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Lideranças e entidades repercutem o pacote de R$ 30 bilhões anunciados ontem pelo governo

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O setor agropecuário reagiu com cautela ao pacote de medidas anunciadas pelo governo nesta quarta-feira (13.08). Chamado de “Plano Brasil Soberano”, o pacote prevê R$ 30 bilhões em crédito, regimes fiscais estendidos, facilitação de compras públicas e reforço da diplomacia comercial.

O problema, apontado pelas entidade que representam os produtores é que o pacote prevê ajuda apenas aos exportadores. Mesmo reconhecendo que o pacote é um avanço em termos institucionais, a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), por exemplo, ressaltou “lacunas que desamparam pequenos fruticultores que vendem sua produção para exportadoras maiores. Sem medidas que cheguem efetivamente à base da produção, há risco de retração nas compras e prejuízo à renda e à permanência desses produtores no campo”, afirmou a entidade, por meio de nota oficial (veja aqui).

Um outro exemplo vem do Vale do São Francisco, uma das principais regiões exportadoras de manga. Lá, a situação é particularmente preocupante. O presidente do Sindicato Rural de Petrolina (715 km da capital, Recife), em Pernambuco, revelou que em alguns casos “a fruta simplesmente não compensa ser colhida, pois não há mercado disposto a pagar o suficiente para cobrir os custos da colheita”. A consequência é o risco real de abandono da produção e até dificuldade para lidar com resíduos, como a frutificação que atrai mosca-das-frutas — ameaça atrás da qual há custos e trabalho extra para evitar danos à safra.

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A reação política também se mostrou prudente. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), voz influente no Congresso, reforçou que essa tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos exige uma “resposta firme e diplomática”. Segundo a entidade, além de medidas emergenciais, é preciso fortalecer as negociações para reverter unilateralmente a sobretaxa e manter o Brasil presente na mesa internacional.

Posicionamento semelhante ao do presidente da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de Mato Grosso (Feagro-MT) e do Instituto do Agronegócio(IA), Isan Rezende (foto).

“O momento exige maturidade e diálogo, não confrontos desnecessários. Em vez de transformar o comércio exterior em um campo de disputa política, deveríamos priorizar a diplomacia, como fazem outras nações que enfrentaram situações semelhantes. O agronegócio brasileiro não pode ser colocado no centro de uma batalha ideológica, pois isso fragiliza a nossa imagem e abre espaço para perdas comerciais significativas”, afirmou Rezende.

Isan disse estar preocupado com a falta de diplomacia do Governo Federal “Em vez de promover ataques desnecessários, poderia utilizar a diplomacia como ferramenta adequada para tratativas no comércio internacional, como os demais países procederam e sem polarização ideológica partidária, o que está colocando em risco as atividades do agronegócio que é o motor da economia brasileira”

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Outras entidades do setor do agro, como os cooperativistas e produtores ressaltaram que, apesar das linhas de crédito e facilitação fiscal, ainda restam muitas dúvidas sobre quem terá acesso e de que maneira. A preocupação central é justamente que os eixos do plano cheguem à base produtiva — seja via cooperativas, pequenos agricultores ou vendas agregadas —, para evitar rupturas logísticas e sociais no campo.

A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) que reúne mais de um milhão de produtores e representa mais de 50% da produção de grãos nacional, com forte presença na agricultura familiar e nas cadeias de café, açúcar, mel e tilápia, se fez presente na cerimônia de assinatura da Medida Provisória Brasil Soberano no Palácio do Planalto. A entidade classificou a iniciativa como “relevante”, mas destacou que ainda será necessário analisar o impacto real sobre as cadeias cooperativistas mais vulneráveis — como frutas, mel, proteína animal e grãos — antes de validar a eficácia do pacote

Fonte: Pensar Agro

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A digitalização das empresas capixabas chega ao departamento pessoal

A digitalização das empresas chega ao departamento pessoal. Veja como a folha em nuvem resolve cálculos, prazos do eSocial e comprovantes

A digitalização das empresas capixabas avançou por diferentes frentes na última década, e agora alcançou a área que mais resistia a sair do papel: o departamento pessoal. Emissão fiscal, controle financeiro e vendas migraram para sistemas digitais primeiro, motivados por ganho operacional imediato ou exigência legal. 

A rotina trabalhista ficou por último, apesar de concentrar boa parte do risco jurídico da operação. Esse cenário mudou, e empresas de todos os portes no Espírito Santo têm descoberto que manter a folha isolada em uma máquina local deixou de fazer sentido.

O que impulsionou a digitalização no Espírito Santo

A economia capixaba se diversificou de forma expressiva, combinando atividade portuária e logística, indústria de rochas ornamentais, petróleo e gás, comércio, agronegócio e um setor de serviços em expansão. Esse ambiente mais complexo elevou a exigência sobre a gestão das empresas.

Ao mesmo tempo, a conectividade melhorou, com fibra chegando às cidades polo e cobertura móvel avançando no interior, o que viabilizou sistemas que dependem de conexão estável. E a pressão regulatória fez o resto: obrigações fiscais e trabalhistas passaram a ser transmitidas eletronicamente, deixando de aceitar alternativas em papel.

As áreas que saíram do papel primeiro

A sequência foi parecida na maioria das empresas. A emissão fiscal migrou primeiro, por imposição legal. Em seguida vieram o controle de estoque e o ponto de venda, motivados por ganho operacional direto. O financeiro acompanhou, com conciliação bancária e contas a pagar. 

A área de pessoal quase sempre ficou por último. A explicação é simples: os benefícios das outras áreas aparecem no faturamento, enquanto os da folha aparecem na forma de problemas que deixam de acontecer, e prejuízo evitado é sempre menos visível do que receita gerada.

Por que o departamento pessoal resistiu mais

A demora tem componentes técnicos e culturais. É a área que lida com os dados mais sensíveis da empresa, com cálculos que mudam conforme a legislação e a convenção coletiva de cada categoria, e com um processo que muitos empresários consideravam funcionar bem o suficiente. 

Havia ainda o receio de que migrar significaria uma transição trabalhosa e arriscada. Esses fatores, somados, adiaram por anos uma mudança que hoje se mostra menos complexa do que se imaginava e mais necessária diante da fiscalização eletrônica.

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A folha na nuvem e o que ela resolve

Substituir controles manuais por um sistema de folha de pagamento online permite processar salários, gerar guias e cumprir prazos do eSocial de qualquer lugar, sem servidor próprio nem papelada acumulada. 

As regras aplicáveis a cada categoria são parametrizadas uma vez e passam a valer de forma uniforme, sem depender do critério de quem executa em determinado mês. Os eventos são validados antes da transmissão, o que reduz rejeições e retrabalho. 

E documentos, cadastros e histórico ficam centralizados e consultáveis, resolvendo o problema recorrente em empresas menores, em que toda a informação relevante estava concentrada na memória de uma pessoa ou em pastas físicas espalhadas.

Operar de qualquer lugar

Esse ponto tem peso especial para empresas com operação distribuída. É comum que um mesmo grupo tenha loja em uma cidade, unidade em outra e contador em uma terceira. No modelo antigo, isso significava documentos circulando fisicamente, com custo e demora. 

Com o processamento em nuvem, empresário e contador acessam as mesmas informações simultaneamente, de onde estiverem. Gestores que passam boa parte do tempo fora do escritório conseguem aprovar a folha e acompanhar pendências pelo celular. A distância geográfica, que sempre foi um custo adicional, deixa de pesar nesse aspecto.

Setores capixabas e suas rotinas trabalhistas distintas

O comércio opera com jornadas que se intensificam em datas comerciais e frequentemente adota escalas que incluem sábados e domingos. Atividades portuárias e logísticas envolvem turnos, adicionais específicos e categorias com normas próprias.

A indústria de rochas ornamentais lida com adicionais de insalubridade e periculosidade que, quando pagos de forma habitual, repercutem em férias, décimo terceiro, descanso semanal e FGTS. Serviços e agronegócio seguem calendários próprios. 

Uma mesma empresa pode reunir mais de um desses perfis, o que multiplica as regras aplicáveis dentro de uma única folha e torna a automação ainda mais valiosa.

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Segurança e proteção de dados: o que verificar

Uma dúvida frequente na hora de migrar diz respeito à segurança das informações. O raciocínio antigo sugeria que dados guardados no próprio computador estariam mais protegidos do que enviados para um servidor de terceiros, mas a prática mostra o contrário na maioria dos casos. 

Provedores sérios mantêm cópias redundantes em locais distintos, controle de acesso por usuário e registro detalhado de quem alterou o quê. 

Ainda assim, vale verificar as práticas do fornecedor e confirmar a adequação à legislação de proteção de dados pessoais, já que informações trabalhistas são sensíveis e a responsabilidade sobre elas permanece com a empresa.

O que a tecnologia não substitui

É importante calibrar a expectativa. O sistema calcula corretamente aquilo que recebe como informação, mas não corrige um registro de ponto que não reflete a jornada real, nem identifica sozinho que a empresa está aplicando a convenção coletiva errada. 

A responsabilidade legal continua sendo do empregador, e o conhecimento sobre as regras da categoria segue necessário. O que a automação elimina são os erros de cálculo e os esquecimentos de prazo, que juntos representam a maior parte dos problemas, mas ela não dispensa organização nem informação de qualidade na entrada.

Acesso deixou de ser o obstáculo

Durante muito tempo, empresas fora dos grandes centros operaram em desvantagem estrutural, com acesso mais caro e limitado a ferramentas de gestão. 

Esse cenário mudou. Hoje, um comércio no interior do Espírito Santo pode usar o mesmo sistema que uma empresa da Grande Vitória, pagando valor proporcional ao seu porte e com o mesmo grau de conformidade legal. 

A limitação deixou de ser de acesso e passou a ser de decisão. Para os negócios capixabas que atravessaram um ciclo de crescimento e hoje administram equipes maiores, organizar a área trabalhista é o que permite sustentar o que já foi conquistado e seguir crescendo com segurança.

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