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Redução da maioridade penal é tema de reunião da Comissão de Segurança

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Especialistas apontaram necessidade de avaliar motivos que levam menores de idade a praticar crimes / Foto: Paula Ferreira

A redução da maioridade penal esteve no centro das discussões da Comissão de Segurança e Combate ao Crime Organizado da Assembleia Legislativa (Ales) nesta terça-feira (5). Representantes do sistema de Justiça e segurança debateram o tema “Menoridade penal e criminalidade: entre a proteção e a responsabilização, o que precisa mudar?”.

Participaram do debate proposto pelo presidente da comissão, deputado Delegado Danilo Bahiense (PL), o titular da Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei (DEACLE), delegado Fábio Pedroto; o defensor público da Defensoria de Infância e Juventude de Vitória/ES, Douglas Admiral Louzada; e o comandante da Companhia Independente de Policiamento Escolar, major Eliandro Claudino.

Fotos da reunião

Na abertura da reunião, o presidente do colegiado apontou a necessidade de “tratar de um tema que já não pode mais ser enfrentado com discursos superficiais ou soluções paliativas: a crescente participação de adolescentes na criminalidade e os limites do modelo atual de responsabilização no Brasil”.

Bahiense reforçou o cenário desafiador ao lembrar que o crime organizado tem avançado sobre as crianças e adolescentes, “que são aliciados, cooptados e recrutados e, muitas vezes, utilizados como linha de frente do crime, justamente porque o sistema jurídico vigente oferece respostas que, na prática, se mostram insuficientes para coibir a reincidência e desestruturar essas organizações”.

Para o parlamentar, o Estatuto da Criança e do Adolescente é “uma conquista civilizatória”, concebido sobre os pilares da proteção integral e da prioridade absoluta. Por outro lado, questionou se o Estatuto está sendo efetivo. “(…) porque proteger não pode significar ignorar a gravidade dos atos praticados, nem permitir que adolescentes sejam instrumentalizados por facções criminosas com a certeza de que as consequências serão limitadas”.

O presidente da comissão ainda elencou pontos para reflexão no debate. Entre eles se o modelo atual inibe ou estimula a reincidência de práticas criminosas; se o limite de internação atual é compatível com crimes de extrema gravidade; e se o Estado tem estrutura para executar medidas socioeducativas de forma eficaz.

Contexto

O delegado Fábio Pedroto disse que 40% dos adolescentes que chegam ao Centro Integrado de Acolhimento Socioeducativo (Ciase) apresentam doenças mentais e evasão escolar, com menos de oito anos de escolaridade. Por isso, considera que a questão do ato infracional demanda uma análise de causas que vão além da resposta penal, da internação dos adolescentes.

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“Hoje a prática está muito mais relacionada a questões que envolvem saúde mental, evasão escolar, famílias disfuncionais, o cenário de desemprego dos pais, abandono parental… Então, tratar um problema com inúmeras causas achando que o tempo de internação vai resolver não é suficiente. É preciso que a gente entenda como se dá a vida dessa criança e adolescente até chegar ao ato infracional”, disse o delegado.

O defensor público Douglas Admiral apontou que houve significativa redução no número de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em Vitória. “Atualmente, menos de 500, num Estado que já foi denunciado em organismos internacionais por esta questão”. Ainda apontou queda de aproximadamente 65% no número de processos da Justiça, “de 1.032, em 2019, para 357 em 2025”, informou.

Outro dado que o defensor propôs reflexão é quanto ao perfil dos menores em conflito com a lei. “A maioria dos adolescentes infratores com 17 anos saíram da escola com sete anos de estudo, residem em locais com alto índice de pobreza e são majoritariamente negros. Dos que estão cumprindo medida socioeducativas, 94% são pardos e pretos. Na Bahia, que teria a maior população preta do país, são 90%. Em São Paulo e Rio de Janeiro são 65%. Algo acontece no Espírito Santo e a Academia precisa olhar para isso, é preciso levar políticas públicas para esse público”.

Sobre a redução nos processos e no número de infratores em Vitória, Douglas aponta duas prováveis causas: a efetividade do cumprimento das medidas socioeducativas em meio aberto e a redução de jovens, com o envelhecimento da população. “Apenas 20% dos adolescentes que cumprem medidas em meio aberto reincidem no ato infracional, contra a média de 40% no geral”.

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O major Eliandro Claudino defendeu a atuação do Estado na fase anterior à entrada dos adolescentes na delinquência e apontou a escola como espaço para fomentar as ações. “Não é jogar mais um encargo sobre os educadores, mas transformar o espaço da escola em local de se executar políticas públicas para atender a essas crianças e adolescentes, com assistentes sociais e outros profissionais para verem esse público para além da condição de aluno”.

Além de considerar a reunião muito proveitosa, “com grandes contribuições dos profissionais convidados para o debate do tema”, o presidente da Comissão de Segurança, deputado Delegado Danilo Bahiense, firmou sua posição a favor da redução da maioridade penal.

“Temos muitos políticos, muitos deputados federais, muitos senadores e também profissionais do Direito também que defendem essa redução, até porque o cidadão de 16 anos, às vezes é um homem de mais de 1,90 metro, já sabe muito bem o que está fazendo. Ele pode votar, e não pode ser votado. Na hora de ser responsabilizado por um crime hediondo, que pratica, ele vai pegar no máximo três anos de internação. Então, isso realmente é muito complicado e nós tivemos aqui uma série de sugestões de muitos profissionais da área, sugestões as mais diversas, mas nós temos que investir principalmente na família”.

Bahiense reforçou a importância da família e do Estado, “porque pobreza não é sinônimo de crime, pobreza não forma criminosos. O que forma criminosos é a falta de base, falta de estrutura familiar, falta de políticas públicas para trabalhar exatamente com a criança”.

O deputado ainda considerou o impacto do ambiente de violência sobre crianças e adolescentes: “Essas crianças e adolescentes precisam de atendimento psicológico, mas também os nossos servidores. Em 2023, somente na PM, 495 policiais foram afastados por problemas mentais e problemas graves. Imaginem, um policial, que teve a sua formação, e passa por uma situação dessa… Imagina a criança vivendo desde a mais tenra idade no ambiente de violência?”, finalizou.

Fonte: POLÍTICA ES

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Sessão solene celebra Dia Nacional do Líder Comunitário

A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) realizou, nesta terça-feira (5), no Plenário Dirceu Cardoso, sessão solene em homenagem ao Dia Nacional do Líder Comunitário. Cerca de 80 homenagens foram concedidas a pessoas e entidades que atuam como porta-vozes da população e trabalham por melhorias, direitos e qualidade de vida nos bairros e comunidades da Grande Vitória e do interior do estado.

Requerente da solenidade, o deputado Marcelo Santos (União), presidente da Ales, ressaltou que os líderes funcionam como vereadores ou deputados voluntários, sendo a primeira porta para as demandas da população. “Eles estão onde o dia a dia da cidade acontece, nas ruas, nos bairros. Estão onde os problemas e as demandas por serviços públicos surgem. São eles que levam essa voz aos Poderes. E essa sessão solene é uma forma de agradecer por esse papel tão importante que desempenham, sem receber remuneração”, explicou Marcelo.

Fernando Oliveira, representante das associações comunitárias da Grande São Pedro, em Vitória, ficou emocionado com a homenagem. “Eu acho que esse é o único momento no ano em que a gente tem esse espaço tão importante na política pública do Espírito Santo (…), um momento que hoje é só gratidão. A gente sabe das lutas, das batalhas de todos os dias. A gente presencia o sofrimento, até me arrepio em falar, que a comunidade passa”, desabafou.

A presidente da Federação dos Movimentos Populares de Viana (Femopovi), Stephanie Laport, também recebeu homenagem. “É um momento ímpar, porque nós do movimento social construímos a política de fato, dentro dos territórios. A gente tira a política do discurso e faz dela uma grande realidade na vida das pessoas e das comunidades. E sermos reconhecidos é ampliar nossa voz, de fato jogar luz nas nossas lutas, nas nossas demandas, e valorizar esse trabalho que acontece 24 horas por dia e é tão invisibilizado”, destacou.

Homenageados

Lideranças Comunitárias de Federações, Uniões e Movimentos
1. Alexandre Lemos Junior – Federação das Associações de Moradores de Cariacica – Famoc
2. Stephanie Laport Coelho Miranda – Federação dos Movimentos Populares de Viana – Femopovi
3. Emerson da Silva Costa – Federação das Associações de Moradores e Movimentos Populares de Cachoeiro de Itapemirim – Fammopoci
4. Regina Melo Schoefer – Federação das Associações de Moradores e Movimentos Populares de Guarapari – Famompog
5. Elza Costa – Conselho Popular de Vitória – CPV
6. Lucio Marcio Ferreira Leal – Conselho Comunitário de Vila Velha – CCVV
7. Lindomar Alves Scalfoni – Movimento Organizado da Saúde
8. Dodomir Antônio Freitas da Silva – União das Associações de Moradores e Movimentos Comunitários de Colatina – Unascol
9. Alexandre Leaeber da Silva – Associação Comunitária de Jardim Camburi – Acjac
10. Jonnathan Norberto da Cruz – Associação Comunitária de Jardim Camburi – Acjac

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Lideranças Comunitárias de Cariacica
11. Erildo Barone Ribeiro – Bubu
12. Eli Gomes – Santo Antônio
13. Jane Maria dos Santos Almeida – Campo Verde
14. Marcos Correia Leite – Vasco da Gama
15. Adriano Alves – São Geraldo II
16. Sávio Paranhos dos Santos – Rio Marinho
17. Daniel Alvarenga Saturnino – Nova Campo Grande
18. José Miguel Caçador – Santana
19. Rainilda Gonçalves de Souza – Maracanã
20. Maria da Penha Correia Andrade – São Geraldo II
21. João Batista Caetano de Jesus – Alzira Ramos
22. Elisângela Gonçalves Rodrigues – Vila Palestina
23. Natalino Rodrigues Lima – Vale dos Reis
24. José Alves Ferreira – Itapemirim
25. Acir Mendonça Pereira – Maracanã
26. Luiz Fernando Filomeno Pacheco – Porto de Santana
27. Rui Xavier – Campo Grande
28. José Carlos Coutinho – Campo Grande
29. Rogério Luiz De Souza – Vila Capixaba
30. Ana Helena Martins Bastos Murari – Campo Grande
31. Elisângela Gonçalves Silva – Nova Brasília
32. Wesley da Silva Ferreira – Vista Mar
33. Valdeir Pacheco dos Santos – Jardim Botânico e Caçaroca
34. Gabriel Coelho Marchesi – Nova Campo Grande
35. Valdineio Delfino Lima – Operário
36. Vera Lucia Masioli Santos – Nova Brasília
37. Rodrigo Euzébio – Padre Gabriel
38. Emili Rosiele – Vila Palestina
39. Ana Maria Tinoco – Padre Gabriel
40. Vilma de Oliveira – Nova Campo Grande

Lideranças Comunitárias de Viana
41. Genildo Cardoso da Penha – Marcílio de Noronha
42. Dalmo Belizário – Marcílio de Noronha
43. Valdirene Carvalho Spavier – Canaã
44. José Fábio Coutinho da Silva – Araçatiba
45. Ademir Trancoso Melo – Perobas

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Lideranças Comunitárias da Serra
46. Suelen Marcelino da Penha da Silva – José de Anchieta
47. Jean Bita de Andrade – José de Anchieta
48. Carlos Alexandre Trindade Rodrigues – Cantinho do Céu
49. Philipe Alvarenga Bandeira – André Carloni
50. Telma Miranda Azevedo – Cidade Continental, Setor Europa
51. Alvinho dos Santos – Cidade Continental, Setor de Oceania
52. Maria da Glória Torres – Lagoa de Carapebus

Lideranças Comunitárias de Vila Velha
53. Antônio Anibio da Silva Lehrbach – Argolas
54. Paula Crizanto da Silva – São Torquato
55. Aiezer da Silva Rocha – Residencial Coqueiral
56. Roseli da Silva Carvalho – Jardim Asteca
57. Adriana Silvério – Normilia
58. Marcio Borges Salles – Santos Dumont
59. Henrique Carneiro Born – Praia da Costa
60. Sebastião Luiz de Paula – Praia da Costa
61. Ana Paula Bessa Soares – Praia da Costa
62. Miriam Versiani Nery – Santos Dumont
63. Agnaldo Xavier do Nascimento – Paul

Lideranças Comunitárias de Vitória
63. Victor Baião Tavares – Barro Vermelho e Santa Luzia
64. Fernando Dos Santos Oliveira – Comdusa
65. Itamar Oliveira De Aquino – São José
66. Celso Henrique Luchini – Ilha das Caieiras
67. Drica Monteiro – Grande Vitória
68. Tercelino Miranda Leite – Jardim Camburi
69. Peterson Pimentel – Jardim Da Penha
70. Patricia Ribeiro Salgado da Silva – Atlântica Ville
71. Valter Guedes – República
72. Elias Azevedo Vicente – Grande São Pedro
73. César Saade – Praia do Canto
74. Marcos Vinicius Carneiro Goulart – Maruípe
75. Talita Guimarães – Ilha do Frade

Lideranças Comunitárias de Anchieta
76. Lanuci Antunes – Ubu
77. Shimerly de Oliveira Pereira – Chapada do A
78. Antônio Simões Ramalhete – Goembe

Lideranças Comunitárias de Guarapari
79. Elias Maciel dos Santos – Condados

Fonte: POLÍTICA ES

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