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Espírito Santo tem mais de 4 homicídios por dia, aponta o Atlas da Violência

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O Espírito Santo teve 1.521 pessoas assassinadas em 2017. É o que revela o Atlas da Violência, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBS) e publicado nesta quarta-feira, 5.

No ano de 2016, o número de homicídios foi de 1.270. No recorte histórico, que acontece entre os anos de 2007 e 2017, o maior número registrado foi em 2009, com a marca de 1.985 homicídios. 

O crescimento da taxa de homicídio no Espírito Santo, em 2017, parece ser um ponto fora da curva da trajetória declinante das mortes violentas intencionais no estado que vinha de 2010. Tal aumento pode ser explicado pela greve da Polícia Militar no mês de fevereiro de 2017, que durou 22 dias e resultou em 219 pessoas mortas. 

Segundo o Atlas, o Brasil teve 65.602 pessoas assassinadas em 2017, o que representa o número mais alto no nível histórico, e corresponde a  quase 180 mortes do por dia no Brasil. A taxa é de aproximadamente 31,6 mortes para cada cem mil habitantes.

Confira a tabela do número de homicídios por estado:


camera_enhance (Crédito: Divulgação)


Jovens no Espírito Santo

Entre 2016 e 2017, o Brasil experimentou aumento de 6,7% na taxa de homicídios de jovens. Na última década, essa taxa passou de 50,8 por grupo de 100 mil jovens em 2007, para 69,9 por 100 mil em 2017, aumento de 37,5%. No Espírito Santo, esse número aumentou 20,2%. As diminuições mais expressivas ocorreram no Distrito Federal (-21,3%), no Piauí (-13,9%) e no Paraná (-13,3%).

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Brasil

Segundo o pesquisador do Ipea, Daniel Cerqueira, o aumento nos números nacionais é puxado, sobretudo, pelo cenário de violência nos estados do norte e nordeste, em função da eclosão da guerra de facções criminosas, narcotráfico e mercados varejistas de drogas na rota do rio Solimões.

Cerqueira explica que, entre os anos de 2000 e 2013, a área plantada de cocaína na Colômbia diminuiu e, com isso, o Brasil passou a ganhar destaque como um corredor de drogas. “Em meados de 2016 e 2017 essa guerra explode com as mortes nos presídios de Manaus e Roraima”, diz o pesquisador.

Perfil dos assassinados

O estudo mapeia ainda o aumento da violência letal contra públicos específicos, incluindo negros, população LGBTI, e mulheres, nos casos de feminicídio. “Há um clima de ódio contra as minorias que incentiva essa violência e o aumento no número de mortes.”

Do total das pessoas assassinadas, a pesquisa mostra que 75,5% eram negras (pretas e pardas). Entre as vítimas do sexo masculino, 64,6% eram pardas, os homens brancos representam 26,4% dos mortos, e 8,5% eram pessoas pretas. Indígenas e classificados como de cor de pele amarela foram, respectivamente, 0,3% e 0,1%.

Das mulheres, os dados apontam que 56,2% eram pardas, 35,6% das mulheres eram brancas e as pretas representam 7,2% do total das vítimas do sexo feminino. Indígenas atingiu 0,8% e, amarelas, 0,2%.

Os dados do estudo indicam que houve um crescimento dos homicídios femininos no Brasil em 2017, com cerca de 13 assassinatos por dia. Ao todo, 4.936 mulheres foram mortas, o maior número registrado desde 2007.

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O Atlas da Violência indica que 9 em cada 10 homicídios vitimaram homens. Tratando de faixa etária, os jovens de 15 a 19 anos do sexo masculino são os mais assassinados no Brasil: 59,1%. Enquanto as jovens do sexo feminino nessa idade foram 17,4%.

Taxa de homicídio de negros aumenta 33% em dez anos

De 2007 a 2017, o número de homicídios de negros (pretos e pardos) no Brasil cresceu 33,1%, atestando “a continuidade do processo de aprofundamento da desigualdade racial nos indicadores de violência letal no Brasil”.  

No mesmo período, o aumento da violência letal intencional contra não negros (brancos, amarelos e indígenas) teve um aumento de 3,3%, de acordo com o levantamento, que se baseia em dados oficiais do SIM/MS (Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde).

Em meio a um recorde histórico de homicídios em 2017, chegando às 65.602 vítimas, o Atlas mostra que 75,5% delas eram negras. Ou seja: naquele ano, pretos e pardos foram vítimas de três a cada quatro homicídios. No mesmo ano, enquanto a taxa entre os não negros foi de 16 mortes a cada 100 mil habitantes, entre os negros foi bem maior: 43,1 mortes a cada 100 mil habitantes. 

Segundo os pesquisadores, com o quadro de desigualdade, “fica evidente a necessidade de que políticas públicas de segurança e garantia de direitos devam, necessariamente, levar em conta tais diversidades, para que possam melhor focalizar seu público-alvo, de forma a promover mais segurança aos grupos mais vulnerabilidade. 

Folha Vitória

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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

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O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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