, Ivo Lopes.
Semana
Iriny Lopes é autora da Lei 12.032/2024, que instituiu a Semana Estadual da Insurreição de Queimado, a ser comemorada entre os dias 19 e 26 do mês de março.
Insurreição de Queimado
Em 19 de março de 1849, na Freguesia do Queimado, atual município de Serra, aconteceu a primeira revolta dos escravos na província. A rebelião foi prontamente reprimida e a maior parte de seus líderes, executados. Entre os líderes estavam Francisco de São José, o Chico Prego; João Monteiro, o João da Viúva e Elisiário Rangel.
Centenas de pessoas participaram da rebelião, que acabou sendo derrotada pelas autoridades. Cinco líderes foram condenados à morte, incluindo Chico Prego, que foi capturado e enforcado em 11 de janeiro de 1850. No entanto, Elisiário conseguiu escapar da prisão e se refugiou nas matas do morro do Mestre Álvaro e nunca mais foi preso.
Medalha Chico Prego
Criada pela Resolução 2.080/2003, a Medalha “Chico Prego” é oferecida a personalidades ou entidades da sociedade civil organizada que se destaquem nas lutas contra a discriminação racial e em defesa das causas do povo negro.
Confira a lista dos homenageados com a Medalha Chico Prego:
1. Associação de Capoeira Força Negra (ACFN), representada por Fernando Ramos Rodrigues
2. Alexssandro de Jesus Silva, o Pai Brasinha
3. Ana Paula Lyra dos Santos, representada por Sabrina Luciano Santos
4. Danieli Rodrigues da Silva
5. Djanira Maria Duarte dos Santos
6. Emef Professora Ângela Maria Pereira Barcelos, representada por Ellen da Silva Moura
7. Instituto Serenata d’Favela, representado por Luciene Chagas
8. Instituto Modus Vivendi, representado por Wesley Pinheiro
9. Instituto Quadro de Esperança, representado por Odilamara do Santos Neto
10. Leonardo Matiazzi Corrêa
11. Leticia Secomandi Mazzoco
12. Lucas Ribeiro de Maria
13. Missionários Combonianos, representado pelo Padre Wedipo
14. Moacir Alves Rodrigues
15. Projeto Caminho do Bem, representado por Gilmar Carlos
16. Ricardo Luiz dos Santos Paiva (Pai Ricardo)
17. Ruthileia Machado
18. Sabrina Luciano Ramos
19. Saionara Paixão Santos
20. Zeumy Almeida Soeiro (Mizinho Dussamba)
Fonte: POLÍTICA ES
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