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Queima Controlada: profissional do IDAF de São Gabriel fala sobre técnica e segurança da prática

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Foto mostra área pós-queima. Crédito: Idaf

A queima controlada é uma técnica que utiliza o fogo de forma planejada e com a aplicação de medidas específicas, visando principalmente a limpeza de áreas de cultivo. Essa prática é amplamente empregada na preparação do solo, renovação de pastagens e também na colheita de cana-de-açúcar. Para entender melhor sobre o assunto, conversamos com Diorrane Cozzer, técnica em fiscalização agropecuária do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (IDAF).

A utilização da queima controlada requer a observância de algumas regras e precauções para garantir a segurança e evitar prejuízos. Diorrane Cozzer destaca algumas das principais diretrizes a serem seguidas:

  1. Comunicação prévia: É fundamental que o responsável pela queima controlada avise os vizinhos com antecedência, informando o local, dia e hora previstos para o início do processo. O prazo indicado é de 3 a 7 dias antes da queima.
  2. Aceiro: Antes de iniciar a queima, deve-se fazer um aceiro ao redor da área a ser queimada, com largura mínima de 2 metros. Essa faixa limpa atua como uma barreira para impedir a propagação do fogo além do limite desejado.
  3. Vigilância e combate a incêndio: Ao longo do aceiro, é necessário contar com pelo menos um vigilante a cada 200 metros, além de disponibilizar materiais adequados para combater possíveis incêndios. Essa medida busca garantir a pronta resposta em caso de necessidade.
  4. Proximidade de linhas de transmissão: Em áreas próximas a linhas de transmissão de energia elétrica, a largura mínima do aceiro deve ser de 4 metros. Além disso, deve haver um vigilante a cada 100 metros nesses casos, intensificando a segurança para evitar riscos.
  5. Restrições de horário: Não é permitido realizar a queima controlada no período compreendido entre as 18:00 horas e as 06:00 horas. Essa restrição busca evitar situações em que a falta de luz natural dificulte o controle adequado do fogo.
  6. Condições climáticas favoráveis: É recomendado escolher dias e horários com baixas temperaturas, alta umidade e ventos fracos. Essas condições contribuem para minimizar os riscos de propagação do fogo e garantir um maior controle durante a queima.
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Diorrane Cozzer enfatiza que qualquer proprietário rural pode solicitar autorização para a prática da queima controlada. No entanto, é importante observar que existem critérios para a concessão dessa autorização. É expressamente proibida a queima em áreas de preservação permanente, como em volta de rios e córregos, em uma distância inferior a 1 km de área urbana, hospitais, escolas e subestações de energia. Nas proximidades de rodovias e linhas de transmissão, as restrições variam conforme cada caso.

Um dos principais benefícios destacados pelos produtores rurais é a rapidez com que a queima controlada limpa a área, removendo toda a matéria orgânica presente. No entanto, é importante salientar que o uso do fogo exige cautela e responsabilidade, pois a queima sem os devidos cuidados pode resultar em incêndios de grandes proporções, colocando em risco casas, pessoas e animais.

Para garantir a segurança e evitar problemas, a autorização para o uso de queima controlada é obrigatória em todo o estado do Espírito Santo. Os produtores interessados devem se dirigir ao escritório do IDAF para solicitar uma vistoria em sua propriedade. É válido ressaltar que, no período de maio até o final de outubro de cada ano, é proibida a realização da queima controlada em todo o estado.

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As medidas restritivas e a obrigatoriedade da autorização têm como objetivo proteger o meio ambiente e evitar danos irreparáveis causados por incêndios descontrolados. Em caso de descumprimento das normas estabelecidas, podem ser aplicadas multas e, em situações mais graves, até mesmo o embargo da área queimada.

É importante lembrar que o fogo é um elemento de difícil controle e, quando não manejado corretamente, pode causar sérios danos. Caso ocorra um incêndio descontrolado, é necessário acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros para uma resposta efetiva e segura.

A queima controlada, quando realizada dentro das normas estabelecidas, pode ser uma ferramenta eficaz para o manejo de áreas rurais. No entanto, é indispensável que os agricultores e pecuaristas adotem as medidas de segurança adequadas, respeitando as regulamentações vigentes e contribuindo para a preservação do meio ambiente e a segurança de todos.

Imagem mostra leiras liberadas para queima. Foto: Idaf

Fonte: Editora Hoje

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Exportações de ovos capixabas ganham destaque no mercado internacional em meio à crise global de gripe aviária

Nos primeiros cinco meses de 2025, o Espírito Santo registrou um novo recorde nas exportações de ovos, com US$ 3.607.142 em valor comercializado e um volume embarcado de 1,6 mil toneladas. O desempenho obtido de janeiro a maio já supera todo o acumulado da série histórica. Os dados foram apurados pela Gerência de Dados e Análises da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).

Neste ano, as exportações alcançaram 25 destinos internacionais, com um aumento concentrado e expressivo para os Estados Unidos. Os três principais destinos em valor exportado foram:

-Estados Unidos: tornaram-se, pela primeira vez, o maior parceiro comercial absoluto do Espírito Santo nesse segmento, com US$ 3.508.537 e 1.573.875 kg — equivalentes a mais de 97% do valor e 97% do volume total exportado no período.

-Panamá: manteve sua recorrência como destino relevante, com US$ 16.056 e 6.337 kg.

-Ilhas Marshall: ocupam a terceira posição, com US$ 14.812 e 5.841 kg, reafirmando sua constância na pauta exportadora capixaba.

Na comparação dos dados de janeiro a maio de 2025 com o mesmo período do ano anterior, o Estado embarcou 1.612 toneladas do produto, gerando US$ 3,6 milhões em receita — um salto de +682% em valor e +370% em volume, em relação ao mesmo período de 2024, quando foram exportados 343 toneladas e US$ 461 mil.

Esse desempenho supera, em ritmo de crescimento, a média nacional. No mesmo intervalo, o Brasil como um todo exportou 26,1 mil toneladas, totalizando US$ 86,1 milhões, o que representa um aumento de +35,7% em volume e +25,4% em valor em comparação ao ano anterior.

O aumento expressivo da demanda internacional por ovos brasileiros em 2025 tem como principal causa o agravamento da crise sanitária provocada pela gripe aviária (H5N1), especialmente nos Estados Unidos, onde surtos sucessivos levaram ao abate massivo de aves poedeiras e à consequente escassez no mercado interno. Esse cenário provocou um aumento significativo dos preços e forçou os importadores norte-americanos a buscarem fornecedores externos.

Além da crise sanitária, o desempenho das exportações capixabas de ovos em 2025 também é resultado de um trabalho consistente ao longo dos últimos anos, com foco na qualidade sanitária da produção, na ampliação dos mercados internacionais e no fortalecimento da avicultura comercial. A rápida resposta à oportunidade gerada pela crise global da gripe aviária demonstra não apenas a capacidade de adaptação do setor, mas também o preparo técnico dos produtores e a articulação do Estado junto às exigências do comércio exterior.

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Nesse sentido, o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, destacou: “Esse movimento reflete não apenas o aumento da demanda externa como reação à crise de escassez, mas também o atendimento a requisitos sanitários e certificações técnicas por parte dos produtores e exportadores capixabas. Em 2023, quando a influenza aviária ganhou força, também notamos um aumento expressivo nas exportações de ovos capixabas. Mas, em 2025, a comercialização de ovos ao exterior foi significativamente superior e abriu novas oportunidades de mercado para os nossos avicultores, que são os mais produtivos do Brasil”, ressaltou.

A partir de fevereiro, os EUA passaram a importar ovos do Brasil também para consumo humano direto e não apenas para uso industrial, o que impulsionou os volumes embarcados. Além disso, a confiança na qualidade sanitária da produção brasileira, somada à agilidade logística e à diversificação de canais de exportação, contribuiu para que o Brasil se tornasse uma alternativa estratégica diante do déficit global de oferta.

Nesse contexto, o gestor de projetos da Seag, Filipe Barbosa Martins, destacou a relevância dessa mudança no perfil da demanda internacional. “Anteriormente, o mercado norte-americano limitava-se à importação de ovos e derivados exclusivamente para a formulação de rações destinadas à alimentação animal. Contudo, diante da escassez gerada pelos surtos de influenza aviária em países produtores, passou a permitir a entrada de ovos como insumo na indústria de alimentos para consumo humano. Essa mudança amplia significativamente o potencial de demanda e abre novas oportunidades de negócios para os produtores capixabas”, salientou.

O diretor executivo da Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES), Nélio Hand, também descreve o atual cenário como uma oportunidade de ampliação do comércio internacional. “A expectativa é de que os volumes se mantenham aquecidos, até em razão da questão da reposição de plantel. E, mesmo que ocorra alguma desaceleração, os volumes de exportação devem se manter mais altos. O Espírito Santo pretende continuar ativo nesse mercado”, afirmou Hand.

Produção de ovos no Espírito Santo

De acordo com a AVES, em 2024 foram produzidos aproximadamente 5,2 bilhões de ovos de galinha e 1,7 bilhão de ovos de codorna, o que equivale a uma média diária de 14,1 milhões de ovos de galinha e 4,7 milhões de ovos de codorna.

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Você já parou para pensar quantos ovos, em média, são produzidos para cada capixaba? Com a atual produção daria para fornecer, por habitante, cerca de 1.280 ovos de galinha e 419 de codorna ao longo do ano — ou seja, quase 1.700 ovos por pessoa. Isso equivale a 4,7 ovos por dia para cada morador do Estado, considerando todas as faixas etárias, sendo 3,5 de galinha e 1,2 de codorna. O Espírito Santo é responsável por cerca 7% da produção de ovos no Brasil.

O município de Santa Maria de Jetibá é o maior produtor de ovos do Brasil, com vantagem considerável em relação ao segundo colocado (Bastos/SP). Essa atividade é tão importante para Santa Maria de Jetibá, que 56% do Valor Bruto da Produção Agropecuária do município é referente à produção de ovos de galinha. No Espírito Santo, a renda rural obtida pelos avicultores na produção de ovos de galinha foi de quase R$ 2 bilhões em 2023.

O Espírito Santo também se destaca na produção de ovos de codorna, sendo o segundo maior produtor do Brasil com cerca de 18,5% da produção brasileira. O município de Santa Maria de Jetibá é o maior produtor de ovos de codorna do Brasil, e com larga vantagem em relação ao segundo colocado (Carpina/PE).

A impressionante produtividade da avicultura capixaba não apenas garante o abastecimento local com sobra, mas também permite que o Espírito Santo se destaque no abastecimento do Brasil e, ainda assim, se encaixar como um fornecedor confiável em um cenário global de escassez e demanda aquecida.

“Precisamos considerar que a exportação não é uma operação fácil e que, muitas vezes, apresenta um custo muito alto. Entendemos que o Espírito Santo vai se manter no mercado norte-americano, além de continuar buscando novas oportunidades no cenário mundial”, pontuou Nélio Hand.

Com o comunicado oficial de que as autoridades chilenas reconheceram o Espírito Santo como zona livre da Doença de Newcastle — uma doença viral contagiosa que afeta várias espécies de aves — esse anúncio reforça a credibilidade sanitária do Estado em relação à segurança do alimento.

Fonte: Seag

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