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Mandatárias alinham diretrizes para criação da Agenda Mulher
Com a participação de 40 mandatárias e outras 60 convidadas ocupantes de cargos importantes no Estado, a primeira reunião de trabalho para a criação da Agenda Mulher discutiu o empreendedorismo como o mais importante condutor para empoderamento das mulheres capixabas. O encontro aconteceu nesta sexta-feira (29), no Palácio da Fonte Grande, no Centro de Vitória e foi comandado pela vice-governadora, Jaqueline Moraes.
“A independência financeira, a rede de apoio, a possibilidade de trabalhar com o que gosta fortalecem a causa da mulher, e garante que, cada vez mais, as mulheres assumam posições de destaque no mercado de trabalho e em diversos outros espaços públicos”, disse a vice-governadora.
Segundo Jaqueline Moraes esse é o foco da Agenda Mulher. “Trata-se do primeiro passo para um programa de empreendedorismo e empoderamento feminino, tendo como diretrizes institucional, social e política, que busca fortalecer a luta contra a invisibilidade feminina. A ideia é que mais mulheres se dediquem a essa atividade e transformem não só a sua realidade, mas também a de muitas pessoas a seu redor”, disse.
Na dinâmica do encontro, as mandatárias – vereadoras, prefeitas e vice-prefeitas, deputadas estaduais e federais –, foram convidadas a apresentarem propostas de atuação conjunta de ações que garantam a visibilidade, com foco no empreendedorismo e também a darem um panorama dos principais problemas em suas regiões. Várias sugestões colaborativas foram apresentadas e pactuadas para serem aprofundadas em outro encontro quando a Agenda Mulher será apresentada ao governador Renato Casagrande.
Estruturação
A ideia do programa é tirar as mulheres da invisibilidade, fortalecendo seus espaços de participação e empoderamento na sociedade. A subsecretária de Planejamento e Projetos da Secretaria de Economia e Planejamento (SEP), Joseane Zoghbi, explica que fazem parte das diretrizes a promoção da articulação interinstitucional e da implementação de ações selecionadas com base no Plano Estadual de Políticas para Mulheres e no Pacto Estadual pelo Enfrentamento à Violência Contra Mulheres.
Outra proposição é a promoção da articulação interinstitucional e da implementação de ações selecionadas com base no Plano Estadual de Políticas para Mulheres e no Pacto Estadual pelo Enfrentamento à Violência Contra Mulheres. E também a aproximação de Estado e sociedade, ampliando a escuta dos segmentos que compõem a agenda das mulheres, com foco no empreendedorismo. “Empreender é realizar projetos, negócios”, lembra a subsecretária.
O programa terá ações coordenadas pela Vice-Governadoria, mas com envolvimento de outras secretarias e órgãos do Governo do Estado, dentre as quais a Secretaria de Direitos Humanos. Serão realizados cursos de capacitação e formação, abertura de linhas de crédito para mulheres empreendedoras.
Plano Estadual de Políticas Públicas para Mulheres
A subsecretária de Políticas para Mulheres da Secretaria Estadual de Direitos Humanos, Juliane Barroso, que representou a secretária Nara Borgo, fez uma breve contextualização histórica do processo de elaboração Plano Estadual de Políticas Públicas para Mulheres. “Só é possível fazermos diferente quando nos unimos a partir da intercessão dos nossos projetos que têm como horizonte a promoção da vida das mulheres. Em nossos encontros percebemos que também temos em comum nossas ‘dores’ manifestadas nos cotidianos assédios e nas situações de violência a que estamos expostas. Para reverter todo um histórico de violência, ou a gente se une ou a gente se une”.
Juliane Barroso afirmou ainda que, com a apresentação do Plano Estadual de Políticas Públicas para Mulheres cria-se uma referência para a construção de iniciativas para efetivação da política para as mulheres. “E que a partir daqui vocês também sejam multiplicadoras, em seus municípios e espaços de poder”, disse.
O documento foi entregue em 2014, no mandato anterior do governador Renato Casagrande e em seu processo de elaboração, contou com ampla participação e mobilização da sociedade civil e organizações de mulheres. “Reconhecemos que é um desafio tirar do papel os serviços às mulheres e oportunizar o empoderamento delas via acesso às políticas públicas”, destacou.
Na oportunidade, a subsecretária também apresentou o Pacto Estadual de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, que está em fase de atualização.
Mandatárias
O encontro contou com a participação deputada federal Lauriete Rodrigues; deputada estadual Janete de Sá; as prefeitas Lucélia Pim Ferreira da Fonseca, de São Gabriel da Palha e Vera Costa, Guaçuí; as vice-prefeitas Alexsandra Pedroni Schunk, de Fundão e Marcia Lamas, da Serra.
Também estiveram na reunião as vereadoras: Antônia Aparecida Cassundé (Águia Branca), Silvanea Vieira Paiva (Alegre) Fabiana Maria Maforte (Alto Rio Novo), Dileuza Marins Del Caro e Monica de Souza Pontes (Aracruz), Graceli Estevão Silva (Atílio Vivacqua), Celma Cortes Bussular e Sueli Alves Teodoro (Baixo Guandú), Zirene Surdini Valli (Barra de São Francisco), Renata Sabra Baião Fiorio (Cachoeiro de Itapemirim), Mylena Mendonça Pedruzzi (Castelo), Audréya Mota França (Colatina), Ângela Maria Coutinho (Fundão), Sonia Zanetti Bazílio (Itaguaçu), Brunella Colombo (Itarana), Elzeni Borges Soares (Mantenópolis), Celia Rodrigues Souza (Montanha), Gleyciaria Bergamim de Araujo (Nova Venécia), Valdirene Alves Santana (Pinheiros), Lurdes Sangiorgio Mozer (Rio Novo do Sul), Angela Maria Schutz Leppaus (Santa Leopoldina), Maria Josete Zottele Ferri (Santa Teresa), Larissa Mariellen de Paulo e Marcieli Alves (São Domingos do Norte), Adalgisa Ferreira lves, Delizete Baptista Pinheiro, Fatima Cristina Souza e Maria de Fatima Simões (São José do Calçado), Jaciara Teixeira do Nascimento (São Mateus), Jaqueline Gomes (Sooretama), Anna Maria Pedruzzi e Leila David Nogueira (Vargem Alta), Arlete da Silva Santiago, Nilma Maria Guez da Silva e Patrícia Crizanto da Silva (Vila Velha) e Neuza de Oliveira (Vitória).
Assessoria de Comunicação da Vice-Governadoria
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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro
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