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Câncer é a segunda principal causa de morte dos capixabas
Medo, tristeza e aflição. Esses são os principais sentimentos de quem recebe o diagnóstico do câncer. Agora imagine receber o mesmo duas vezes? É o caso da artesã Gislane Rocha Coutinho. Considerada uma sobrevivente, venceu duas batalhas contra o câncer, a primeira, em 2009, quando descobriu um tumor na mama esquerda e a segunda, em 2016, quando soube de um tumor ainda mais agressivo na mama direita.
“Durante 48 horas eu chorei compulsivamente, eu não conseguia fazer outra coisa se não chorar”, disse Gislane. No primeiro tumor, desde o inicio da investigação até a retirada total da mama se passaram apenas três meses. Por conta de um diagnóstico precoce, Gislane foi poupada das sessões de radioterapia e quimioterapia.
Já no segundo diagnóstico, devido o tumor ser mais agressivo, foi necessário- além de remover a mama direita total- fazer os tratamentos complementares com radio e quimioterapia.
“O susto é inicial, depois que você respira, vai ao médico, coloca nas mãos de Deus a situação, você fica mais calma e o processo da cirurgia e recuperação é encarado de uma forma mais tranquila. Antigamente, o diagnóstico do câncer era quase que uma sentença de morte, hoje em dia, com a tecnologia nós vemos que não! Além disso, o apoio dos amigos e da família contribui muito para levar a doença de uma forma mais leve”, conta Gislane.
Mas como se desenvolve o câncer?
Independente do tipo de tumor, a maneira que a doença se desenvolve no organismo humano é sempre a mesma: as células sofrem uma mutação genética, que altera a composição do DNA e, por isso, passam a se multiplicar de forma desordenada. Tipos diferentes de tumores podem surgir, mais ou menos agressivos.
Causas
Atualmente, o avanço da idade é o principal fator de risco para o câncer, mas não há uma causa única para o surgimento da doença. Ela pode ser desencadeada por fatores internos, como hormônios, mutações genéticas e condições imunológicas, assim como por fatores externos, que de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são responsáveis por cerca de 80 a 90% dos casos registrados no Brasil. Dentre eles estão: sedentarismo, obesidade, ingestão de alimentos industrializados, consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo.
Segundo o oncologista do Grupo Meridional, Luiz Gustavo Sueth, falar em prevenção da doença é possível porque adotar hábitos de vida saudáveis, evitar o tabagismo e o álcool está ao alcance de todos.
A respeito do câncer estar associado ao envelhecimento, o médico comenta: “Quanto mais velhos vamos ficando, a nossa ‘maquinaria’ celular vai sofrendo desgaste, ou até acumulando mutações ao longo da vida. Chega um momento que o organismo está no limite e desenvolve o tumor”.
Segundo o oncologista do Grupo Meridional, está comum encontrar cada vez mais pacientes jovens acometidos por tumores mais agressivos. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Espírito Santo (Sesa), os tumores caracterizam hoje a segunda maior causa de morte entre os capixabas.
Estudo
Um novo estudo realizado pela American Cancer Society (ACS) e pelo National Cancer Institute confirmou que o risco de desenvolver algum câncer relacionado à obesidade aumentou entre a população mais jovem, assim como as taxas de sobrepeso. Os dados foram publicados no inicio do mês de fevereiro, no periódico The Lancet.
Entre 1995 e 2014, cientistas analisaram a incidência de 30 tipos de câncer mais comuns, incluindo 12 ligados à obesidade, em pessoas de 24 a 84 anos. Ao todo foram estudados mais de 14,6 milhões de casos. Os resultados mostraram que a incidência aumentou significativamente em seis dos 12 casos de câncer relacionados à obesidade (mieloma múltiplo, colorretal, corpo uterino, vesícula biliar, rim e câncer pancreático) em adultos jovens, com idade entre 25 a 49 anos.
No Brasil, o câncer já é segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos, perdendo apenas para óbitos decorrentes de acidentes e violência.
Dados
Em 2017, 4.156 pacientes perderam a vida na luta contra o câncer. O número ainda aumentou no ano de 2018, foram 4.414 óbitos em decorrência da doença.
Folha Vitória
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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro
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