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Esqueça o cotonete! Limpeza incorreta é uma das causas principais da otite canina
A higiene do ouvido dos cães deve ser um item de atenção para os tutores, a fim de evitar uma série de doenças relacionadas à saúde auricular dos pets. Entre as complicações mais comuns está a Otite Canina, que nada mais é do que uma inflamação do conduto auditivo, que causa incômodos e dores. Ela pode ocorrer na região externa, interna, no meio do canal auditivo ou até mesmo em apenas uma orelha. “Se o tutor observar vermelhidão, excesso de cera, odor forte ou mudança no comportamento do pet, como balançar muito a cabeça ou coçar as orelhas repetidamente, deve saber que esses são sinais para levá-lo no veterinário”, recomenda Ricardo Cabral, veterinário da Virbac – indústria farmacêutica veterinária especialista em saúde animal.
O acúmulo de sujeira facilita o desenvolvimento de inflamações e infecções por fungos e bactérias, que causam a Otite Canina , e por isso a limpeza auricular é de extrema importância. “O grande problema é que muitos tutores acreditam que a melhor forma de limpar os ouvidos dos cães é utilizando cotonetes e pinças, e isso pode não só machucar as orelhas, como também empurrar a cera ainda mais para dentro do ouvido, agravando os riscos de inflamações auriculares”, alerta Cabral.
Como fazer a limpeza de forma correta?
“Assim como a higiene bucal, a higiene auricular deve ser incluída na rotina semanal do pet, sendo que o dono deve utilizar apenas produtos para retirar cera, chamados ceruminolíticos. No mercado, o tutor encontra opções para uso rotineiro, indicado para a limpeza regular e neutralização de maus odores das orelhas dos cães”, explica Cabral.
Para a aplicação do produto, Cabral indica seguir os seguintes passos:
- Coloque o cachorro deitado no colo de forma que seja possível visualizar o conduto auditivo;
- Aplique a quantidade suficiente do produto no conduto auditivo, seguindo a orientação do fabricante;
- Massageie a base da orelha para que o produto possa entrar com mais facilidade;
- Limpe o pavilhão auricular com algodão umedecido com o próprio produto.
“O produto ceruminolítico dissolve a cera e conforme o animal balança a cabeça, o excesso de conteúdo e sujeira naturalmente são expulsos, dispensando a necessidade do uso de cotonetes ou outros objetos”. Essa limpeza pode ser realizada 1 vez por semana ou a cada 10 dias.
Outro ponto de atenção para manter a saúde auricular do pet é proteger muito bem os ouvidos dele na hora do banho para evitar a entrada de água. “Isso porque a umidade facilita a proliferação de fungos e bactérias. ´Portanto, deve-se colocar sempre protetores ou um chumaço de algodão em cada orelha, além de secar muito bem a região após o banho”, indica Cabral.
Amo Cachorros
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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.
As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.
O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.
Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.
A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.
Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.
Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.
O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.
O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.
Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.
A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.
Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.
A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.
A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.
Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.
A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.
Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.
A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.
O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.
Fonte: Pensar Agro
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