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Alessandra Piassarollo - ES1.com.br

DESRESPEITO E PRECONCEITO SÃO IRMÃOS. E MALVADOS.

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Investigações sentimentais apontam que Desrespeito e Preconceito são irmãos e frequentemente têm sido vistos andando um, na companhia do outro. Juntos, eles têm uma missão repugnante: serem maus o tempo todo.

Tenho ouvido falar que o Respeito, esse sim um bom moço, anda meio sumido ultimamente. Na certa não tem encontrado freguesia, porque o negócio dos dois irmãos tem se tornado cada vez mais próspero. Eu concordo que ele realmente tem aparecido menos do que se gostaria e até acho que ele deveria se fazer mais presente em mais ocasiões.

É nas decisões mais complicadas, sobre situações delicadas e nas pessoas mais frágeis que o Desrespeito e o Preconceito procuram agir; naqueles que supostamente não se encaixam nos padrões que foram estabelecidos pelo mercado humano, eles agem incomodando e alegando a não pertença a esses padrões, causando segregação e violências de variadíssimas formas.

Quero deixar aqui relatadas as várias vezes em que os vi aparecer e me roubar o direito de ser quem sou. Registro meus acontecimentos na esperança de que o Respeito me socorra com mais frequência.

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Confesso que vi o Desrespeito chegar sorrateiro em todas as incontáveis vezes que me disseram que a cor da minha pele não era adequada e que eu deveria tomar um pouquinho mais de sol; em todas as piadas feitas pelo sobrenome de pronúncia um tanto complicada; na julgada incapacidade causada pelo uso da mão esquerda nas tarefas diárias.

Senti o Desrespeito agir quando mil palpites pretenderam recriminar minha escolha para os nomes das crianças que eu esperava; quando a opção de agir de forma correta usando verdade e honestidade, foi tachada de método das antigas. Nestas, entre outras inúmeras vezes, o Desrespeito aparecia sem cerimônia e quando o Preconceito não mostrava a cara, eu podia senti-lo à minha espreita.

Agora me pergunto se eu também, em uma ocasião ou outra, não expulsei a pontapés o Respeito, e ele saiu, sentindo-se injustamente rejeitado…

Até entendo que muitos desses fatos ocorrem porque não nos dispomos a combater a dupla malvada. Mas lá no fundo penso que o método mais eficaz seria cada um cuidar da sua própria vida, das suas particularidades e escolhas e se entender bem com elas. Isso evitaria problemas de todas as naturezas, fossem ele passivos ou ativos.

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Mas imagino que a vida de todos nós esteja cheia de marcas negativas e mágoas mal curadas, causadas por esses vilões astutos.

Chegou o tempo de dizer que não queremos mais carregar estas marcas e que precisamos ser cuidadosos para não ferir ou maltratar mais ninguém. Deixemos o Desrespeito e o Preconceito, elementos tão indesejáveis, fora das nossas vidas.

E enxerguemos as diferenças e opiniões alheias na presença do Respeito. Afinal, apesar de o mundo estar super moderno, ele é bom e todo mundo gosta dele.

 

 

Alessandra Piassarollo
Administradora e Escritora

Alessandra Piassarollo - ES1.com.br

E se eu me for agora, terei amado o suficiente?

Soube da notícia de que um conhecido havia partido dessa vida. De repente, surpreendentemente, sem nenhum tipo de aviso prévio, como a morte costuma fazer.

Fiquei imaginando se as coisas seriam diferentes na vida dele, se ele soubesse que partiria em breve. Imaginei se as coisas seriam diferentes na minha vida, e na vida de todos nós; se não deveríamos estar mais atentos ao fato de que a vida vai terminar para nós também.

Será que temos amado em quantidade suficiente? Será que temos feito o nosso melhor e aproveitado a companhia das outras pessoas? Ou partiremos deixando para trás aquela sensação de que deveríamos ter feito tudo de forma diferente?

Muito provavelmente a resposta é a de que não estamos vivendo da melhor forma possível. Poderíamos estar vivendo com prazer e com mais qualidade. Poderíamos estar pondo freios em nossa preocupação exagerada e nessa vontade de partir pra briga, contra tudo e contra todos, que temos sentido.

Deveríamos refrear nosso velho hábito de deixar coisas importantes para depois, simplesmente porque não temos nenhuma garantia de que o depois virá. E parar de alegar falta de tempo, principalmente se ele estiver sendo mal gasto.

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Aprender a não guardar roupa, calçados e louças para ocasiões especiais. O momento especial é agora, porque ele nos garante vida para desfrutá-lo. Poderíamos parar de economizar o que temos de bom dentro de nós. E não deixar a vida, os amores e os sonhos pra depois. Eles não precisam ficar tanto tempo na sala de espera.

Tampouco podemos desperdiçar o tempo de agora, porque ele é precioso demais para isso. O ontem não regressará e talvez o amanhã não chegue até nós.

Engana-se quem pensa que essas verdades exigem pensamentos negativos. Mas é preciso que fiquemos em estado de alerta e deixemos despertar em nós um desejo irrepreensível de amarmos a vida e tudo o que ela nos oferece.

Que o prazo de validade determinado que nos foi imposto desperte em nós o desejo de diminuir os conflitos e de ter mais sossego interior. Busquemos a sensação reconfortante de ter nossas almas desfrutando de afeto e de tranquilidade; que saibamos reassumir o controle da nossa vida, sem sermos marionetes para o teatro sentimental de ninguém.

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Não queiramos que as circunstâncias da vida tragam-nos arrependimentos por não termos sabido conduzir nossos dias. Amemos o máximo possível: A nós mesmos e às outras pessoas. Tenhamos apreço por quem somos e respeito por quem fomos. Planejemos o futuro de forma que possamos aproveitar bem todas as oportunidades que vierem, enquanto vierem.

Andemos de cabeça erguida, sem culpas desnecessárias. Esforcemo-nos para encarar todos os fatos com leveza e com a certeza de que existe uma lição a ser aprendida em cada acontecimento.

Desfrutemos da vida com a coerência de quem sabe que um dia ela terminará. E torçamos para que o acaso não se canse de nos proteger, caso continuemos a andar tão distraídos.

Alessandra Piassarollo
Administradora e Escritora

 

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