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Assembleia aprova prazo maior para uso de créditos do ICMS
Os deputados aprovaram o Projeto de Lei (PL) 200/2026, que amplia o prazo para empresas utilizarem créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A matéria, do Executivo, foi uma das 11 acatadas em sessão extraordinária da Assembleia Legislativa (Ales) realizada na tarde desta terça-feira (9).
Essa proposta altera os efeitos da Lei 12.643/2025, que trata da dispensa do estorno de créditos de ICMS em operações interestaduais envolvendo mercadorias importadas por centrais de distribuição, passando a ser retroativo a 1º de janeiro de 2021. Atualmente, a data de referência é 1º de janeiro de 2023.
Tramitando em regime de urgência, a proposta foi analisada em reunião conjunta das comissões de Justiça e Finanças. O deputado Mazinho dos Anjos (MDB) deu parecer pela constitucionalidade e aprovação, que foi acolhido pelos membros dos colegiados e depois pelo Plenário da Casa.
“É uma correção de uma legislação de ICMS que aprovamos justamente para a permanência das empresas (aqui no Estado). Essa matéria visa garantir o enfrentamento da Reforma Tributária. A chegada da GWM e a permanência das empresas que fazem importação e movimentam o maior volume de veículos elétricos do Brasil. (…) O tempo vai retroagir para alcançar a GWM, que vai implantar uma fábrica de veículos híbridos em Aracruz”, explicou o presidente Marcelo Santos (União).
Custas
Também foi aprovado o PL 373/2026, do Tribunal de Justiça (TJES), que reduz para 20 mil Valores de Referência do Tesouro Estadual (VRTEs) – atualmente R$ 98.766 – o limite máximo de cobrança para ações e recursos, e também das relacionadas à guarda e tutela de bens e valores depositados judicialmente.
“Faz uma alteração na lei que foi aprovada nesta Casa reduzindo o teto, o limite máximo de 100 VRTEs cai para 20 VRTEs, uma redução no valor máximo, mantendo o valor no patamar da média nacional”, disse Mazinho, o relator do projeto.
A deputada Camila Valadão (Psol) posicionou-se favoravelmente à iniciativa, mas argumentou que poderia ter sido reduzido também o piso, não apenas o teto. “Dobrou o VRTE na forma aprovada na Assembleia, o valor mínimo em varas comuns e juizados especiais saiu de aproximadamente R$ 350 para R$ 666,67, processos de baixo valor ficaram mais caros. No Juizado Especial, que não tem custas iniciais, as custas recursais passaram a observar esse piso”, lamentou.
Prescrição
Por 22 favoráveis e nenhum contrário, foi acatado o Projeto de Lei Complementar (PLC) 23/2026, do Tribunal de Contas (TCES), que altera a Lei Orgânica da Corte para adequar a legislação à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) nos casos de prescrição de infrações que implicam ressarcimento ao erário.
Relator da proposta, Mazinho comentou que atuando como advogado tratou diversas vezes da questão das prescrições das ações no TCES. “Às vezes, o processo ficava 10 anos tramitando sem uma decisão e o gestor público com o machado no pescoço. O tema 899 do STF veio para fixar que prescreve sim, e o tribunal está consolidando a jurisprudência do país colocando na sua Lei Orgânica. Dá segurança jurídica para o gestor e previsibilidade”, destacou.
Altas habilidades
De autoria de Tyago Hoffmann (PSB), foi acolhido o PL 210/2024, que institui a Política Estadual de Incentivo ao Desenvolvimento de Pessoas com Altas Habilidades ou Superdotação. A medida traz uma série de diretrizes para inclusão dessas pessoas na sociedade.
“Vocês não são mais invisíveis, não estão sozinhos, estamos à disposição para continuar desenvolvendo essa importante política e avançando, porque é assim que o estado avança para encontrar pessoas as quais, por muito tempo, não sabíamos sequer que elas existiam. (..) As altas habilidades não são uma deficiência, mas muitas vezes a alta habilidade pode ser uma maldição para ele e sua família. Quando não identificado, pode ser tratado como diversos transtornos nas escolas”, alertou o parlamentar.
Uniformes
Foi aprovado ainda, com emenda, o PL 356/2023, de Gandini (Podemos), que institui a política pública de distribuição de uniformes escolares aos alunos das escolas públicas em todas as etapas do ensino médio. A emenda em questão retirou a obrigatoriedade do Poder Executivo instituir a política e doar aos alunos outros itens previstos além dos uniformes.
“O governo do Estado já fornece esses uniformes, passou a fornecer esse ano, e a matéria está tramitando desde 2023. A gente fez um uma adequação, pois tinha previsão de tênis e outras coisas, além de uniformes, então a gente ajustou para o governo estar fornecendo e ser uma política de Estado, e não de governo, para permanentemente o governo fornecer esses uniformes para o ensino médio”, informou o autor da proposição.
Buda gigante
Por fim, os deputados acolheram o PL 362/2026, de Marcelo Santos, que declara patrimônio cultural imaterial do Espírito Santo a Estátua do Grande Buda, localizada na Praça Torii, às margens da BR-101, no município de Ibiraçu. Em anexo, tramitou o PL 643/2023, de Sergio Meneguelli (PSD).
Com 35 metros de altura e mais de 350 toneladas, a estátua integra o Complexo da Praça Torii e recebe mais de 500 mil visitantes por ano, configurando-se não apenas como um atrativo turístico, mas como um espaço de vivências culturais permanentes. Inaugurado em 2021, o Buda faz parte do complexo do Mosteiro Zen Morro da Vargem.
Confira como ficou a Ordem do Dia:
1. Projeto de Lei (PL) 373/2026, do Tribunal de Justiça (TJES), que altera a Lei 9.974/2013, que dispõe sobre o Regimento de Custas do Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo, para adequar os limites máximos das custas e despesas processuais. Aprovado;
2. Projeto de Lei Complementar (PLC) 23/2026, do Tribunal de Contas (TCES), que dispõe sobre a alteração da Lei Complementar (LC) 621/2012 – Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo, que visa adequá-la à jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal sobre prescrição no âmbito do controle externo, onde também estabelece regras para a prescrição das pretensões punitivas e de ressarcimento ao erário, fixando, em regra, o prazo de cinco anos, além de disciplinar hipóteses de suspensão, interrupção e prescrição intercorrente dos processos, bem como busca garantir maior segurança jurídica, eficiência administrativa e previsibilidade na atuação do Tribunal de Contas, preservando o equilíbrio entre a proteção ao patrimônio público e os direitos dos administrados. Aprovado por 22 favoráveis e nenhum contrário;
3. Projeto de Lei (PL) 200/2026, do Executivo, que altera o prazo de vigência de dispositivos da Lei 12.643/2025, a qual permitiu a dispensa do estorno do saldo credor acumulado do ICMS, decorrente da importação, quando da saída interestadual da mercadoria importada efetivada pelas centrais de distribuição, exigência do inciso I do § 1º do artigo 3º da Lei 10.550/2016, bem como estabeleceu termos e condições para utilização e transferência do saldo credor acumulado. Aprovado;
4. Projeto de Lei (PL) 246/2026, de Marcelo Santos (União), que acrescenta item ao Anexo Único da Lei 10.976/2019, declarando de utilidade pública a Associação Master de Remo do Espírito Santo (Amares). Aprovado;
5. Projeto de Lei (PL) 285/2026, de Marcelo Santos (União), que acrescenta item ao Anexo Único da Lei 10.976/2019, declarando de utilidade pública ao Instituto Saber (IS). Aprovado;
6. Projeto de Lei (PL) 362/2026, de Marcelo Santos (União), que declara patrimônio cultural imaterial do estado do Espírito Santo a Estátua do Grande Buda, localizada na Praça Torii, às margens da BR-101, no município de Ibiraçu (Em anexo, o PL 643/2023, de Sergio Meneguelli (PSD)). Aprovado;
7. Projeto de Lei (PL) 317/2026, de Marcelo Santos (União), que acrescenta item ao Anexo Único da Lei 10.976/2019, declarando de utilidade pública o Lar Asilo João XXIII, localizado no município de Cachoeiro de Itapemirim. Aprovado;
8. Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 05/2026, de Marcelo Santos (União), que acrescenta item ao Anexo Único do Decreto Legislativo 148/2018, concedendo Título de Cidadão Espírito-Santense ao senhor Lucas Rodrigues Feliciano. Aprovado;
9. Projeto de Lei (PL) 357/2026, de Marcelo Santos (União), que acrescenta item ao Anexo Único da Lei 10.976/2019, declarando de utilidade pública a Associação Cultural, Ambiental, Gastronômica, Esportiva, Social e Turística do Distrito de Vieira Machado (Acagest-VM), localizado no município de Muniz Freire. Aprovado;
10. Projeto de Lei (PL) 210/2024, de Tyago Hoffmann (PSB), que institui a Política Estadual de Incentivo ao Desenvolvimento de Pessoas com Altas Habilidades ou Superdotação. Aprovado;
11. Projeto de Lei (PL) 356/2023, de Gandini (Podemos), que dispõe sobre a obrigatoriedade de o Poder Executivo Estadual instituir uma política pública de distribuição de uniformes escolares aos alunos das escolas públicas em todas as etapas do ensino médio, na forma que especifica. Aprovado;
12. Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 01/2026, do Executivo, que altera a Constituição do Estado do Espírito Santo, objetivando adequar a Constituição do Estado às alterações promovidas na Constituição Federal através da Emenda Constitucional (EC) 132/2023, internalizando a Reforma Tributária no Estado do Espírito Santo. Baixada de pauta.
Fonte: POLÍTICA ES
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Valorização das bibliotecas é pauta na Comissão de Cultura
Em tempos de internet, com o acesso facilitado à leitura, o espaço ocupado pelos livros precisa ser preservado e estimulado. A defesa foi feita pela conselheira efetiva do Conselho Regional de Biblioteconomia da 6ª Região (CRB-6), Marcelle da Silva Coelho Queiroz, durante reunião da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa (Ales) nesta terça-feira (9).
A convidada do colegiado abordou o tema “Bibliotecas Públicas: lugar de acolhimento e emancipação”, escolhido pelo CRB como o mote deste ano para falar de um espaço que já chegou a marcar presença em todos os municípios capixabas. No entanto, hoje, segundo Marcelle, algumas cidades no norte capixaba não possuem essa estrutura ou outro equipamento cultural. E, desde a pandemia, em 2020, 13 bibliotecas foram fechadas no estado.
“Nós precisamos da comissão para que seja possível a construção de políticas públicas estruturantes para a área, para o apoio e o contínuo fortalecimento das bibliotecas públicas, que são espaços tão diversos hoje em dia. Nós consideramos o ponto cultural mais antigo de uma comunidade, onde ela se reúne, guarda as memórias. A biblioteca pública, isso eu também sempre abracei, é um espaço abrangente, ela tem de tudo; nela pode entrar qualquer pessoa; então, ela é um organismo que não pode ser perdido, não pode ser tratado como periférico”.
Além de divulgar a agenda de trabalhos do CRB, Marcelle também atua nas comissões de Ética e de Divulgação e Valorização do profissional bibliotecário. Na reunião, ela ainda pediu o apoio da comissão para realizar uma audiência pública ou um seminário, envolvendo bibliotecários, representantes do governo e da sociedade civil. A proposta teve apoio da presidente do colegiado, deputada Iriny Lopes (PT) e do vice-presidente, o deputado Sergio Meneguelli (PSD). A data do encontro, entretanto, ainda será definida.
“Nós vamos acolher e depois vamos verificar uma data. Algumas atividades, em função da regulamentação do processo eleitoral, não podem ser realizadas, o que não seria o caso de vocês. E também por causa da reforma que está sendo feita, o que diminui os espaços alternativos ao plenário. Mas a comissão apoia e também pode ajudar a discutir o conteúdo de diversas políticas públicas que podem ser transformadas em projetos de lei pelos membros da comissão”.
Entusiasta das bibliotecas, Meneguelli tem projetos de lei (PLs) tramitando na Casa com foco no estímulo à leitura e divulgação de escritores capixabas. Entre eles, o PL 552/2025, que promove a leitura por meio de bibliotecas itinerantes, e o PL 783/2023, que obriga as bibliotecas públicas a adotarem espaços específicos destinados aos livros de autores capixabas.
“Parabenizo o empenho de vocês, pelo fortalecimento da biblioteca. Eu acho que esse seminário vai, pelo menos, despertar, e a gente tem que pegar essa geração, começar um trabalho lá no pré-primário, para as pessoas pegarem o costume de ler, porque ler é um prazer”, afirma o parlamentar.
Tradições
Iriny também comentou sobre as atividades de que participou no fim de semana, como a 27ª edição dos Passos de Anchieta, evento realizado no domingo que antecede o dia de São José de Anchieta, celebrado nesta terça, em 9 de junho, data do seu falecimento.
A deputada lamentou a falta de apoio e de visibilidade ao tradicional evento do calendário capixaba. “A gente pôde dar um pouquinho de ajuda, muito pouca, mas foi uma ajuda que foi bem-vinda, porque estava em vias de não acontecer, devido a alguns parceiros deles terem deixado a parceria esse ano”, disse.
“Refazer esses passos leva as pessoas a diversos sentimentos. Primeiro, o encantamento com as belezas naturais do percurso, porque o Espírito Santo é lindo. Mas não tem nenhum governo que soube mostrá-lo, nem ao Brasil, nem ao mundo. (…) além das belezas naturais, você vai refazendo parte da história do Espírito Santo através de memórias, de pessoas, de guias que falam, que comentam, e através, por incrível que pareça, de pessoas que nem são brasileiras”, destacou.
Para a deputada, o turismo deveria receber mais incentivo por parte do governo. “O turismo, sim, deveria ser o carro-chefe da indústria do Espírito Santo, por ser uma indústria limpa, uma indústria importante, que cria empregos e trabalhos, gera renda para donos de pousada, para bares, para restaurantes”, defendeu.
A outra atividade foi a Festa do Caboclo Bernardo, que aconteceu no domingo (7), em Regência. Bernardo José dos Santos, o Caboclo Bernardo, nasceu, viveu e morreu na Vila de Regência. Exímio nadador, ele entrou para a história ao salvar 128 marinheiros do naufrágio do navio da Marinha Imperial, em 1887.
“O Caboclo Bernardo também não é conhecido pelo povo brasileiro, pelo povo capixaba. É um herói. E o deputado Helder Salomão (PT) já fez uma indicação para que ele entre no Livro dos Heróis Nacionais. E aqui no Espírito Santo, a Aracruz veio e acabou com metade do espaço e das condições do desenvolvimento cultural daquela região. Mas eu quero parabenizar os resistentes da Comissão Estadual do Folclore, as 36 bandas de congo que participaram”, finalizou.
Fonte: POLÍTICA ES
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