Geral - ES1.com.br
Levantamentos oficiais da Conab e do IBGE confirmam safra recorde de grãos
Dois levantamentos oficiais divulgados nesta terça-feira (15.09) confirmaram que o Brasil ampliou novamente a produção de grãos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou a safra 2025/26 em 361,7 milhões de toneladas, enquanto o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calculou em 352,9 milhões de toneladas a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026.
Os números são diferentes porque as instituições adotam calendários, grupos de produtos e métodos próprios. A Conab acompanha o ano-safra, enquanto o IBGE organiza os dados pelo ano civil. As duas pesquisas, porém, convergem no que importa: a produção e a área cultivada cresceram, a soja puxou o avanço e o Brasil consolidou mais uma temporada de grande oferta.
Pela Conab, a colheita aumentou 2,6% em relação ao ciclo anterior e estabeleceu um recorde. Pelo IBGE, o crescimento foi de 2%, com acréscimo de 6,8 milhões de toneladas sobre 2025. As áreas calculadas também ficaram próximas: 83,5 milhões de hectares no levantamento da companhia e 83,1 milhões no levantamento do instituto.
A safra estimada pela Conab superou em cerca de 7 milhões de toneladas a primeira previsão para o ciclo, divulgada em outubro de 2025. O resultado mostra que as lavouras responderam melhor do que o esperado, com ganhos de produtividade, condições climáticas favoráveis em regiões importantes e maior incorporação de tecnologia.
Para o produtor, uma safra maior significa melhor aproveitamento dos investimentos feitos em sementes, fertilizantes, máquinas e manejo. Quando a produtividade aumenta, parte dos custos da propriedade é distribuída por um volume maior de sacas, o que pode melhorar o resultado por hectare.
A oferta elevada, entretanto, também aumenta a importância da estratégia comercial. Mais produção amplia a necessidade de armazenagem, transporte e escoamento e pode pressionar os preços em momentos de concentração da colheita. O ganho produtivo precisa ser acompanhado por venda planejada, proteção de preços e escolha adequada do momento de negociação.
A perspectiva para a nova temporada mantém o tom positivo. A Conab estima que a safra 2026/27, que começa a ser implantada, poderá alcançar 366,6 milhões de toneladas, alta de 1,4%. A área deve avançar para 85,3 milhões de hectares e compensar uma pequena redução esperada na produtividade média.
A soja foi o principal motor do recorde. A Conab estimou a produção em 180,4 milhões de toneladas, alta de 5,2%, enquanto o IBGE calculou 174,8 milhões, avanço de 5,3%. Embora os volumes sejam diferentes, os dois levantamentos apontam praticamente a mesma taxa de crescimento.
O resultado combina expansão da área com maior produtividade. Além de ampliar a oferta, a colheita sustenta uma previsão recorde de exportação de 116,2 milhões de toneladas. Para o produtor, a demanda externa ajuda a absorver o volume e reduz o risco de toda a pressão da safra ficar concentrada no mercado doméstico.
No ciclo 2026/27, a soja poderá alcançar 181,6 milhões de toneladas. A expansão da área, estimada em 1,4%, será a menor em duas décadas, mas a produção continuará em nível recorde. O ritmo mais moderado também indica uma decisão mais seletiva do produtor diante dos custos e das margens da cultura.
O milho apresentou outro resultado expressivo. A Conab calculou 144 milhões de toneladas, crescimento de 2%, enquanto o IBGE chegou a 141,8 milhões. A primeira safra alcançou produtividade recorde de 7.191 quilos por hectare, e a segunda colheu 112,1 milhões de toneladas.
Para a próxima temporada, a produção total de milho pode chegar a 148 milhões de toneladas, alta de 2,8%. A área da primeira safra deverá crescer 10,7%, elevando a colheita para 32,1 milhões de toneladas, o maior volume dos últimos 13 anos.
O cereal encontra um mercado doméstico em expansão. A produção de aves e suínos aumenta o consumo de rações, enquanto as usinas de etanol de milho criam uma demanda permanente durante todo o ano. As exportações, projetadas em aproximadamente 46 milhões de toneladas, completam o cenário de absorção da oferta.
O algodão também encerrou a safra com recorde. A produção atingiu 4,14 milhões de toneladas de pluma, 1,5% acima do ciclo anterior. O destaque foi a produtividade, que cresceu 4,9% e compensou a redução de 3,2% na área.
O resultado mostra que o produtor conseguiu colher mais utilizando uma área menor. Para 2026/27, a produção pode avançar para 4,2 milhões de toneladas de pluma, apoiada na demanda internacional e na recuperação da área plantada.
O sorgo registrou a maior expansão proporcional entre as principais culturas. A produção aumentou 20,4% e chegou a 7,35 milhões de toneladas, enquanto a área cresceu 32,9%.
A cultura se consolidou como alternativa para áreas que perderam a melhor janela do milho segunda safra. Sua maior tolerância ao déficit hídrico permite ao produtor manter o solo ocupado, diversificar a produção e atender mercados de ração e alimentação animal mesmo quando o calendário climático se torna mais apertado.
No arroz, a produção menor pode contribuir para uma recuperação gradual dos preços ao produtor após um período de margens comprimidas. A Conab estimou 11,08 milhões de toneladas, queda de 13,2%, enquanto o IBGE calculou 11,2 milhões, retração de 11,2%.
A redução ocorreu principalmente porque os preços baixos desestimularam o plantio e levaram parte da área para soja e milho. Apesar disso, a produtividade média do arroz cresceu 1%, sinal de que as lavouras mantiveram bom desempenho técnico.
Para 2026/27, a Conab já prevê uma reação de 0,9% na área. A produção poderá ficar em 10,76 milhões de toneladas devido à expectativa de rendimento menor, mas a redução dos excedentes e a recuperação das cotações podem devolver atratividade à cultura e estimular novos ajustes ao longo do ciclo.
O feijão encerrou a safra com 2,95 milhões de toneladas, segundo a Conab. A produção caiu 3,6%, mas a produtividade cresceu 2,2%, compensando parte da redução de 5,7% na área.
A oferta permanece acima do consumo nacional estimado em 2,7 milhões de toneladas. Para o produtor, a menor disponibilidade pode favorecer a recuperação dos preços sem indicar, neste momento, risco de desabastecimento. A rapidez do ciclo também permite ajustar o plantio às condições de mercado nas três safras cultivadas ao longo do ano.
Na temporada 2026/27, o feijão deve permanecer próximo de 2,9 milhões de toneladas. A perspectiva é de pequeno aumento da área, limitado por uma produtividade mais cautelosa diante dos riscos climáticos.
O trigo apresentou a maior retração, com produção estimada pela Conab em 5,74 milhões de toneladas, 27,1% abaixo do ciclo anterior. O IBGE trabalha com 6,3 milhões de toneladas, mas também aponta forte redução da área.
Embora o resultado seja menor, o mercado brasileiro continua oferecendo espaço ao produtor. O país deverá importar 7,06 milhões de toneladas, volume superior à produção nacional. Essa dependência revela potencial para substituir parte das compras externas se preços, crédito, seguro e condições de comercialização tornarem o cultivo novamente atrativo.
Em conjunto, os levantamentos da Conab e do IBGE mostram uma agricultura capaz de crescer em área e produtividade, responder à demanda externa e abastecer novas indústrias dentro do país. O desafio agora é transformar o recorde físico em resultado econômico, com preços remuneradores, crédito, seguro, armazenagem e logística compatíveis com uma produção que já supera 350 milhões de toneladas e continua avançando.
Fonte: Pensar Agro
Geral - ES1.com.br
Como melhorar a análise de propostas comerciais no setor de compras
A análise de propostas comerciais ocupa um papel decisivo no setor de compras porque influencia custos, qualidade, prazos, riscos operacionais e até a continuidade do negócio.
Quando esse processo é conduzido de forma apressada ou baseada apenas no menor preço, aumentam as chances de retrabalho, desalinhamento contratual e decisões que parecem vantajosas no curto prazo, mas se mostram caras ao longo da operação.
Em uma rotina corporativa marcada por múltiplos fornecedores, demandas internas urgentes e critérios técnicos variados, a avaliação precisa ser estruturada. Uma boa análise depende de método, clareza e capacidade de comparar elementos objetivos e subjetivos sem perder de vista o contexto real da empresa.
1. Defina critérios antes de receber as propostas
A qualidade da análise começa antes mesmo da chegada dos documentos. Quando o setor de compras estabelece critérios prévios, reduz interpretações improvisadas e cria uma base mais justa para comparar propostas que, à primeira vista, podem parecer semelhantes.
Esses critérios podem incluir escopo, prazo de entrega, condições de pagamento, suporte, aderência técnica, histórico de atendimento e riscos envolvidos. Com esse alinhamento inicial, a decisão deixa de depender apenas da percepção individual e passa a seguir parâmetros consistentes.
2. Compare o escopo com atenção minuciosa
Nem toda proposta que parece completa realmente atende ao que foi solicitado. Muitas diferenças relevantes estão em detalhes de escopo, como itens excluídos, limites de atendimento, responsabilidades compartilhadas ou condições específicas de execução.
A comparação cuidadosa evita que uma opção aparentemente mais econômica gere custos extras depois. O setor de compras ganha mais segurança quando observa não apenas o que está incluído, mas também o que ficou implícito, condicionado ou fora da entrega.
3. Considere o custo total, não apenas o preço inicial
Uma proposta comercial competitiva nem sempre é a mais barata na prática. Custos com implantação, manutenção, logística, suporte, ajustes, multas por atraso ou necessidade de complementações podem alterar de forma significativa a relação de custo-benefício.
Em operações mais complexas, a maturidade analítica do comprador faz diferença. Nesse contexto, iniciativas de capacitação como o Treinamento de Fiscal para Compradores na Reforma Tributária ajudam a ampliar a leitura técnica sobre impactos tributários e critérios que interferem diretamente na comparação entre fornecedores. Isso contribui para decisões mais completas, especialmente em cenários que exigem integração entre compras, fiscal e financeiro.
4. Verifique a capacidade real de entrega
Uma proposta bem redigida não garante, por si só, capacidade operacional. Por isso, vale observar se o fornecedor demonstra estrutura compatível com o volume, a complexidade e os prazos exigidos pela contratação.
Essa avaliação pode considerar equipe disponível, processos internos, experiência anterior, canais de suporte e consistência das informações apresentadas. Quando a empresa compradora examina a viabilidade da entrega, reduz a chance de contratar uma promessa que não se sustenta na prática.
5. Avalie os riscos escondidos nas condições comerciais
Condições comerciais podem trazer pontos críticos que passam despercebidos em uma leitura superficial. Prazos muito flexíveis para o fornecedor, cláusulas abertas, reajustes pouco claros, penalidades desequilibradas e dependências externas são exemplos de fatores que merecem atenção.
Uma análise madura observa os riscos embutidos na proposta e seu potencial de impacto no dia a dia da operação. Esse cuidado fortalece a previsibilidade, protege a relação contratual e evita conflitos que poderiam ser reduzidos ainda na fase de negociação.
6. Padronize a comparação entre fornecedores
Quando cada proposta é analisada de um jeito, a decisão tende a ficar mais subjetiva. A padronização ajuda a organizar informações essenciais em uma mesma lógica, facilitando a leitura comparativa e a justificativa da escolha.
Planilhas de avaliação, matrizes de critérios e modelos internos de equalização costumam tornar o processo mais transparente. Além de apoiar a tomada de decisão, esse tipo de organização favorece auditoria, governança e alinhamento entre compras, área solicitante e liderança.
7. Escute a área demandante sem perder a visão crítica
A área que solicitou a contratação costuma trazer percepções valiosas sobre necessidade técnica, urgência e aplicabilidade da solução. Esse olhar contribui para entender se a proposta realmente resolve o problema que originou a compra.
Ao mesmo tempo, o setor de compras precisa preservar sua função analítica. Ouvir a demanda interna é importante, mas sem abrir mão da avaliação crítica sobre condições comerciais, riscos e coerência entre necessidade e oferta apresentada.
8. Observe sinais de flexibilidade e parceria
A proposta comercial também revela como o fornecedor tende a se comportar ao longo da relação. Clareza nas respostas, disposição para ajustar escopo, transparência em limites de entrega e coerência na negociação são sinais que ajudam a projetar a qualidade da parceria.
Esse tipo de leitura é especialmente útil em contratações recorrentes ou estratégicas. Mais do que fechar uma compra pontual, muitas empresas precisam construir relações confiáveis, sustentáveis e capazes de responder bem a mudanças de cenário.
9. Registre a justificativa da decisão final
Uma decisão bem tomada precisa ser também bem registrada. Formalizar os critérios adotados, os diferenciais observados e os motivos da escolha fortalece a governança e reduz dúvidas futuras sobre o processo.
Esse registro facilita revisões, apoia negociações posteriores e contribui para a evolução da área de compras. Com histórico organizado, a empresa consegue identificar padrões, corrigir falhas e refinar continuamente sua forma de analisar propostas comerciais.
A análise de propostas comerciais melhora quando deixa de ser uma etapa burocrática e passa a ser tratada como uma decisão estratégica. Com método, senso crítico e visão integrada do negócio, o setor de compras amplia valor, reduz riscos e fortalece resultados de longo prazo.
-
Geral - ES1.com.br7 dias atrásComo apoiar a memória e a função cerebral naturalmente
-
Geral - ES1.com.br7 dias atrásFidelização de cientes inativos: estratégias de sucesso
-
Geral - ES1.com.br7 dias atrásBolsa de viagem ou mala: qual escolher para cada ocasião?
-
Geral - ES1.com.br7 dias atrásComo potencializar os cuidados diários com a pele
-
Artigos - ES1.com.br4 dias atrásComo diferenciar Autismo e TDAH – Artigo escrito pela neuropsicóloga gabrielense Jéssica Pereira Pelissari Oliveira
-
Regional - ES1.com.br4 dias atrásCooabriel 63 anos: o café conilon tem uma casa no Espírito Santo
-
Geral - ES1.com.br7 dias atrásO que é importante saber sobre a alergia à proteína do leite
-
Geral - ES1.com.br7 dias atrásFim do uso da biomassa nativa abre corrida para plantar mais de 400 mil ha de eucalipto







