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Detran|ES leva educação de trânsito com ruas coloridas e atividades lúdicas na Grande Vitória
“Tem gente que é teimosa e passa no meio da rua em vez de atravessar na faixa de pedestres”. Essa é uma constatação do pequeno Rafael, de apenas seis anos, durante a participação das atividades da Rua Amarela, no último sábado (11), em Cariacica. O Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran|ES) desenvolve a ação inovadora no Estado para envolver crianças, adolescentes e adultos na educação para o trânsito durante o “Maio Amarelo”.
Além de Rafael, outros mais de 2.400 moradores de Cariacica, de diversas idades, interagiram, na Rua Amarela montada no cruzamento entre a Avenida Campo Grande e a Avenida Expedito Garcia, em Campo Grande, com a equipe de educação de trânsito e com o Yellow Group do Detran|ES.
No espaço, as pessoas participaram de rodas de conversa, jogo da memória, as crianças dirigiram carros de brinquedo em uma minipista sinalizada e os ciclistas fizeram check-up nas bicicletas com um mecânico e receberam dicas de um profissional.
A dona de casa Aleilda Rocha Santos, mãe da Ana Luiza e da Ana Julia, estava passando pelo comércio da Expedito Garcia, se interessou pela Rua Amarela e suas filhas puderam adivinhar os pares corretos relacionados ao comportamento no trânsito no jogo da memória.
“A Ana Luiza, que é a mais velha, é a mais atenta nas ruas. É importante atividades como essa para elas crescerem sabendo sobre os cuidados com o trânsito, sobre o que é certo e errado a se fazer”, revelou Aleilda, moradora do bairro Castelo Branco, onde, segundo ela, muita gente não respeita a faixa de pedestres.
De acordo com a diretora técnica do Detran|ES, Édina de Almeida Poleto, o objetivo da Rua Amarela e das diversas ações realizadas pelo Órgão durante o ano, em especial no “Maio Amarelo”, seguem a mesma linha da fala da mãe da Ana Luiza e da Ana Julia.
“Se conseguimos ajudar na mudança de comportamento ou no reforço para atitudes corretas nas vias, a iniciativa consegue cumprir seu papel. Sempre registramos que o trânsito seguro depende de cada um, continuamente, e a educação tem de partir da infância, que é o melhor momento para aprendizagem. Oferecer serviços e trocar experiências e dicas sobre atitudes positivas no trânsito em locais de grande circulação é fundamental para replicar a mensagem para o maior número de pessoas possível”, afirmou Édina.
Pedal correto
O técnico de Enfermagem Paulo Duarte, morador de Jardim América, é daqueles que usam a bike como modo de transporte para o trabalho e para lazer. Foi na volta do comércio da Avenida Expedito Garcia que ele se deparou com o espaço de “Bike Check-Up” e aproveitou para conversar com os profissionais e calibrar os pneus da sua bicicleta.
“Eu prefiro vir de bike ao comércio. Já me acidentei uma vez andando de bicicleta e tive que tomar 16 pontos no pé, pois estava sem chinelo. Aprendi, hoje só ando calçado e me preocupo com a manutenção”, revelou Duarte.
Durante o bike check-up, dicas como a importância da buzina, do uso do capacete, da luva e a manutenção de itens como o pneu e a corrente foram passadas para os ciclistas abordados.
Parceria com municípios
A Rua Amarela em Cariacica contou com a cooperação da Prefeitura Municipal, por meio da Guarda Municipal de Trânsito e da equipe de educação, que disponibilizou agentes e garantiu o trânsito organizado nas imediações, além de ter colaborado com a liberação do local e com a recreação educativa.
O secretário de Defesa Social do Município, Alexandre Ribeiro, destacou a parceria com o Estado como peça fundamental para a humanização do trânsito. “Nós, condutores e pedestres, temos de ter o maior volume de informações para saber agir corretamente nas vias. É importante que ações como essa se estendam para todo o ano, como buscamos fazer em Cariacica a partir de ações educativas, intervenções diárias e trabalho junto às empresas de ônibus. Vamos, assim, evoluindo para uma cidade inteligente, onde todos respeitamos as pessoas no trânsito”, assinalou.
No último domingo (12), foi a vez de Vila Velha receber a Rua Amarela, na Orla de Itaparica, durante as atividades da Rua de Lazer. Em parceria com a Prefeitura Municipal, por meio da Guarda de Trânsito e da equipe de educação, mais de mil pessoas interagiram com a equipe de educação e com o Yellow Group do Detran|ES.
O secretário municipal de Defesa Social e Trânsito de Vila Velha, Coronel Oberacy Emmerich Junior ressaltou a importância da ação.
“Utilizamos o mês de maio em todo o mundo para estimular ainda mais a sociedade a discutir o tema e intensificar as ações educativas. Nesta parceria importante na Rua Amarela com o Detran, conscientizamos de jovens a idosos para um trânsito mais seguro e humano”.
No domingo (19), a Rua Amarela chega na Praia de Camburi, em Vitória, durante a Rua de Lazer, de 9h às 12h; no próximo sábado (18), também das 9h às 12h, será na Serra, na Avenida Central, em Laranjeiras.
Assessoria/Detran-ES
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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.
As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.
O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.
Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.
A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.
Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.
Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.
O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.
O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.
Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.
A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.
Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.
A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.
A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.
Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.
A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.
Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.
A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.
O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.
Fonte: Pensar Agro
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