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Inscrições abertas para a primeira etapa da CNSB 2026, em Vitória

Financiamento climático, biomas e transição industrial em debate na UFES; vagas limitadas

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Foto: Divulgação

O Instituto Sustentabilidade Brasil (ISB) abriu as inscrições para a primeira etapa do ciclo regional da Conferência Nacional Sustentabilidade Brasil 2026 (CNSB 26). A participação nos painéis é gratuita e as vagas estão disponíveis em cnsb2026.com.br até a lotação máxima dos espaços.

O ciclo vai percorrer três estados brasileiros. A etapa capixaba acontece nos dias 25 e 26 de junho na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em Vitória, em parceria com a instituição. O tema central é a relação entre financiamento climático, biomas e transição industrial, com recorte deliberado sobre como o dinheiro climático que circula nos fóruns internacionais chega, ou não chega, ao território. 

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Foto: Divulgação

A programação reúne dez painéis técnicos e quatro grupos de trabalho, com discussões que vão da operação do Fundo de Descarbonização do Espírito Santo (FUNSES), dotado de R$ 500 milhões em royalties de petróleo e gás, à engenharia financeira de projetos climáticos bancáveis, passando pelo marco regulatório do mercado de carbono brasileiro, pelo papel econômico dos manguezais como ativo de carbono azul e pelos critérios de equidade na distribuição de fundos climáticos.

“Não queremos falar de sustentabilidade como se ela existisse fora da economia real. A transição precisa ser construída dentro da indústria, não apesar dela. E o dinheiro climático que circula nos fóruns internacionais precisa chegar ao território. Esse é o debate que falta”, afirma Dani Klein, líder de curadoria da CNSB 2026 e diretora técnica do ISB.

Para Elias Carvalho, presidente do ISB, o problema não é de conteúdo. “Cinco anos de conferência ensinaram uma coisa: o debate sobre clima no Brasil é rico e o dinheiro climático é escasso no território. Não por falta de projetos, mas por falta de pontes. O que falta é uma arquitetura que conecte esse conhecimento às decisões de investimento. A CNSB existe porque esse elo não se constrói sozinho, e o ISB está aqui para isso.”

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A escolha do Espírito Santo para abrir o ciclo não é casual. O estado é o maior produtor individual de gás natural do país, mantém cobertura de Mata Atlântica acima da média nacional e concentra 114 quilômetros quadrados de manguezal, com um dos maiores estoques de carbono azul do Brasil. A conferência aposta nessa contradição como laboratório para os debates sobre transição justa e financiamento climático.

A segunda etapa está prevista para Natal, no Rio Grande do Norte, com foco em desertificação e segurança hídrica. A etapa funcionará como espaço preparatório para a COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, a ser realizada na Mongólia, e reunirá especialistas, comunidades e gestores em torno dos desafios específicos do semiárido nordestino frente às mudanças climáticas.

A terceira etapa ocorre em Campina Grande, na Paraíba, com agenda centrada em biomas, biopirataria e resiliência urbana frente às mudanças climáticas, temas que conectam a biodiversidade regional às disputas globais por conhecimento tradicional e às demandas crescentes por adaptação nas cidades.

Os resultados das três etapas serão consolidados em um Relatório Técnico Integrado bilíngue, que será apresentado na Brazil Connection, durante a Semana do Clima em Nova York, e na COP31, na Turquia. O modelo repete e amplia a atuação do ISB, assim como fez em Belém, onde o instituto coordenou a Casa Sustentabilidade durante a COP30, espaço de articulação e de projeção de iniciativas brasileiras que consolidou a organização como uma das principais plataformas da sociedade civil na maior conferência do clima já realizada no Hemisfério Sul.

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A curadoria da conferência é orientada por metas concretas de representatividade: 50% de equidade de voz entre mulheres e homens no palco e 40% de diversidade étnico-racial e regional na composição dos painéis, dos grupos de trabalho e da banca da jornada científica.

Criada em 2021 como Sustentabilidade Capixaba, a conferência consolidou-se em três edições como referência regional antes de ganhar abrangência nacional em 2024, com a primeira edição no Pavilhão de Carapina, em Serra. No ano seguinte, já como etapa preparatória para a COP30, realizou-se na Praça do Papa e resultou no livro Transformar para Existir: Políticas, Tecnologias e Justiça Climática, publicado em coedição com o ISB, a Kick, a UFES e o IJSN. A edição de 2026 é a sexta da série.

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Foto: Divulgação

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Serviço

Conferência Nacional Sustentabilidade Brasil 2026 (CNSB 26), Etapa Espírito Santo

Data: 25 e 26 de junho de 2026

Horário: das 9h às 19h

Local: UFES, Vitória/ES

Inscrição gratuita: cnsb2026.com.br

Vagas disponíveis até lotação máxima dos espaços

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Déficit de armazenagem supera um terço da safra: 120 milhões de toneladas

O déficit de armazenagem no Brasil já ultrapassa 120 milhões de toneladas e voltou ao centro das discussões do governo federal nesta quinta-feira (28), durante reunião entre o Ministério da Agricultura e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O encontro tratou da ampliação da capacidade de estocagem, formação de estoques públicos e medidas para reduzir os gargalos logísticos diante do avanço da produção agrícola brasileira.

Atualmente, a capacidade estática de armazenagem do País gira em torno de 210 milhões de toneladas, enquanto a safra brasileira de grãos deve superar 330 milhões de toneladas no ciclo 2025/26. Na prática, o Brasil produz muito mais do que consegue armazenar.

Durante a reunião, a Conab informou que sua rede própria possui capacidade próxima de 1,7 milhão de toneladas, com cerca de 1,2 milhão já ocupadas. O governo também confirmou a liberação de R$ 54,3 milhões em crédito suplementar para antecipar a compra de milho e reforçar os estoques reguladores diante dos possíveis impactos climáticos provocados pelo El Niño em 2026.

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O gargalo da armazenagem preocupa o setor agropecuário porque afeta diretamente a rentabilidade do produtor rural. Sem espaço para estocar a produção, muitos agricultores acabam obrigados a vender durante o pico da colheita, período em que os preços normalmente sofrem maior pressão de baixa devido à oferta elevada.

Além do impacto comercial, o déficit estrutural amplia perdas pós-colheita. Em regiões produtoras, especialmente no Centro-Oeste e no Matopiba, ainda são frequentes casos de grãos armazenados de forma improvisada ou mantidos a céu aberto enquanto aguardam transporte ou liberação de espaço nos armazéns.

Estimativas do setor apontam que as perdas pós-colheita no Brasil podem alcançar entre 10% e 15% da produção em algumas cadeias agrícolas, considerando falhas de armazenagem, problemas logísticos, umidade, ataque de pragas e deterioração da qualidade dos grãos.

O problema também pressiona os custos logísticos. Sem capacidade de retenção da safra nas propriedades, produtores precisam escoar rapidamente a produção em momentos de pico da demanda por transporte, elevando os preços do frete e aumentando filas em armazéns e terminais portuários.

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A discussão sobre armazenagem ganhou ainda mais relevância com o crescimento acelerado da produção brasileira nos últimos anos. Estados como Mato Grosso, Goiás, Bahia e Maranhão ampliaram fortemente a área cultivada, mas a expansão da infraestrutura não acompanhou o mesmo ritmo.

Nos bastidores do setor, cresce a avaliação de que o Brasil precisará ampliar investimentos em silos privados, armazenagem nas fazendas e modernização da rede pública para evitar que o déficit continue aumentando nas próximas safras.

Durante a reunião, o ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que os levantamentos da Conab sobre safra, estoques e custos de produção seguem sendo estratégicos para a formulação das políticas agrícolas do governo federal.

Fonte: Pensar Agro

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