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Manifestação de caminhoneiros e filas nos postos marcam quinta-feira gabrielense
A mobilização dos caminhoneiros que ocorre desde segunda (21), é nacional e vem recebendo apoio de todo o país em qualquer cidade brasileira, o motivo é a alta no valor do combustível, o que desmotivou e revoltou quem precisa dos veículos para sustentar suas famílias.
Com a paralisação dos caminhoneiros, o abastecimento de postos de gasolina não pôde acontecer e sem combustíveis para vender, alguns postos pararam de funcionar, por conta disso filas e mais filas foram se formando ao longo do dia no centro de São Gabriel da Palha, a população procurou se precaver e abastecer carros, motos e galões, pois não se sabe quando o sistema será normalizado. Segundo relatos, o tempo de espera em alguns estabelecimentos foi de até 30 minutos.
Ainda em São Gabriel da Palha, a Cooperativa dos Caminhoneiros de São Gabriel da Palha (Coopcam) convidou a toda população gabrielense para participar de uma carreata para se manifestar contra a alta do combustível. Que recebeu apoio da comunidade pelas janelas e calçadas. Caminhoneiros relatam que com o atual valor do diesel existe a dificuldade em sustentar as famílias.
Fila para abastecer
Com a paralisação dos caminhoneiros nas estradas e rodovias de todo o País, o abastecimento dos postos de combustíveis ficou comprometido, em São Gabriel da Palha, até o fechamento da edição foi constatado que 5 de 6 postos instalados no município já estavam sem gasolina, o único que ainda possuía alguns litros para fornecer era o Auto Posto Amigão no bairro Cachoeira da Onça. A população, na tentativa de manter os tanques dos veículos cheios, enfrentaram filas e chegaram a esperar cerca de 20 à 30 minutos para abastecer.
Caminhoneiros se manifestam em São Gabriel
A Coopcam realizou na tarde de ontem uma carreata no município, a fim de chamar a atenção da população quanto ao aumento no valor do combustível. Os próprios motoristas relataram que a situação não é das melhores. O motorista de caminhão, Wanderson Bruni, está há mais de 10 anos na profissão, é cooperado da Coopcam e falou sobre a situação. “O valor do diesel está fazendo com que o caminhoneiro não consiga manter as despesas do caminhão, pois 65% do frete está indo para o tanque do caminhão, se nada mudar não conseguirei sustentar minha família, pois não está sobrando nada”.
“Decidimos fazer essa carreata para chamar a atenção da população gabrielense, mostrar a realidade e dificuldade do caminhoneiro, precisamos de apoio, essa reivindicação é mais que justa, para que o governo reavalie o preço dos combustíveis que não estamos conseguindo trabalhar com valores abusivos”, comentou o presidente da Coopcam, Advaldo Antônio Zottele.
Apoio da comunidade
Grande parte da população aderiu a manifestação dos caminhoneiros, o apoio não vem só das ruas, mas também das redes sociais, em páginas e perfis no Instagram, Facebook e Twitter estão divulgando imagens e mensagens usando as hashtags #SomosTodosCaminhoneiros e #EuApoioAGreveDosCaminhoneiros, mostrando que a população aderiu a manifestação e está lutando junto com os caminhoneiros para a diminuição dos valores e taxas, além de outras reivindicações.
Hartung considera legítimo o movimento da categoria
Desde o dia 21 com paralisação dos caminhoneiros, o governador Paulo Hartung afirmou, na tarde desta quinta-feira (24), que, por conta dos altos impostos cobrados no valor final do óleo diesel, considera legítimo o movimento da categoria, mas fez um pedido para que os caminhoneiros não tencionem a situação para níveis que prejudiquem a população. Quero fazer um apelo aos motoristas. O movimento tem justificativa, mas não precisa evoluir na direção de penalizar o conjunto da população. Precisamos que nossos hospitais funcionem, que a população tenha acesso aos alimentos, que o transporte coletivo funcione e não falte combustível para a realização dos serviços essenciais como funcionamento de viaturas, ambulâncias e abastecimentos essenciais como oxigênio nos hospitais, por exemplo. Estou me referindo a questões essenciais. Precisamos que um movimento como este não prejudique a população”, apelou o governador.
“O Espírito Santo não foi na direção do Governo Federal e dos demais Estados. Fizemos uma austeridade fiscal focada na redução dos gastos próprios e não com aumento de tributos. Não fomos pelo caminho mais fácil de aumentos de impostos. Na minha opinião esse movimento tem razão e a carga tributária sobre o diesel não é sustentável e tem que mudar, tem que reduzir para baixar o valor final do diesel nos postos de gasolina”, analisou.
O governador informou que, hoje (25) o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) terá uma reunião com representantes da União e dos Estados para debater a questão tributária do óleo diesel. Paulo Hartung disse que, junto com a União e demais Estados, o Espírito Santo está disposto a reduzir impostos.
Combustível mais caro durante o dia
Já alguns dos postos de combustíveis presentes na cidade aumentaram o valor da gasolina, ao todo, nossa equipe monitorou os preços nas últimas 48 horas e mesmo com a redução de valor anunciado nas distribuidoras, o preço do combustível subiu em três postos da cidade. O maior aumento registrado por nossa equipe foi de R$0,16 em um, R$ 0,08 em outro e R$ 0,03 num terceiro. Os outros três postos da cidade não realizaram aumento no valor do combustível.
O Procon ES emitiu uma nota que vale para todo o território capixaba para que os postos não subam os preços praticados no dia anterior, os consumidores que se sentirem lesados podem procurar o Procon de seus municípios para verificar esse possível aumento abusivo.
Editora Hoje
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Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita
O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.
Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.
O “ladrão silencioso” no pasto
Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.
O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.
A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.
Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.
A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.
Fonte: Pensar Agro
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