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Chamada internacional apoia pesquisas sobre biodiversidade e mudanças climáticas

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Segue até 5 de novembro o período para submissão de propostas da Chamada Confap-Biodiversa: 2019-2020 sobre Biodiversidade e Mudanças Climáticas (Call Biodiversity and Climate Change). Por meio da cooperação com a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), dois projetos capixabas serão selecionados para receberem, juntos, até cinquenta mil euros (€ 50 mil) por 12 meses de realização.

A chamada é realizada a partir da parceria entre o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e a Biodiversa – rede de 39 ministérios e organismos internacionais de 24 países europeus e países parceiros. Essas instituições estão articuladas em projeto ERA-NET, financiado dentro do Programa Horizonte 2020, da Comissão Europeia.

O objetivo da Chamada Confap-Biodiversa é fomentar pesquisas científicas em quatro temas prioritários:
– Consequências das mudanças climáticas na biodiversidade e efeitos naturais sobre a população;
– Processos de feedback em biodiversidade climática;
– Soluções potenciais baseadas na natureza para mitigação e adaptação a mudanças climáticas;
– Sinergias e trocas entre políticas voltadas à biodiversidade, clima e outros setores relevantes, e o papel dos agentes das mudanças.

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As propostas deverão reunir consórcios formados por parceiros de, no mínimo, três países participantes da chamada (sendo dois países membros da União Europeia e um país associado).

Além do Brasil, aderiram à chamada os seguintes países: Áustria, Bélgica, Bulgária, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Israel, Letônia, Lituânia, Noruega, Polônia, Portugal, Romênia, Eslováquia, África do Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Tunísia e Turquia.

No Brasil, são elegíveis pesquisadores por meio da adesão das Fundações de Amparo à Pesquisa dos seguintes estados: Alagoas (Fapeal), Amazonas (Fapeam), Bahia (Fapesb), Distrito Federal (FAPDF), Espírito Santo (Fapes), Goiás (Fapeg), Maranhão (Fapema), Mato Grosso (Fapemat), Mato Grosso do Sul (Fundect), Minas Gerais (Fapemig), Paraíba (Fapesq), Paraná (Fundação Araucária), Pernambuco (Facepe), Rio de Janeiro (Faperj), Rio Grande do Sul (Fapergs), São Paulo (Fapesp) e Santa Catarina (Fapesc).

Prazos de inscrição

As submissões de pré-propostas podem ser feitas até o dia 5 de novembro, às 16h (horário de Bruxelas) – que equivale às 12h no Horário de Brasília -, as submissões das propostas completas devem ser feitas até o dia 10 de abril de 2020, às 16h (horário de Bruxelas) – 12h no Horário de Brasília.

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Quem pode participar?
Podem participar dos consórcios pesquisadores doutores vinculados a Instituições de Ensino Superior (IES) e Instituições de Ciência, Tecnologias e Inovação (ICTIs) baseados nos Estados participantes da Chamada.

Os critérios de elegibilidade e o passo a passo para submissão das propostas podem ser encontrados no www.biodiversa.org/1587 e no site do Confap. Também está disponível uma plataforma para busca de parceiros no endereço: https://proposals.etag.ee/biodivclim/partner-search

Dúvidas de participantes brasileiros podem ser enviadas para a assessora internacional do Confap, Elisa Natola, no e-mail [email protected].

Assessoria Fapes

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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

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O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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