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Detran e PM investem na formação de servidores para intensificar fiscalização de trânsito no interior do Estado
A população capixaba passa a contar, a partir desta quarta-feira (23), com os serviços dos agentes de trânsito do Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran|ES), que foram aprovados em curso de formação e poderão autuar infrações em blitze integradas e fiscalizar empresas credenciadas ao Órgão. A formatura da primeira turma, com 20 agentes, foi realizada na Sede do Detran|ES, em Vitória. Estiveram presentes o diretor geral do Órgão, Givaldo Vieira; o secretário de Segurança Pública Roberto Sá e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Moacir Leonardo Vieira Barreto Mendonça.
Os representantes do Governo do Espírito Santo também anunciaram medidas para intensificar a fiscalização de trânsito em todo o Estado, dentre elas a autorização para as Guardas Municipais fazerem registros de ocorrência de acidentes sem vítimas, o que permite ao Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran) empregar mais policiais em blitze. Além disso, a Polícia Militar ofertará curso de capacitação para 160 policiais lotados em Batalhões do interior do Estado com novos métodos e técnicas para realização das operações policias de trânsito, tanto na montagem quanto na dinâmica de trabalho.
“Temos agora uma força a mais para colaborar na fiscalização da rede credenciada ao Detran|ES e das infrações de trânsito, principalmente nas operações integradas do programa Força pela Vida. Também articulamos junto com a Polícia Militar e com as Guardas Municipais o novo formato para atendimento de acidentes de trânsito sem vítimas e o curso de capacitação para policias que atuam no interior. Todas essas ações com foco na intensificação da fiscalização de trânsito para reduzirmos o número de vidas perdidas nas vias”, afirmou o diretor geral do Detran|ES.
Givaldo Vieira também apresentou o relatório de vítimas fatais de trânsito do mês de setembro, feito pelo Observatório de Segurança Pública do Estado, que demonstra uma tendência de queda nas mortes no trânsito desde junho deste ano, quando comparado aos mesmos meses de 2018. “Planejamos junto às instituições que compõem o Força pela Vida intensificar as ações de fiscalização de trânsito nos próximos meses, principalmente com foco em motocicletas e na Lei Seca, e nas regiões em que a incidência de mortes está alta de acordo com as estatísticas, a exemplo da Serrana e Sul, cortadas por rodovias federais”, explicou o diretor.
A formação dos agentes foi oferecida entre os meses de agosto e outubro de 2019, pela Escola de Serviço Público do Estado (Esesp) e é exclusiva para servidores efetivos do Detran|ES, com duração de 230 horas.
Mais policiais e capacitação para blitze no interior
Os registros de acidentes de trânsito sem vítimas, que até então era realizados exclusivamente pela Polícia Militar, poderão, a partir de agora, ser realizados pelas Guardas Municipais nas cidades onde o trânsito não é municipalizado. Os agentes das Guardas terão autonomia para lavrar os registros no sistema eletrônico da Secretaria de Segurança Pública, o Batalhão Online, a partir da autorização formalizada pelo Detran|ES. A medida permitirá que a desobstrução das vias ocorra de modo mais rápido e dotará o BPTran de mais policias disponíveis para participar de blitze de trânsito.
“O atendimento de acidentes sem vítimas vai liberar os policias do Batalhão de Trânsito para fazer prevenção a partir do policiamento ostensivo, o que se torna fundamental levando em conta a defasagem do efetivo. O curso de capacitação vai lançar mão de doutrina para a preservação de vidas. Hoje, sabemos os lugares e os dias da semana que estão ocorrendo mais mortes no trânsito. Temos que ir onde o caminho está mais alto, a partir de informação e de estatísticas, e trabalharmos firmemente para a redução de acidentes de trânsito”, salientou o secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Roberto Sá.
Com o objetivo de ofertar aos policiais militares lotados no interior do Estado mais conhecimento para a montagem de operações de trânsito, técnicas modernas e eficazes de abordagem e fiscalização, atuação em conformidade para diversos segmentos de fiscalização, como Lei Seca e Transporte Clandestino, e atualizar e unificar conceitos de fiscalização e policiamento, a Polícia Militar ofertará curso de capacitação para cerca e 160 policias que atuam nas regiões Norte, Noroeste, Sul e Serrana.
“O curso de capacitação dotará os policiais de conhecimentos essenciais para que haja fiscalização de trânsito de qualidade nos locais mais remotos do Espírito Santo. Juntos, nós queremos uma segurança viária melhor”, disse o comandante-geral da polícia Militar, coronel Moacir Leonardo Vieira Barreto Mendonça.
Estiveram presentes no evento o diretor de Habilitação, Veículos e Fiscalização Marcus Perozini e diretor técnico do Detran|ES George Pereira; o comandante do BPTran tenente-coronel Glariston Fonseca; o comandante de Polícia Extensiva Especializada da Polícia Militar, tenente coronel Daltro Ferrari; a diretora técnica da Esesp Maria do Socorro Marques; o delegado de Delitos de Trânsito Maurício Gonçalves; o presidente do Conselho Estadual de Trânsito, Harlen da Silva; além de representantes das Guardas Municipais de Vitória, Vila Velha, Cariacica, Viana, Guarapari, Linhares, da Polícia Rodoviária Federal, do Corpo de Bombeiros e do Sindirochas.
Assessoria/Detran-ES
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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro
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