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Como perceber se seu filho pode ter Autismo? – Artigo escrito pela neuropsicóloga gabrielense Jéssica Pereira Pelissari Oliveira

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Nos primeiros anos de vida, cada criança apresenta seu próprio ritmo de desenvolvimento. Algumas falam mais cedo, outras caminham antes; algumas são mais expansivas, enquanto outras demonstram um perfil mais reservado. Essa diversidade é esperada. No entanto, quando determinados comportamentos persistem ou se mostram muito diferentes do que é esperado para a faixa etária, é natural que pais e cuidadores se perguntem: será que algo precisa ser investigado?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que se manifesta, em geral, ainda na infância, especialmente nos primeiros anos de vida. Os primeiros sinais nem sempre são evidentes ou “gritantes”, mas costumam aparecer de forma sutil no dia a dia da criança.

Nos primeiros anos, alguns aspectos merecem atenção especial. Um deles é a comunicação social. Bebês costumam buscar o olhar do adulto, reagir ao próprio nome, sorrir socialmente e demonstrar interesse em interações simples, como brincadeiras de troca. Quando há pouca ou nenhuma iniciativa de contato visual, dificuldade em responder quando chamado ou ausência de gestos comunicativos (como apontar ou dar tchau), isso pode ser um sinal de alerta.

Outro ponto importante é a interação social. Crianças pequenas tendem a demonstrar interesse por pessoas, mesmo antes da linguagem verbal estar plenamente desenvolvida. No TEA, pode-se observar menor interesse em brincar junto, dificuldade em compartilhar atenção ou preferência por brincar de forma mais isolada e repetitiva.

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Os comportamentos repetitivos e interesses restritos também podem surgir precocemente. Isso inclui movimentos repetitivos (como balançar o corpo ou as mãos), uso incomum de objetos (girar rodas, alinhar brinquedos), resistência intensa a mudanças na rotina ou interesse excessivo por temas muito específicos desde cedo.

É importante destacar que um sinal isolado não define um diagnóstico. O que se observa é o conjunto de comportamentos, sua intensidade, frequência e o impacto no desenvolvimento global da criança. Além disso, muitos desses sinais podem ser confundidos com traços de personalidade, timidez ou fases do desenvolvimento, o que reforça a importância de uma análise cuidadosa e profissional.

Nesse contexto, a avaliação neuropsicológica desempenha um papel fundamental. Mais do que rotular, ela busca compreender o funcionamento cognitivo, emocional, comportamental e adaptativo da criança. Por meio de entrevistas detalhadas, observação clínica, aplicação de testes padronizados e escalas específicas, é possível identificar potencialidades, dificuldades e necessidades específicas.

A avaliação neuropsicológica permite diferenciar o que faz parte de uma variação do desenvolvimento típico e o que pode indicar um transtorno do neurodesenvolvimento, como o TEA, além de investigar possíveis condições associadas. Com isso, ela orienta intervenções precoces, individualizadas e baseadas em evidências científicas, fator decisivo para promover melhor qualidade de vida, autonomia e desenvolvimento global.

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Perceber sinais precoces não deve ser motivo de medo, mas de cuidado e responsabilidade. Quanto mais cedo a criança é compreendida em sua singularidade, maiores são as possibilidades de oferecer suporte adequado, fortalecer suas habilidades e favorecer seu bem-estar emocional e social.

Observar, acolher e buscar orientação profissional são atos de amor. Afinal, compreender o desenvolvimento infantil é também um caminho para construir uma infância mais respeitosa, inclusiva e feliz.

Foto: Arquivo Pessoal

Jéssica Pereira Pelissari Oliveira – CRP 16/5835

Psicóloga, neuropsicóloga e especialista em desenvolvimento infantil, Jéssica Pereira Pelissari Oliveira possui sólida formação e atuação voltada à avaliação e intervenção nos transtornos do neurodesenvolvimento. É pós-graduada em Neuropsicologia, Terapia Cognitivo-Comportamental na Infância e Adolescência Intervenção ABA aplicada ao TEA ao DI.

É especialista em Neuropsicologia reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia. Atua como idealizadora e diretora da Clínica de Desenvolvimento Infantil Evoluta, localizada em São Gabriel da Palha/ES, referência no atendimento multidisciplinar a crianças e famílias. É ainda coautora do livro Vozes da Neurodiversidade, obra que contribui para a ampliação do conhecimento e da conscientização sobre o neurodesenvolvimento e a inclusão.

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A linguagem como ferramenta de emancipação – Artigo escrito pela professora valeriense Suzi Regiane Silva

A linguagem nunca foi apenas um conjunto de regras gramaticais. Ela é, antes de tudo, poder. É por meio da linguagem que nos apresentamos ao mundo, defendemos ideias, ocupamos espaços e, principalmente, construímos nossa autonomia. Quando uma pessoa domina a linguagem, ela não apenas se comunica melhor — ela se emancipa.

Em uma sociedade marcada por desigualdades históricas, a linguagem sempre funcionou como um divisor invisível. Quem sabe argumentar, escrever com clareza, interpretar discursos e posicionar-se com segurança tende a ser ouvido. Quem não domina esses recursos, muitas vezes, é silenciado — não por falta de ideias, mas por falta de ferramentas para expressá-las. Por isso, falar de linguagem é falar de justiça social, de oportunidades e de liberdade.

Durante muito tempo, eu observo que o ensino da língua foi reduzido à memorização de regras desconectadas da realidade. Aprende-se o “certo” e o “errado”, mas raramente se ensina para que usar a linguagem, quando usá-la e como ela pode transformar trajetórias. A consequência disso é visível: jovens que concluem a educação básica sem conseguir defender um ponto de vista, interpretar criticamente uma informação ou escrever um texto que represente quem são.

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Como afirma Mikhail Bakhtin, “a palavra é o fenômeno ideológico por excelência”, o que nos lembra que toda linguagem está atravessada por valores, intenções e contextos sociais — nunca é neutra ou inocente.

A linguagem, quando bem trabalhada, não serve apenas para provas ou vestibulares. Ela serve para a vida. Serve para ter posicionamento, para uma entrevista de emprego, para uma redação decisiva, para uma conversa difícil, para a participação política, para o empreendedorismo e até para a construção da autoestima. Saber nomear o que se sente e o que se pensa é um passo essencial para deixar de ser conduzido e passar a conduzir.

Emancipar-se pela linguagem é compreender que toda escolha lexical, todo argumento e toda forma de expressão carregam intenções. É aprender a ler não apenas palavras, mas discursos. É perceber quando alguém tenta convencer, manipular ou invisibilizar. Em um mundo saturado de informações, quem não lê criticamente torna-se refém de narrativas prontas.

Quando um estudante aprende a escrever bem, ele aprende a pensar melhor. Quando aprende a argumentar, aprende a se posicionar. Quando entende que sua voz tem valor, passa a ocupar espaços que antes pareciam inalcançáveis. Isso é emancipação.

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É por isso que defender a linguagem como ferramenta de transformação não é um discurso abstrato — é uma urgência. Em cidades pequenas ou grandes, em escolas públicas ou privadas, todo jovem precisa ter acesso a uma educação linguística que não o prepare apenas para responder questões, mas para existir com autonomia no mundo.

Ensinar linguagem é ensinar poder. Poder de escolha, de crítica, de construção e de futuro. E uma sociedade que investe nisso não forma apenas bons alunos, mas cidadãos mais conscientes, menos manipuláveis e mais capazes de transformar a própria realidade.

Em um tempo em que tanto se fala, mas pouco se comunica de fato, retomar o valor da linguagem é um ato de responsabilidade social. É lembrar que palavras não são neutras — elas constroem caminhos ou levantam muros. E escolher ensiná-las de forma consciente é escolher a emancipação. Por isso eu escolhi a linguagem como uma ferramenta para levar meus alunos onde ainda não sabem que são capazes de chegar.

Suzi Regiane Silva. Foto: Arquivo Pessoal

Suzi Regiane Silva

Formação em Letras Português e Inglês

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