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Autismo na vida adulta: quando o diagnóstico chega depois – Artigo escrito pela neuropsicóloga gabrielense Jéssica Pereira Pelissari Oliveira

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Durante muito tempo, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi associado quase exclusivamente à infância. No entanto, é cada vez mais comum que adultos busquem avaliação especializada ao perceberem dificuldades persistentes na comunicação social, na adaptação a mudanças e na compreensão de regras sociais implícitas. O autismo não surge na vida adulta ele sempre esteve presente, mas pode ter passado despercebido, especialmente em pessoas com bom desempenho acadêmico ou que aprenderam a “camuflar” suas dificuldades ao longo da vida.

Na vida adulta, o autismo pode se manifestar de forma mais sutil, porém significativa: sensação constante de não pertencimento, exaustão após interações sociais, necessidade intensa de rotina e previsibilidade, sofrimento diante de mudanças inesperadas e interesses específicos e profundos. Muitos adultos relatam que sempre se sentiram “diferentes”, mas sem compreender exatamente o motivo. Em diversos casos, diagnósticos prévios como ansiedade, depressão ou TDAH foram identificados, sem que o autismo tivesse sido investigado de forma adequada.

Receber o diagnóstico na vida adulta costuma trazer sentimentos ambivalentes. Para alguns, há alívio e validação; para outros, questionamentos sobre a própria trajetória. Mais do que um rótulo, o diagnóstico é uma ferramenta de compreensão. Ele permite que a pessoa reconheça seu modo de funcionamento, desenvolva estratégias mais saudáveis, reduza a autocrítica excessiva e busque apoios adequados.

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A avaliação neuropsicológica desempenha papel fundamental nesse processo, pois investiga de forma estruturada o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental, contribuindo para um diagnóstico preciso e para o planejamento de intervenções individualizadas. Falar sobre autismo na vida adulta é ampliar o olhar da sociedade e reconhecer que compreender a si mesmo é um passo essencial para viver com mais autenticidade, autonomia e saúde emocional.

Foto: Arquivo Pessoal

Jéssica Pereira Pelissari Oliveira – CRP 16/5835

Psicóloga, neuropsicóloga e especialista em desenvolvimento infantil, Jéssica Pereira Pelissari Oliveira possui sólida formação e atuação voltada à avaliação e intervenção nos transtornos do neurodesenvolvimento. É pós-graduada em Neuropsicologia, Terapia Cognitivo-Comportamental na Infância e Adolescência Intervenção ABA aplicada ao TEA ao DI.

É especialista em Neuropsicologia reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia. Atua como idealizadora e diretora da Clínica de Desenvolvimento Infantil Evoluta, localizada em São Gabriel da Palha/ES, referência no atendimento multidisciplinar a crianças e famílias. É ainda coautora do livro Vozes da Neurodiversidade, obra que contribui para a ampliação do conhecimento e da conscientização sobre o neurodesenvolvimento e a inclusão.

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Dia Internacional do Implante Coclear chama atenção para acesso, informação e acompanhamento educacional – Artigo escrito pela pedagoga gabrielense Rubiani de Fátima Roque

Celebrado em 25 de fevereiro, o Dia Internacional do Implante Coclear reforça a importância do acesso à informação, do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado das pessoas que utilizam essa tecnologia. O implante coclear é um recurso que pode ampliar o acesso ao som para pessoas com perda auditiva severa ou profunda, mas seu uso exige cuidados contínuos e acompanhamento multidisciplinar.

Mais do que o procedimento cirúrgico, o implante coclear envolve um processo que inclui reabilitação auditiva, acompanhamento fonoaudiológico e apoio educacional. Especialistas destacam que os resultados dependem de fatores como a idade da criança, o tempo de privação auditiva, os estímulos recebidos e o suporte familiar e escolar.

No contexto educacional, é fundamental compreender que o implante coclear não “cura” a surdez nem substitui, automaticamente, o acesso à língua. Muitas crianças implantadas continuam necessitando de estratégias linguísticas adequadas para garantir seu pleno desenvolvimento. Por isso, o debate sobre inclusão escolar precisa considerar as especificidades de cada aluno.

O Dia Internacional do Implante Coclear também é um momento de reflexão sobre o direito à escolha informada das famílias. O acesso à tecnologia deve vir acompanhado de orientação clara, respeito às diferenças e garantia de políticas públicas que assegurem acompanhamento de qualidade nas áreas da saúde e da educação.

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A data convida a sociedade a ampliar o diálogo sobre surdez, acessibilidade e inclusão, combatendo visões simplificadas e promovendo o respeito às diferentes formas de desenvolvimento e comunicação. Mais do que celebrar a tecnologia, o dia destaca a importância de olhar para a pessoa, sua história e seus direitos, fortalecendo a luta por informação, equidade e políticas públicas que garantam acompanhamento adequado e inclusão efetiva.

A experiência educacional com crianças que utilizam implante coclear evidência que o acesso à tecnologia, quando aliado a acompanhamento adequado e estratégias educacionais consistentes, pode ampliar as possibilidades de aprendizagem e participação. Mais do que a cirurgia, é o cuidado contínuo que garante desenvolvimento e inclusão.

Rubiani de Fátima Roque. Foto: Arquivo Pessoal

Rubiani de Fátima Roque

Pedagoga formada em 2018, com pós-graduação em Educação Especial e Inclusiva, com ênfase em Surdez e Libras, Docência do Ensino Superior em Libras, Alfabetização e Letramento, Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, Gestão Escolar e Formação em Tradutor e Intérprete de Libras. Atua como professora da Rede Municipal de Educação de São Gabriel da Palha, exercendo as funções de Tradutora e Intérprete de Libras e professora regente. É idealizadora do Projeto “Mãos Que Falam” (2025), voltado à promoção da inclusão e acessibilidade. Possui experiência na área da Educação, com ênfase em Surdez e Libras.

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