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Gestão de estoque hospitalar: como evitar ruptura de medicamentos essenciais
A gestão de estoque hospitalar é um dos pilares para garantir a continuidade e a segurança da assistência à saúde. Em ambientes clínicos e hospitalares, a indisponibilidade de medicamentos essenciais compromete protocolos terapêuticos, impacta desfechos clínicos e eleva custos operacionais.
Entre os itens mais críticos estão aqueles de uso recorrente e imediato, como medicamentos para controle da dor, antibióticos e insumos de emergência. Nesse cenário, estruturar processos eficientes de controle e reposição não é apenas uma prática administrativa, mas uma estratégia diretamente ligada à qualidade do cuidado.
Entenda o impacto da ruptura de medicamentos
A ruptura de estoque ocorre quando um item não está disponível no momento em que é necessário. No contexto hospitalar, isso pode atrasar tratamentos, exigir substituições terapêuticas e aumentar o tempo de internação.
Além dos impactos clínicos, há também reflexos operacionais importantes. A equipe assistencial precisa lidar com alternativas nem sempre ideais, enquanto a instituição enfrenta aumento de custos e possíveis prejuízos em indicadores de desempenho.
Medicamentos voltados ao controle da dor ilustram bem esse risco. Sua ausência afeta diretamente o conforto do paciente e a percepção de qualidade do atendimento.
Estruture um controle de estoque baseado em dados
Uma gestão eficiente começa com visibilidade e organização. O acompanhamento contínuo das entradas, saídas e níveis de estoque permite decisões mais seguras e evita tanto excessos quanto faltas.
A classificação dos itens por criticidade é um passo essencial. Produtos com maior impacto assistencial ou consumo frequente devem receber atenção prioritária. Paralelamente, a análise do histórico de consumo ajuda a identificar padrões e prever demandas futuras com maior precisão.
Outro ponto importante é a definição de níveis mínimos e máximos de estoque. Esses parâmetros devem considerar o consumo médio e o tempo necessário para reposição, garantindo uma margem de segurança adequada sem gerar desperdícios.
Garanta disponibilidade de medicamentos essenciais
Alguns medicamentos exigem atenção contínua devido à sua alta rotatividade e importância clínica. Entre eles, destacam-se os utilizados no controle da dor, presentes em diferentes níveis de atendimento.
Manter uma cadeia de abastecimento confiável para esses itens é fundamental. Contar com fornecedores que ofereçam variedade e disponibilidade contribui para reduzir riscos de desabastecimento. Nesse contexto, instituições podem recorrer a opções de medicamentos analgésicos que atendam às demandas operacionais e assistenciais, garantindo maior previsibilidade no cuidado.
Otimize o processo de compras hospitalares
A eficiência do estoque está diretamente ligada à qualidade do processo de compras. Quando há planejamento, a instituição reduz a dependência de aquisições emergenciais, que costumam ser mais caras e menos previsíveis.
Avaliar prazos de entrega é fundamental, especialmente para itens críticos. Quanto maior o tempo de reposição, maior deve ser o cuidado na programação de compras. Além disso, trabalhar com fornecedores confiáveis contribui para a regularidade do abastecimento e reduz riscos operacionais.
Padronize medicamentos e reduza variabilidade
A padronização de medicamentos é uma estratégia que traz ganhos tanto clínicos quanto logísticos. Ao reduzir a variedade de itens utilizados, a instituição simplifica o controle de estoque, melhora a previsibilidade de consumo e diminui perdas.
Esse processo deve ser conduzido com base em critérios técnicos, envolvendo equipes responsáveis pela definição de protocolos terapêuticos. Dessa forma, é possível equilibrar eficiência operacional e qualidade assistencial.
Invista em tecnologia e capacitação
A adoção de sistemas de gestão permite acompanhar o estoque em tempo real, gerar alertas e melhorar o controle sobre validade e rastreabilidade. Esses recursos reduzem falhas e aumentam a eficiência dos processos.
No entanto, a tecnologia precisa estar alinhada à capacitação da equipe. Profissionais bem treinados seguem protocolos com mais precisão, contribuem para a organização do estoque e entendem o impacto de suas ações no atendimento ao paciente.
Evitar a ruptura de medicamentos essenciais exige organização, planejamento e integração entre áreas. Quando bem estruturada, a gestão de estoque deixa de ser apenas operacional e passa a atuar como um fator estratégico para garantir qualidade, segurança e eficiência na assistência à saúde.
Referências:
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança do paciente em serviços de saúde. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/seguranca-do-paciente.
CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Farmácia hospitalar: coletânea de práticas e conceitos. Brasília: CFF, 2017. Disponível em: https://www.cff.org.br/userfiles/capa%20colet%C3%A2nea%20farm%C3%A1cia%20hospitalar_29AGO2017-merged.pdf.
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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro
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