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Ales apresenta proposta para proteger gasodutos de distribuição
Em reunião nesta terça-feira (4) com representantes do segmento de gás natural e instituições públicas, além do setor produtivo, o presidente Marcelo Santos (União) anunciou que enviará ao Executivo uma minuta de projeto de lei (PL) para reforçar a responsabilidade do Estado sobre a regulamentação e fiscalização dos gasodutos de distribuição.
A iniciativa surge diante dos debates em torno da regulamentação da Lei Federal 14.134/2021 (Lei do Gás), que versa sobre as atividades relativas ao transporte de gás. Um dos pontos dela é alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) na Suprema Corte ajuizada pela Associação Brasileira de Empresas Distribuidoras de Gás Encanado (Abegás).
A ADI 7862 questiona o inciso VI do artigo 7º, que classifica gasoduto de transporte com base em critérios como diâmetro, pressão e extensão por meio de regulação da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Mas para a Abegás, ao conceder a prerrogativa classificatória ao órgão, o texto diminui a autonomia dos estados, responsáveis pelos gasodutos de distribuição.
“Não é competência legal uma matéria como essa nascer aqui no Parlamento. Ela tem que nascer no Executivo”, disse Marcelo Santos, que espera o retorno da proposta à Assembleia Legislativa (Ales). “Não tenho dúvidas de que esse Plenário vai aprovar”, projetou. O movimento, já observado em outros quatro estados, visa resguardar o pacto federativo, que estaria sendo ferido, conforme protestaram os convidados.
Impactos negativos
O presidente executivo da Abegás, Marcelo Mendonça, revelou que, caso a proposta da União avance, trará impactos negativos diversos como, por exemplo, na geração de emprego, sem contar o prejuízo financeiro. Conforme enumerou, os estados perderiam imediatamente investimentos da ordem de R$ 5 bilhões. A medida também colocaria em risco mais de R$ 37 bi nos próximos 30 anos em concessões de gás canalizado, segundo levantamento feito pela associação.
“O plano de investimento de R$ 1 bilhão anunciado pela distribuidora do Espírito Santo (ES Gás) será colocado em risco caso a resolução da ANP avance”, avaliou Marcelo Mendonça, ao endossar a necessidade de preservação da segurança jurídica do setor e da competência constitucional dos estados para regular a infraestrutura de gás canalizado.
Invasão de competência
O convidado detalhou que recentemente a ANP realizou uma consulta pública sobre a futura resolução que regulamentará a classificação de gasodutos de transporte de gás natural, com base no disposto da lei do gás em vigor. “Entretanto, o texto proposto para a resolução vai além das competências definidas para a agência que regulamenta somente infraestruturas autorizadas ou concedidas pela União, ou seja, em âmbito federal”, pontuou.
Mendonça prosseguiu: “A proposição da agência adentra as competências dos estados federados e estabelece regras para os gasodutos de distribuição de gás canalizado, ativos que competem aos estados e cuja gestão, conforme dispõe a Constituição Federal, é realizada por meio de um serviço público concedido, ou seja, uma clara invasão de competência”, defendeu.
O diretor-presidente da Agência de Regulação de Serviços Públicos (Arsp), Alexandre Venturim, reforçou a autonomia do estado em regular e fiscalizar a atividade, papel conferido pela Lei Complementar 827/2016. “A classificação dos gasodutos de distribuição constitui matéria de competência regulatória exclusiva da Arsp, cabendo a ela definir, com base em critérios técnicos de interesse público local, a natureza e a abrangência da rede de distribuição de gás do território capixaba”.
Venturim destacou que no ES toda e qualquer tubulação destinada à entrega local de gás canalizado é considerada rede de distribuição, não importando o diâmetro, a pressão ou a extensão dos dutos ou do perfil do usuário. De acordo com o participante, essa foi a interpretação aplicada nos últimos anos, “assegurando previsibilidade e confiança aos agentes regulados e aos investidores do setor”.
Nas palavras dele, a ANP quer definir, de maneira unilateral e arbitrária, critérios técnicos como diâmetro, pressão, extensão dos dutos para classificar como transporte o que considera uma rede de distribuição local. “Tal movimento representa uma devida usurpação de competência estadual e uma grave afronta ao pacto federativo”, disse.
O debate ganhou apoio dos presentes no Plenário Dirceu Cardoso, entre os quais estavam os deputados Mazinho dos Anjos (PSDB), Coronel Weliton (PRD), Toninho da Emater (PSB) e Pablo Muribeca (Republicanos). Também participaram o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES), Domingos Taufner; o presidente do ES em Ação, Fernando Saliba; o presidente da Findes, Paulo Baraona; entre outras autoridades.
Fonte: POLÍTICA ES
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Seminário debate políticas públicas para segmento LGBTQIAPN+
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) realizou, nesta sexta-feira (3), no Plenário Dirceu Cardoso, o 2º Seminário LGBTQIAPN+Fobia. Com o tema “Não é só close, é luta”, o encontro reuniu representantes de movimentos sociais, conselhos, entidades e parlamentares para discutir o enfrentamento à discriminação, a ampliação de políticas públicas e os desafios enfrentados pela população LGBTQIAPN+.
Segundo a organização, o tema do seminário faz referência à defesa de direitos e ao fortalecimento da mobilização social, para além da visibilidade da comunidade.
A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, deputada Camila Valadão (Psol), destacou que a construção do seminário contou com a participação de lideranças históricas, conselhos e fóruns do movimento LGBTQIAPN+ no Espírito Santo. “Um verdadeiro movimento foi o seu processo de construção, reunindo lideranças históricas, conselhos, fóruns e movimentos do estado”, afirmou.
Durante sua fala, a parlamentar também defendeu a importância de ampliar os espaços de participação e debate sobre os direitos da população LGBTQIAPN+ no Parlamento.
“A oportunidade de receber e de promover este seminário é para que vocês se sintam à vontade. Esta Casa precisa e deve ser a Casa do povo, embora muito pouco represente vocês. Estou convicta de que a pauta do enfrentamento à LGBTQIAPN+fobia não é só de vocês, embora o protagonismo seja de vocês”, afirmou Camila.
Para a deputada, a Casa tem combatido a comunidade LGBT cotidianamente. Mas, segundo ela, não basta apenas se contrapor a esses discursos – o que ela chama de LGBTQIAPN+fobia institucionalizada. Para ela, é preciso ir além e este seminário, afirmou, é uma tentativa, embora insuficiente, mas é também para garantir o espaço de fala.
Por sua vez, a vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, deputada estadual Iriny Lopes (PT), destacou que os direitos já conquistados têm que ter continuidade, “gratificantes as pequenas conquistas, mas elas existem, mas há tantas conquistas a serem realizadas porque as trevas estão querendo brigar com a luz”, alertou a deputada.
Conselhos e políticas públicas
Um dos destaques do seminário foi a celebração dos dez anos de criação do Conselho Estadual LGBT do Espírito Santo. Participantes também lembraram que atualmente existem 20 conselhos estaduais semelhantes em funcionamento no país, além de outros em fase de implantação.
Representando o Conselho Estadual LGBT, Kassandro Silva dos Santos afirmou que as políticas públicas voltadas à população LGBTQIAPN+ são resultado da mobilização social e defendeu o fortalecimento dos conselhos e a garantia de recursos para a área.
Para Kassandro Santos, a comunidade enfrenta todas as formas de discriminação que acentuam a desigualgade, e que os direitos humanos não são privilégios, mas garantias institucionais. Por isso é preciso garantir orçamento para as políticas públicas, fortalecer os conselhos e impedir qualquer retrocesso. “Enquanto existir desigualdade, existirá resistência”, garantiu.
Avanços e desafios
Representantes de fóruns e entidades também abordaram temas como a atuação do Poder Judiciário na garantia de direitos, o combate à desinformação, o envelhecimento da população LGBTQIAPN+, a necessidade de fortalecimento da participação social e os desafios para ampliar políticas públicas voltadas ao segmento.
O representante do Fórum Estadual LGBT Fábio Veiga afirmou que importantes conquistas da comunidade ocorreram por meio de decisões judiciais, como o reconhecimento da união homoafetiva e do direito à adoção por casais do mesmo sexo.
“Há aqueles que tentam reduzir a população LGBTQIAPN+ pela sua aparência e que a comunidade é só festa e entretenimento. No entanto, não é só o close por close, é a luta pelos nossos direitos. As conquistas são graças às lutas e muitas vidas. É nesta Casa que nossa população, os nossos corpos são massacrados”, pontuou.
Já o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e representante do Fórum Municipal LGBT de Vitória Alexsandro Rodrigues enfatizou a necessidade de motivação para ser militante no movimento social. Alexsandro Rodrigues destacou a importância da valorização da alegria e da esperança como elementos de fortalecimento dos movimentos sociais.
“Michel Foucault disse que não precisamos ser tristes para sermos militantes. Falarmos da importância da alegria enquanto condimento do existir. Como que a alegria incomoda demais a quem quer nos enfraquecer e entristecer. Um corpo, uma vida dissidente só se mantém em vida a partir da alegria. Precisamos pensar a alegria enquanto um direito”, defendeu Rodrigues.
A representante do Fórum Municipal LGBT da Serra, Layza Lima, apresentou ações desenvolvidas no município, como a implantação de um ambulatório para pessoas trans e programas de capacitação de servidores públicos.
Também participaram do seminário representantes do Instituto Brasileiro de Transmasculinidade (Ibrat-ES), do Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (Fonatrans), além de parlamentares municipais da Serra e de Cariacica.
Fonte: POLÍTICA ES
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