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Deputados divergem sobre proposta de mudança na escala 6×1

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Mazinho considera mudança nociva à economia, enquanto Camila classifica jornada 6x1 como escravidão / Foto: Kamyla Passos

O debate sobre o fim da jornada de trabalho 6×1 no Brasil, pautado neste ano no Congresso Nacional, foi levado à tribuna da Assembleia Legislativa (Ales) nesta terça-feira (3). O deputado Mazinho dos Anjos (PSDB), contrário à redução, argumentou que a medida não protege os micro e pequenos empreendedores. Já a deputada Camila Valadão (Psol) defendeu a medida como resultado de luta e discussão histórica.

Fotos da sessão

Para Mazinho, a medida de reduzir a jornada sem aumentar a produtividade encarecerá o produto nacional e abrirá espaço para mais importações, prejudicando o emprego dos brasileiros. “Nenhuma compensação estrutural para o empreendedor que gera emprego. Vai ter que reduzir a carga horária dos seus funcionários, manter o mesmo salário. Vai gerar um prejuízo enorme para os empreendedores e, principalmente, para os micro e pequenos, a grande maioria no Brasil”, alertou.

“Temos sim que dar melhor condição de vida para nossos trabalhadores, mas legislar sem responsabilidade econômica pode produzir um efeito contrário. Menos empregos, mais informalidade, o preço dos produtos pode aumentar para a nossa população”, complementou o tucano.

Setores impactados

O deputado enfatizou em seu discurso que comércio e serviço seriam os setores mais impactados, com o custo por hora de trabalho aumentando imediatamente, mas com “a mesma receita e o mesmo faturamento”. “Quem vai pagar essa conta no final? Primeiro, vai ser o pequeno empreendedor. Depois, vai ser o consumidor, o preço das coisas vai aumentar e, por fim, o próprio trabalhador, com menos oportunidades”, opinou.

Mazinho apresentou sua preocupação de o impacto final da medida ser o fechamento de empresas no estado, onde a realidade do pequeno seria “ainda mais dura”, impactando a comunidade e comércio locais que sofrem com plataformas de venda on-line de outros países, “recolhendo poucos impostos, gerando poucos empregos e não sustentam a economia”.

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Ainda segundo o político, historicamente no Brasil, quando o custo de contratação sobe sem ganho de produtividade, crescem a informalidade e os contratos precários de trabalho, além de diminuírem as vagas formais, mas “ninguém quer admitir”. “Temos que falar sobre encargos sobre a folha, simplificação tributária, incentivo à produtividade, insegurança jurídica e combate à concorrência desleal”.

A favor da redução

Na tribuna, a deputada Camila Valadão opinou que a jornada 6×1 representa uma “verdadeira escravidão moderna”, com trabalhadores dando expediente seis dias por semana e folgando apenas um.

Camila defendeu que a redução dará ao trabalhador “mais tempo para ficar com a sua família, para descansar, para acompanhar o crescimento do filho, a educação, ou até ir para a igreja rezar”. “É disso que estamos falando, o trabalhador que atua nessa jornada de trabalho não tem tempo para absolutamente nada disso”.

Valadão destacou que a luta pela redução é histórica na classe trabalhadora, em todo o mundo e não só em nosso país. A deputada lembrou que, quando se discutiu o direito à folga no final de semana ou à licença maternidade, a reação da “elite” foi a mesma.

“A mesma coisa foi dita ‘vai quebrar a economia, vai quebrar o país’, e aqui estamos. A economia brasileira hoje, em dados de pesquisa recente do Ipea, que desmistifica todo esse terrorismo das elites ao projeto que põe fim à jornada de escravidão que é a escala 6×1”, afirmou.

Impacto e apoio

Camila citou ainda que o impacto da mudança no setor de comércio e da indústria seria de apenas 1%. “Um por cento será impacto nesses setores se a gente tiver uma jornada digna, um pouco mais digna de trabalho. Então, a economia brasileira tem capacidade de garantir mais dignidade ao trabalhador e esse projeto tem ampla discussão nesse país, a discussão não será feita às pressas”.

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A parlamentar citou ainda apoio popular com assinaturas e realização de audiências públicas, além de pesquisas apontarem que mais de 70% da população apoiam a redução. “O que quebra a economia brasileira é a exploração do trabalhador. O que quebra as empresas não é uma jornada digna, é o afastamento por adoecimento mental (…) jornada tão exploradora que suga toda a saúde do trabalhador”.

O debate nacional

Tramitam nas duas Casas do Congresso Nacional, propostas de emendas à Constituição que versam sobre redução da jornada máxima de 44 para 36 horas semanais no Brasil. A mudança poderá levar o mercado de trabalho a acabar com a jornada de seis dias trabalhados com direito a um de folga.

Ordem do Dia

Na Ordem do Dia passaram dois Projetos de Lei (PLs) terminativos. Essas iniciativas foram previamente analisadas e aprovadas pela Comissão de Justiça, restando apenas a leitura em Plenário e a confirmação pelos deputados, o que acabou acontecendo na sessão.

Um deles foi o PL 709/2025, do Engenheiro José Esmeraldo (PDT), que declara de utilidade pública estadual a Associação Casa da Esperança, do município de Serra. O outro foi o PL 463/2025, de Alexandre Xambinho (Podemos), que declara de utilidade pública a Associação Comunitária dos Moradores do Bairro Nicolau Vargas e Silva, do município de Conceição do Castelo.

Fonte: POLÍTICA ES

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Mães atípicas pedem apoio para criação de frente parlamentar

Durante a reunião da Comissão de Assistência Social da Assembleia Legislativa (Ales), desta segunda-feira (25), foi pedida a criação de uma frente parlamentar para discutir e fazer valer direitos já conquistados pelas mães de crianças neurodivergentes. A reivindicação veio de representantes do Instituto Atípica+ (IA+), instituição criada há cinco meses no município da Serra que tem como objetivo “cuidar daquelas que cuidam”.

Veja aqui mais informações sobre o Instituto Atípica+

Participaram da reunião a presidente, Tatiane Pontes, a vice, Danielly Lerback, e a advogada Juliana Matos, do departamento jurídico do IA+. Elas relataram as dificuldades vividas pelos cuidadores de pessoas neurodivergentes, cujo funcionamento cerebral diverge do padrão predominante (neurotípico) e engloba condições como Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e dislexia.

Fotos da reunião

A advogada Juliana Matos, que atua há 18 anos nas áreas trabalhista e de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, disse que a legislação existente sobre o assunto é dispersa e pouco efetiva. “Vejo a necessidade de que esse tema seja tratado por uma frente parlamentar ou uma comissão única voltada à neurodivergência e inclusão, porque as informações e os trabalhos que são desenvolvidos acabam sendo fragmentados e não sendo efetivados.”

A presidente do IA+ também pontuou que cuidar das mães é cuidar da base, sobre quem, na maioria das vezes, recai o compromisso permanente de tomar conta de pessoas que exigem cuidados especiais.

“A nossa frente única é cuidar das mães, e hoje é tudo muito segmentado. Entendemos que quando existe essa comissão, nós vamos tratar de educação, vamos tratar de saúde, de direitos e ali [na comissão ou frente] vamos poder defender uma causa. Quando a gente cuida de uma base, cuida de quem cuida. E nós vamos estar defendendo uma família e, automaticamente, aquela criança, aquele filho, vai estar recebendo esse cuidado,” avaliou Tatiane.

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A sugestão foi prontamente aceita pela deputada Raquel Lessa (PP), que também concordou com a análise de Juliana sobre a falta de efetividade das leis.

“Nós temos muitas leis, e a gente precisa que essas leis sejam cumpridas. A gente tem boa vontade de fazer leis; eu fiz algumas leis interessantíssimas sobre a violência contra a mulher, mas essas leis não são cumpridas e não são exigidas. A gente se sente um pouco frustrada, porque o meu papel aqui é de legislar, é de fazer leis, mas quando eu vejo que as leis não são cumpridas, a gente começa a ficar meio triste, desanimada”, disse a presidente da Comissão de Assistência Social.

Campanha do Agasalho

Durante a reunião também foram entregues à Associação Capixaba contra o Câncer Infantil (Acacci) cobertores, roupas, toalhas de banho e outros itens, arrecadados durante a Campanha do Agasalho, realizada pela Comissão de Assistência Social em parceria com a Coordenação de Qualidade de Vida da Casa.

O presidente da Acacci, Francisco Carlos Gava, e Janine Indami, do departamento de Comunicação, receberam os donativos. Além de agradecer, o presidente explicou o trabalho feito pela instituição, criada há 38 anos.

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“A Acacci oferece hospedagem e alimentação, mas isso é só um pedacinho do que a gente faz. A gente oferece todo um suporte psicossocial, porque o câncer infantil não deve ser tratado só na área médica, ele tem um impacto psicossocial e afeta o psicológico da família, que precisa de suporte e de apoio”, disse Gava.

A entidade, com sede no bairro Jardim Camburi, em Vitória, acolhe famílias capixabas de crianças e adolescentes que estão em tratamento contra o câncer infantil e também atende pacientes de algumas cidades do sul da Bahia e do leste de Minas. Isso ocorre porque Vitória está mais perto dessas regiões do que Salvador ou Belo Horizonte, respectivas capitais dos estados atendidos.

Veja aqui mais informações sobre o trabalho da Acacci

O câncer infantojuvenil representa 8% dos casos da doença entre a população de 1 a 17 anos, mas responde pelo maior índice de morte das pessoas nessa faixa etária, perdendo apenas para a violência. Para mudar essa realidade, a Acacci estimula o diagnóstico precoce.

“Diferentemente do adulto, o câncer infantojuvenil não tem como prevenir. O adulto, você fala assim: não fuma não, você pode ter um câncer de pulmão. O câncer infantojuvenil, exceto aquele do olhinho, o retinoblastoma, você não tem como prevenir. Então, o que você tem que fazer? É diagnosticar o mais rápido possível, porque isso aumenta muito as chances de cura”, orientou o presidente da Acacci.

Fonte: POLÍTICA ES

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