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Estado contrata sistema eletrônico para combater fraude nos processos de trânsito
O Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran|ES), inicia nesta semana a implantação de um sistema de inteligência artificial e analítica para fortalecer a identificação, prevenção e o combate às fraudes na estrutura do trânsito. A Ordem de Serviço para contratação da Solução de Inteligência Analítica, como é chamado o sistema, foi assinada nesta terça-feira (13), pelo governador Renato Casagrande e pelo diretor geral do órgão, Givaldo Vieira, no Palácio Anchieta, em Vitória.
Após implantado, o sistema será capaz de fazer, em todos os procedimentos relacionados a veículos, habilitação, infrações realizadas pelo Detran|ES, uma análise detalhada do documento apresentado pelo cidadão para verificar a autenticidade do mesmo e conferir, no caso de falsificação, com documentos originais. O principal objetivo desta ação é identificar todos os padrões de fraude conhecidos e trabalhar firmemente no seu combate, afirmou o governador, em transmissão feita pelas suas redes sociais.
“Estamos adquirindo uma plataforma conhecida em todo mundo de análise de dados de forma muito rápida que irá ajudar na administração pública. Já usamos essa plataforma na Secretaria da Fazenda (Sefaz) e agora vamos usar no Detran. Vamos cumprir alguns objetivos com essa plataforma, entre eles, o combate à fraude. O sistema de inteligência artificial conseguirá analisar dados e os tipos de fraudes mais comuns, para que o sistema do Detran e a Polícia sejam alertados. É a nossa grande meta com a aquisição desse sistema”, apontou Casagrande.
De acordo com o governador, a otimização dos serviços e o fim dos processos em papel são outras funções importantes com a implantação do novo sistema:
“Outro grande objetivo é otimização, automação dos sistemas do Detran para que o cidadão tenha facilidade ao buscar os serviços do órgão, além de digitalização de todos os processos. Os serviços ainda são muito físicos, mas vamos avançar muito nessa automação e na digitalização dos processos. Esses dados coletados também alimentarão nosso Cerco Inteligente que será implantado na Região Metropolitana, diminuindo o número de carros roubados, sem documentação ou com documentação irregular, cargas irregulares, ou seja, vamos fazer um controle maior e trazendo mais segurança ao capixaba”, acrescentou Casagrande.
O diretor geral do Detran|ES afirmou que a gestão trabalha, de forma contínua e coordenada, para fechar as possiblidades de fraude no sistema de trânsito e, por isso, investe em soluções tecnológicas para tornar o Detran 100% Digital.
“Quando os procedimentos do órgão se tornam eletrônicos, como temos feito nas áreas de habilitação, veículos e estamos avançando na de infrações, imperam a impessoalidade, a rapidez e principalmente a autenticidade, o que representa atendimento mais digno aos cidadãos. A partir da Solução de Inteligência Analítica, o Detran também terá uma ferramenta qualificada para a criação do Observatório Estadual do Trânsito, pois o sistema tem capacidade de fazer cruzamento de dados e obter informações fidedignas sobre estatísticas do trânsito”, explicou Givaldo Vieira.
Combate à fraude
O Detran|ES realizará, em setembro, um workshop com foco no combate à fraude no sistema de trânsito com vistas a apresentar o sistema de inteligência artificial e analítica para especialistas e receber contribuições para padronizar a atuação do órgão na autuação de processos administrativos.
Participarão a equipe técnica especializada do Detran|ES, consultores da Solução de Inteligência Analítica e convidados de órgãos públicos que atuam em ações investigatórias de fraudes no trânsito, a exemplo de policiais das Delegacias Especializadas em Furto e Roubo de Veículos; de Defraudação; Delitos de Trânsito; equipe de Inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp); do Batalhão de Trânsito do Espírito Santo (BPTran) e do Ministério Público.
Inovação nos processos de multas
O sistema contratado pelo Detran|ES padronizará os recursos de multas e penalidades para oferecer aos usuários mais agilidade nos despachos dos processos analisados pelas três instâncias passíveis de recursos. Isto será possível porque serão identificados os processos mais rotineiros apresentados e, a partir das alegações apresentadas pelo cidadão recorrente e do auto de infração de trânsito, o sistema elaborará uma minuta do processo, o que agilizará principalmente o julgamento dos recursos.
Assessoria /Governo / Detran|ES
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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil
O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.
O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.
Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.
A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.
No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.
O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.
Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.
“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.
Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.
A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.
Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.
A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.
Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.
O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.
Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.
Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.
O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.
Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.
O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.
Fonte: Pensar Agro
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