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Raquel Lessa concede comenda Dário Martinelli aos agricultores
Instituída em 2018, a comenda Dário Martinelli será entregue este ano, em sua maioria, aos agricultores rurais que participam da cafeicultura há gerações e elevam o nome do Espírito Santo na qualidade do café brasileiro. A Assembleia Legislativa (Ales) promove sessão solene em homenagem à Cadeia Produtiva do Café, nesta quarta-feira (13), a às 15 horas, no Plenário Dirceu Cardoso. A deputada estadual Raquel Lessa (Pros) é a proponente da sessão que concede aos homenageados a Comenda do Mérito Dário Martinelli, ‘pai do Café Conilon’. Entre os selecionados para receber a honraria estão o secretário estadual de Agricultura, Paulo Foletto e o diretor do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, Antônio Carlos Machado (Toninho do Incaper). O evento será transmitido ao vivo pela TV Assembleia.
“É na lida do dia a dia que homens e mulheres que cultivam o café capixaba vão agregando valor, às vezes sem perceber, a reconhecida qualidade da produção do Espírito Santo” – frisa a deputada que fez questão de homenagear a família do campo nesta solenidade: “Valorizar as trajetórias dessas vidas vai de encontro ao grande exemplo de determinação do Sr. Dário Martinelli, um homem que em face da maior crise do seu município, acreditou na sua gente para retomar a economia”.
Durante a solenidade será entregue a Comenda do Mérito Dário Martinelli, criada pela Resolução 5.291/2018 para homenagear os profissionais envolvidos no processo de cultivo e industrialização do café. A partir das 15 horas, haverá degustação do café Guardião, da Cooabriel, maior cooperativa de Conilon do mundo com 55 anos de tradição. Lançado este ano, o produto é comercializado em duas versões: extraforte e tradicional, com embalagens de 250 gramas.
O Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural) estará presente divulgando os levantamentos de pesquisas e tecnologias para a cafeicultura capixaba, o aumento de produtividade e melhoria da qualidade.
Dário Martinelli
Martinelli foi considerado o “pai do conilon” no Espírito Santo, em função de esforços feitos para superar a crise gerada, em São Gabriel da Palha, pelo Programa de Erradicação do Café do Governo Federal na década de 60. Ele nasceu em Santa Teresa, em 1933, e começou sua trajetória política no final da década de 1960 como vereador em São Gabriel da Palha. Exerceu o cargo de prefeito do município por dois mandatos. Foi também deputado estadual. Faleceu em setembro de 2015.
Café Capixaba
A cafeicultura é a principal atividade agrícola do Espírito Santo, desenvolvida em quase todos os municípios capixabas. Gera em torno de 400 mil empregos diretos e indiretos e está presente em dois terços das 90 mil propriedades agrícolas do Estado.
O Espírito Santo é o 2º maior produtor brasileiro de café, com expressiva produção de arábica e conilon. É responsável por 25% da produção brasileira, em média. Atualmente, existem 432.508 hectares em produção no Estado, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A atividade cafeeira corresponde a 43% do Produto Interno Bruto (PIB) agrícola capixaba.
A produção de café está em todas as regiões do Estado de maneira bastante diversificada, começando pelas espécies cultivadas. A cafeicultura capixaba é praticada em diferentes altitudes, sendo o arábica mais cultivado em regiões de temperaturas mais baixas e altitudes acima de 500 metros, enquanto o conilon é característico de regiões mais quentes, normalmente plantado abaixo de 500 metros de altitude.
Arábica
O café arábica é a principal fonte de renda em 80% das propriedades rurais capixabas localizadas em terras frias e montanhosas. O Espírito Santo é o terceiro maior produtor de arábica do Brasil, ficando atrás apenas dos estados de Minas Gerais e São Paulo. Atualmente, existem 166.043 mil hectares de café arábica no Espírito Santo espalhados por 48 municípios capixabas. Estima-se que a produção envolva 53 mil famílias. A cafeicultura de arábica gera em torno de 150 mil empregos diretos e indiretos.
Os maiores produtores capixabas de café arábica são os municípios de: Brejetuba, Iúna, Vargem Alta, Ibatiba, Muniz Freire, Irupi, Afonso Claudio, Domingos Martins, Ibitirama, Castelo, Mimoso do Sul, Santa Teresa.
Conilon
O Espírito Santo é o maior produtor de café conilon do Brasil, responsável por cerca de 70% da produção nacional. Somente o Estado é responsável por até 20% da produção desse tipo de café no mundo. O café conilon é a principal fonte de renda em 80% das propriedades rurais capixabas localizadas em terras quentes. É responsável por aproximadamente 30% do PIB agrícola capixaba. Atualmente, existem 266.465 hectares plantados de conilon no Estado. São 40 mil propriedades rurais em 63 municípios, com 78 mil famílias produtoras. O café conilon gera 250 mil empregos diretos e indiretos.
O Estado é considerado uma referência nacional, destacando-se também no cenário mundial, no desenvolvimento da cafeicultura do conilon, com uma produtividade média que já alcançou 35 sacas por hectare (sc/ha). Muitos produtores chegam a colher mais de 100 sc/ha.
Os maiores produtores de café conilon do Espírito Santo são os municípios de: Jaguaré, Vila Valério, Nova Venécia, Sooretama, Linhares, Rio Bananal, São Mateus, Pinheiros, Governador Lindenberg, Boa Esperança, Vila Pavão, São Gabriel da Palha, Colatina e Marilândia.
Lista de homenageados
1. Paulo Roberto Foletto
2. Antônio Carlos Machado
3. Adeilson José Lorencini
4. Adenilson Ferreira dos Santos
5. Advaldo Antônio Zotelle,
6. Angela Maria Risse Boecker
7. Antonio Lima de Andrade
8. Aurea Drago Mantovanelli
9. Carlos Schwartz
10. David Kipert Nascimento
11. Elmir Ton
12. Eugênio Quiuqui,
13. Flávio Bastianello,
14. Frederico Scharamm Filho
15. Gervasio Camata
16. Ildevar Prando
17. Joacir Ferreira da Fonseca
18. João Colombi Neto
19. José Alves de Matos
20. Lindemar Sarter
21. Mário Tadeu Andréa
22. Mateus Merlin Lourenço
23. Onivaldo Lorenzoni
24. Paulo Roberto Alves Roberti,
25. Paulo Sérgio Volpi
26. Rodrigo Márcio Rigo
27. Ronan Roque Fortuna
28. Tiago dos Santos
29. Valdeir Geraldo de Lazari
30. Waldir Feroni Junior
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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro
A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.
A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.
A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.
Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.
O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.
A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.
O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.
Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.
Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.
A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.
Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.
O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.
A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.
Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.
Fonte: Pensar Agro
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