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Exposição dos 190 anos da Ales aborda presença de mulheres na política

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As 17 cadeiras da obra de Rick Rodrigues representam a quantidade de mulheres já eleitas para a Asse / Foto: Paula Ferreira

Em cartaz até o final de agosto, a exposição 190 Caminhos da Cidadania, que celebra os quase 200 anos da Assembleia Legislativa (Ales), traz uma realidade que muitas vezes passa despercebida pelos capixabas: a baixa participação das mulheres na política.

A mostra revela que, desde o início da história do Parlamento estadual, dos 860 eleitos para as cadeiras da Ales, apenas 17 são mulheres. Na formação atual, dos 30 parlamentares da Casa, apenas 4 são deputadas, o que representa pouco mais de 10%.

A pioneira no Legislativo estadual ganha espaço de destaque nos 700 metros quadrados da mostra. Judith Leão Castelo Ribeiro, a primeira deputada estadual eleita no Espírito Santo, em 1947, aparece em um quadro com sua foto e em uma estátua.

Professora, jornalista e escritora, ela exerceu quatro mandatos consecutivos na Ales, focando seus 110 projetos na expansão da educação e dos direitos das mulheres. Apesar do pioneirismo, após a eleição de Judith o estado passou mais 35 anos até eleger outra mulher. O jejum de representatividade feminina foi quebrado em 1982 com Rose de Freitas.

Arena de lutas e debates

Além dos painéis e fotografias que remontam a linha do tempo do Legislativo, a exposição também traz obras de arte inéditas de nove artistas contemporâneos.

Andreia Falqueto é uma das convidadas. Ela traz uma releitura de uma fotografia escolar histórica do Espírito Santo, registrada na década de 1920, quando houve a discussão no Parlamento sobre as turmas mistas. Até então, meninos e meninas estudavam em classes separadas.

Também com a temática feminina, o artista capixaba Rick Rodrigues apresenta em sua obra 17 miniaturas de cadeiras como elementos simbólicos da baixa representatividade política das mulheres, numa alusão ao número de deputadas que ocuparam mandato parlamentar estadual no Espírito Santo.

A artista Re Henri trouxe a obra “Futuro – A revolução”. O trabalho dela foi inteiramente produzido em seu atelier e traz um forte impacto de crítica social e reflexão histórica. Ela se inspirou em sua primeira visita à Ales, quando se deparou com a Galeria dos Presidentes, onde, dentre mais de 40 fotos de pessoas que chefiaram o Poder Legislativo, apenas uma é de mulher. Trata-se da ex-deputada Luzia Toledo, que ocupou a cadeira em um mandato de transição de apenas um mês.

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Ao explicar suas escolhas, Henri disse fez uma alusão ao Coliseu de Roma. “Eu retrato o futuro como um plenário, que se configura como um campo de guerra, de luta (…). Então a minha questão ali era dizer que as mulheres estão sempre lutando para transformar, para reconfigurar, para transmutar essa estrutura política. Elas se debatem, elas criam fissuras, elas criam buracos e entradas para se inserirem nessa arena”, descreveu a artista.

Henri explica ainda a escolha da cor vermelha. “Então a minha visão sobre o futuro é que ele não acontece sem essa presença e não é sem essa luta, ou seja, o futuro se apresenta na medida em que essas mulheres estão se inserindo nessa estrutura com muito suor. E eu acho que essa cor vermelha, ela vem como uma analogia desse centro, no sentido dessa força visceral que é exigida para que a mulher esteja presente nesses espaços”.

A arte imita a vida

A deputada Camila Valadão (Psol) é uma das 17 deputadas retratadas na obra de Henri. Ela disse ter se emocionado diante das evidências que a mostra desperta. Segundo ela, além de contrastar a quantidade de mulheres no Parlamento ao longo da história, as obras promovem a reflexão de que, cada uma, em seu tempo, enfrentou muitos desafios para garantir a representatividade de mulheres na política capixaba.

Entre os desafios apontados por Camila está a violência política de gênero. Ela acredita que a maioria das mulheres nos espaços políticos enfrenta o problema, porém nem todas conseguem denunciar. A deputada está entre as exceções. “Graças a tudo que eu vivi, com muita dor, mas também com muita coragem, a gente tem o primeiro condenado por violência política de gênero do Estado do Espírito Santo. Então acho que essa é uma vitória, não só minha, mas de todas as mulheres. A gente está deixando um legado (…) para garantir e abrir caminhos para as mulheres nesses espaços”, relata.

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Ao lembrar do resultado das urnas nas últimas eleições, em que entrou para a história da Ales como a candidata mais votada em todos os tempos, Camila fala da responsabilidade de ser parte desse marco simbólico. “A partir do momento que a gente faz história, a gente abre caminhos para que outras mulheres possam chegar para demonstrar que sim, podemos! Temos todas as condições de ocupar esse espaço com qualidade e com representatividade. Então é uma honra, Judith abriu caminhos e a gente segue hoje colhendo esses frutos e também, quem sabe, pavimentando uma nova história para o Espírito Santo”, enfatiza.


Valadão disse que sonha com uma Assembleia com pelo menos 15 cadeiras ocupadas por parlamentares femininas para representar de fato a quantidade de mulheres da população capixaba. “Eu espero que a gente não precise de mais 190 anos para ter mais mulheres representadas aqui. A gente espera que essa mudança venha logo. As mulheres brasileiras precisam, porque o Parlamento cumpre um papel importantíssimo na definição do orçamento público, das políticas públicas, das leis. E as mulheres precisam de direitos para seguir vivas e livres”, finaliza.

190 Caminhos da Cidadania

A exposição 190 Caminhos da Cidadania é fruto de pesquisa realizada por meio de convênio entre a Ales e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Reúne fotos, documentos e mobiliários antigos, bem como pinturas do acervo do Legislativo e obras contemporâneas, entre outros. A mostra, que ocupa uma área de 700 m² no pilotis da Ales, foi viabilizada graças a recursos captados por meio da Lei Federal de Incentivo a Projetos Culturais (Lei Rouanet) e conta com patrocínio da Vale, Grupo Autoglass, ArcelorMittal, Banestes, Itaú e Bandes.

Serviço
Exposição 190 Caminhos da Cidadania
Local: Assembleia Legislativa (Av. Américo Buaiz, 205 – Enseada do Suá)
Visitação: segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas
Entrada gratuita

Fonte: POLÍTICA ES

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Assembleia autoriza Executivo a doar terrenos em Aracruz

Em sessão ordinária virtual nesta segunda-feira (29), a Assembleia Legislativa (Ales) aprovou o Projeto de Lei (PL) 399/2026. Protocolada pelo governo do Estado, a matéria concede autorização para que o Executivo doe duas áreas localizadas na zona industrial de Barra do Riacho, em Aracruz.

Em mensagem aos deputados, o governador Ricardo Ferraço (MDB) explica que parte do terreno será cedida ao Município de Aracruz para instalação de equipamentos públicos do Programa Estruturante Parklog/ES. E a outra parte será direcionada ao estabelecimento de complexo industrial automotivo da empresa Great Wall Motors (GWM).

Apesar de manifestações contrárias, a proposta recebeu parecer favorável das comissões reunidas de Justiça, de Infraestrutura e de Finanças, sob a relatoria do deputado Alcântaro Filho (Republicanos). “Esse projeto, colocando as questões ideológicas à parte, tende a fomentar o nosso desenvolvimento econômico, não só de Aracruz, da região, mas de todo o Estado Espírito Santo, consolidando ainda mais o nosso estado no mapa do Brasil e no mapa do desenvolvimento econômico do mundo”, afirmou.

O entendimento do republicano foi seguida pelo deputado Xambinho (Podemos), que lembrou da vocação “muito forte” logística que o ES tem. “A gente tem a certeza de que é um projeto que vai trazer desenvolvimento para a região de Aracruz, Serra, da Grande Vitória em si, gerando emprego, gerando renda, mas um projeto que eu tenho certeza de que vai cumprir todas as regras normais e legais (…)”, frisou.

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Presidente da Comissão de Justiça, Dary Pagung (PSB) endossou as palavras a favor da iniciativa do governo. “No passado perdemos uma grande fábrica também para o Estado da Bahia”, lembrou. “Agora temos essa oportunidade de fazer essa doação”, completou.

Mazinho dos Anjos (MDB) disse que outros estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul tinham interesse de trazer a indústria automotiva, mas o Espírito Santo venceu essa concorrência. “Esse investimento é um investimento que vai, com certeza, transformar não só aquela região, mas todo o Estado do Espírito Santo”, afirmou.

Thiago Hoffmann (PSB), Lucas Polese (PL) e Capitão Assumção (PL) também se manifestaram em prol do projeto de lei. Outro que defendeu a proposta do Estado foi o deputado João Coser (PT). “Quando você traz uma indústria automobilística, você gera um desenvolvimento no entorno muito grande. Considero certo que o governo do Estado e os governos municipais não só a existência da comunidade indígena, mas também da questão ambiental”, detalhou.

O posicionamento do petista contrastou com o entendimento da colega de partido, Iriny Lopes (PT). Ela avaliou que o projeto de lei não leva consideração outros aspectos que não sejam econômicos. “São requisitos ambientais, são requisitos de proteção de população tradicional e requisitos de mão de obra”, ressalvou.

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Na opinião de Iriny, para que o processo ganhe legalidade, é necessário realizar audiências públicas, conforme a Resolução 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) – da qual o Brasil é signatário –, já que há na região povos indígenas, além de outros problemas de natureza ambiental.

A colega de plenário Camila Valadão (Psol) reforçou as palavras da petista sobre a necessidade de desenvolvimento econômico aliado ao avanço social e classificou o projeto como “extremamente vago”. Conforme destacou, faltam mecanismos de transparência e de contrapartida da empresa. Camila Valadão e Iriny Lopes foram os únicos votos contrários ao projeto, que segue agora para a sanção do Poder Executivo.

Fonte: POLÍTICA ES

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