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Pancas é o primeiro município a receber o ônibus de atendimento à mulher do campo
O Município de Pancas foi o primeiro a receber a Unidade Móvel de Atendimento à mulher do campo, da Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH), em 2019. O veículo estacionou no distrito de Vila Verde, na última quinta-feira (14), e levou atividades de prevenção, conscientização e de combate à violência contra a mulher.
Este foi o primeiro município do Estado a receber o Ônibus Lilás em 2019, como parte da programação do mês da mulher da SEDH.
A vice-governadora Jacqueline Moraes prestigiou o encontro e enfatizou a importância de debates que tragam reflexões sobre a necessidade da prática da paz nos lares. “Quando uma mulher é agredida no seio do seu lar, os filhos são agredidos junto com toda a família. A violência doméstica precisa acabar no Espírito Santo. A primeira violência é aquela que não sangra. É a violência verbal, psicológica que tenta subjugar o outro. Precisamos nos educar e nos reeducar. Precisamos trabalhar na prevenção. Não podemos perder isso de vista”, disse.
A secretária de Estado de Direitos Humanos, Nara Borgo, é cidadã da cidade e emocionou-se ao falar aos moradores do local. “É difícil falar em casa, a voz fica até embargada. Tantos aqui hoje me viram crescer e eu queria agradecer a presença de todos. Estamos aqui para trazer serviços e informação, pois acreditamos que, acima de tudo, o que empodera uma mulher é informação e educação” disse.
A secretária lembrou também do apoio da prefeitura, vereadoras e vereadores, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Espírito Santo (Fetaes) e do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher do Estado do Espírito Santo (Cedimes).
Para Josefânia Lopes Nascimento, de 39 anos, moradora de Pancas e agente da prefeitura, ações como essas são importantes. “Muita gente sofre e não tem informação sobre como denunciar. Eu acredito que falar sobre isso estimula”, contou.
Durante a ação houve atendimento de saúde com testes rápidos de HIV, Hepatite A, Hepatite B, Sífilis, e de Glicemia, com os resultados saindo na hora. Também houve rodas de conversa e atendimentos psicossociais com as moradoras presentes, além de brincadeiras para as crianças.
Alunos do projeto Espaço da Alegria, fundado pelo avô da secretária, em 1967, encenaram uma apresentação teatral retratando a violência doméstica, emocionando os presentes.
Cronograma
No próximo dia 20, a unidade estará na região de Buenos Aires, em Guarapari. O local recebe também, na mesma data, a Roda de Conversa para pessoas LBT. Por fim, no dia 26 de março, a unidade estará no município de Aracruz, na Aldeia Caieiras Velha.
O veículo atua em atividades que promovem a prevenção, levando conscientização ao combate à violência contra a mulher. As ações da Unidade Móvel são coordenadas pela Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH), sempre em parceria com o Fórum Permanente de Enfrentamento da Violência contra as Mulheres do Campo, além das prefeituras municipais.
Assessoria/Sedh
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Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita
O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.
Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.
O “ladrão silencioso” no pasto
Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.
O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.
A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.
Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.
A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.
Fonte: Pensar Agro
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