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Entrevista com Robinho Parteli, prefeito de Vila Valério: “Acordamos todos os dias sabendo que teríamos uma batalha para vencer, e nunca desistimos”

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Foto: Editora Hoje

Esposo, pai, já foi vereador, Robson Parteli, conhecido popularmente como Robinho Parteli, é prefeito de Vila Valério. Robinho concedeu entrevista para a Editora Hoje e falou sobre seu mandato e momentos importantes. Confira:

Editora Hoje – Mesmo com os desafios, a Administração vai conseguir fechar o ano em dia com as contas assumidas em sua gestão? 

Robinho Parteli – Os desafios durante toda a minha gestão como Prefeito foram muitos, alguns muito complicados que me tiram o sono. Mas, com fé, pé no chão e muito trabalho árduo fomos vencendo os desafios impostos. Tivemos uma grande vitória e reconhecimento para o município de Vila Valério no ano 2019, quando o Tesouro Nacional divulgou o ranking referente às finanças públicas dos municípios brasileiros referente ao ano de 2018: nós obtivemos a Nota “A”. Isso significa que o município está com as certidões em dia, apto a receber recursos do Estado e da União, tem a capacidade de realizar pagamentos e está em acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso demonstra nossa responsabilidade com a sociedade valeriense.

Mesmo enfrentado um período crítico da economia brasileira, trabalhamos para fechar o ano com todas as contas assumidas em minha gestão em dia, esse é um compromisso que tenho com esse município.

 

 

Editora Hoje – A agricultura é uma das, senão a mais importante área econômica do município. Foram diversos desafios, mas cite os maiores avanços desse setor em Vila Valério. 

Robinho Parteli –  A agricultura é uma de nossas bases econômicas e a que mais movimenta o comércio local do município. Infelizmente, não conseguimos abranger e fazer tudo o que planejávamos dentro de nossa administração, tendo em vista que tivemos que optar dentre obras que a população tanto nos pedia para o município.   

Mas, mesmo diante de todos os desafios e dificuldades conseguimos realizar trabalhos em prol da agricultura de nosso município, como por exemplo, atendimentos com horas/máquinas para nossos produtores em suas propriedades, caixas secas, programa de estoca e preparação de terreno para plantio, patrolamento e manutenção de estradas.

Como já disse, nós queríamos ter feito muito mais, mas optamos por dar continuidade em outros setores que a população tanto almejava. Fizemos o possível para manter a qualidade de vida nas pastas como obras, infraestrutura, saúde, educação e agricultura que é a base econômica da nossa cidade.

 

 

Editora Hoje – Quando se fala em economia, sabemos dos inúmeros desafios encontrados pela gestão. Nos últimos meses nós temos enfrentado uma pandemia, qual lição o senhor tira de tudo isso? 

Robinho Parteli – Sem dúvidas é uma lição de vida dentro da vida pública. O mundo foi surpreendido por um vírus que abalou as maiores economias, cidades e países do mundo e não seria diferente em Vila Valério. Nós tínhamos um planejamento totalmente diferente para colocar em prática, e quando nos vimos nessa situação, tivemos que tomar decisões totalmente opostas, mesmo que a população não tenha entendido no momento a gravidade da situação, mas eu, como líder, tive a obrigação de adotar uma postura para que pudéssemos ultrapassar esse desafio da melhor forma possível.

Portanto, tivemos que fazer várias mudanças de gestão, junto aos órgãos superiores como Governo Estadual, Governo Federal, Ministério Público para poder conseguir avançar e trabalhar no controle da COVID-19.

 

 

Editora Hoje – Na área da educação, quais os avanços conquistados? 

Robinho Parteli – A Educação é papel fundamental para o desenvolvimento da sociedade, como gestor público priorizei o investimento na área da Educação no município, cito que me realizei como gestor e como cidadão valeriense em poder contribuir para a melhoraria no atendimento aos nossos alunos, professores e pais. O trabalho foi árduo, mas é muito gratificante ver os frutos agora, falo com o coração transbordando de alegria, pois conseguimos entregar uma obra tão almejada por toda população, que foi a escola EMEI Otília Breda De Martins no valor de R$ 2.3 milhões, e em parceira com o Governo Federal esse sonho pôde ser realizado. E não parou por aí, também teve a construção da EMEI Norberto Santana no valor de R$ 707.2 mil, em parceria com o Governo do Estado do Espírito Santo.

Nosso trabalho continuou com reformas e ampliações das Escolas EMEF Araribóia, EMEI Atílio Felipe, no valor de mais de R$ 496 mil, e EMEF VIVA Kaio Fredy Daré Grigoleto no valor aproximado de R$ 470 mil, EMPEF Córrego Paraíso Novo com investimento de cerca de R$ 45.2 mil, EMUEF Córrego da Saúde com aproximadamente R$ 18.5 mil e EMUEF Córrego Vargem Alegre com recursos de mais ou menos R$ 25.8 mil, obras estas, realizadas com recursos próprios.

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Ainda continuamos trabalhando para melhorar a qualidade da educação reformando as escolas EMEIEF Bernardo Mantovanelli no valor de quase R$ 74 mil; EMEF Maria Luiza Jorge dos Reis no valor de mais de R$ 132 mil e da quadra da EMEF Maria Luiza Jorge do Reis com investimento de R$ 149.4 mil, obras essas que estão em andamento e são recursos próprios do município.

Realizamos um grande investimento em aquisição de materiais permanentes, condizentes com armários, prateleiras, fogões, freezer, geladeiras, bebedouros, máquinas de lavar roupas, secadora, tanquinho, dentre outros equipamentos, jogos de mesas de professor, cadeiras de aproximação e jogos escolares para alunos de toda a rede municipal de ensino, no valor de R$ 707.2 mil.

Tive o comprometimento com a classe do magistério em adequar o piso nacional nos anos de 2018 e 2019, infelizmente diante da crise enfrentada em virtude da pandemia do novo coronavírus, por imposições legais não pude adequar o piso dos profissionais da educação neste ano de 2020, isso me deixou entristecido.

Uma grande vitória para educação foi a implantação de 1/3 de planejamento concedido aos professores do magistério.

Outro trabalho que me deixou feliz foi o Projeto Aluno Nota 10, realizado no ano de 2019, que abrangeu os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental das Séries finais, incentivando as boas práticas de aprendizagem e desenvolvimento.

 

 

Editora Hoje – A saúde é uma área fundamental para o município, vimos a inauguração de Unidades de Saúde como a “Lúcia Moro Franco” no distrito de Jurama, qual ou quais outros progressos o município conquistou nessa área? 

Robinho Parteli – Tivemos investimentos na Unidade Saúde de Barra Seca somando mais de R$ 614.9 mil; Investimento na Unidade de Saúde Jurama no valor de aproximadamente R$ 836.3 mil; Investimento da Unidade de Saúde do Centro com cerca de R$ 240 mil.

O município também adquiriu veículos sendo 2 micro-ônibus no valor de R$ 620 mil; 3 veículos S10 para atendimento as unidades de saúde no valor de cerca de R$ 409.4 mil, 3 veículos pequenos no valor de R$ 135 mil e 3 ambulâncias no valor de R$ 249 mil e recebemos do Governo do Estado uma ambulância Semi UTI. Ainda foi realizado um investimento em materiais permanentes no valor de quase R$ 303 mil;

 

 

Editora Hoje – Cite o momento do seu mandato que foi o mais difícil; o mais alegre e de maior conquista até aqui.  

Robinho Parteli – O momento mais difícil foi os dois primeiros anos do meu mandato, quando com pouca experiência tive que enfrentar a continuação de uma crise hídrica que ainda atormentava nossos produtores rurais, e logo em seguida enfrentei a crise econômica. Ainda não tínhamos todas as certidões de regularidade, o que atrapalhava o município a crescer, mas com trabalho sério e comprometimento conseguimos ter todas as certidões e buscar mais recursos para nossa cidade.

Ocorre que devido à crise econômica e queda de receitas, tive que tomar uma decisão muito dura que foi a de exonerar servidores e cortar horas extras, para não infringir a Lei de Responsabilidade Fiscal, foi difícil, foi muito triste, mas trabalhamos muito e com planejamento conseguimos vencer esses desafios. Não é fácil administrar, a função do administrador muitas vezes é dura e não compreendida pelas pessoas, mas tenho a certeza que sempre busquei fazer o melhor para o município de Vila Valério.

O momento mais alegre foi a sensação de dever cumprido de ter tornado um Vila Valério melhor, mais digno onde as pessoas podem se orgulhar de viver aqui, mesmo diante de várias dificuldades, conseguimos realizar várias obras no nosso município.

As três maiores conquistas foram a obra de reurbanização do centro, a obra de construção da creche e o programa de Regularização Fundiária.

 

 

Editora Hoje – Tem algo que o senhor gostaria de ter feito e não daria para completar neste mandato?  

Robinho Parteli – Mais investimentos para a agricultura, era o que eu gostaria de ter feito, valorizar ainda mais o nosso produtor rural, que tanto trabalha de sol a sol na sua propriedade para colocar o sustento em sua mesa no dia a dia.

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Editora Hoje – Quando se fala em esporte, principalmente em Vila Valério, vem em nossa mente o Campeonato Municipal de Futebol que movimenta o comércio e as comunidades. Em 2020 não foi possível realizar o evento, mas nos últimos 3 anos tivemos grandes momentos para o esporte valeriense. Mesmo com desafios, o senhor acredita que o esporte é uma peça fundamental para o desenvolvimento do município? Por quê? 

Robinho Parteli – Sim, com toda a certeza, além de trazer mais lazer, o esporte movimenta também as comunidades, que se interagem, gostam de estar participando do evento, então traz bastante diversão e movimento para o comércio e cidade em si. Além disso tem também o âmbito social, que são crianças, tirando elas da rua, como é o caso do projeto A Gazetinha e realmente, hoje, o futebol é o esporte preferido pela nossa sociedade valeriense.

 

 

Editora Hoje – Nos últimos meses a população de Vila Valério foi contemplada com 34 casas populares, mais uma realização de sonho para os valerienses, ainda mais para os contemplados. O que o senhor tem a dizer sobre isso? 

Robinho Parteli – Quando nós chegamos no início do nosso mandato, tivemos uma dificuldade muito grande de conseguir retomar aquelas obras, e diante de vários obstáculos e dificuldades, não desistimos, pensamos no bem-estar daquelas famílias, na comodidade, e no sonho da pessoa ter a sua casa própria.

Arregaçamos as mangas e corremos atrás, e hoje temos o resultado, que são as casas entregues para os moradores, para aquelas famílias que tanto precisam. Esse é um motivo de muita alegria para nós, em ter conseguido avançar e realizar o sonho das pessoas que hoje estão morando e desfrutando daqueles imóveis

O município investiu quase R$ 641 mil na construção das casas e em infraestrutura no loteamento Morada do Sol.

 

 

Editora Hoje – Outro grande avanço em Vila Valério foi a tão sonhada reurbanização e asfaltamento do centro da cidade, você acredita que essa é a maior obra realizada em sua gestão, e a que mais contempla a comunidade valeriense? De que forma essa obra pôde contribuir para o crescimento da cidade?   

Robinho Parteli – Eu acredito que sim, essa é uma das maiores obras que fazem parte do crescimento da nossa cidade. Parte das obras já se encontram concluídas, e outra está em andamento. Tanto o asfalto quanto a calçada cidadã têm um papel importante no desenvolvimento da cidade, dando mais qualidade de vida à nossa população em geral, principalmente aos nossos idosos, que antes não tinham uma calçada segura para se locomover, e hoje com essa reurbanização eles encontram uma maior facilidade para se deslocar.

Além disso, o comércio é beneficiado de forma direta, já que a população tem uma maior facilidade em transitar pelos comércios e pelas ruas. Sem contar que isso mudou a cara da nossa cidade, muito mais bonita, mais moderna e ampla.

Ao todo cerca de 21 ruas foram e estão sendo asfaltadas, foi um trabalho árduo, essa é mais uma obra que sempre foi o grande sonho de todo valeriense, uma cidade com asfalto, calçada cidadã e desta forma, como prefeito, tenho orgulho em falar dela, e da qualidade de vida que a obra trouxe e trará para a nossa população.

Quanto ao asfalto do centro, a reurbanização teve um investimento aproximado de R$ 2.1 milhões e o asfalto das demais ruas da sede o valor foi de R$ 2.9 milhões.

 

 

Editora Hoje – Deixe uma mensagem para os valerienses. 

Robinho Parteli – Agradeço primeiramente a Deus e aos valerienses por terem me dado a oportunidade de ter um mandato como prefeito. Sei que diante desses desafios, não é possível agradar a todos, principalmente dentro da política, sempre será assim. Muitas coisas boas conseguimos trazer para o povo e fizemos sonhos virarem realidade em diversos setores. Sei que o valeriense foi beneficiado pelo nosso trabalho, esse foi o nosso papel, e sei que no futuro cada um será lembrado por seu trabalho. Acordamos todos os dias sabendo que teríamos uma batalha para vencer, e nunca desistimos. Por isso, mais uma vez agradeço aos valerienses.

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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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