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Alessandra Piassarollo

Saudade de quando as coisas eram mais simples…

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Saudade de quando as coisas eram mais simples e não vivíamos sufocados por tantas complicações. Ou era a gente que não complicava tanto as coisas? 

A vida seguia num ritmo bem mais lento, sem tanta cobrança, com menos movimento. E nós fazíamos um tempo para ficar na varanda, só pra assistir o vento balançar os galhos das plantas que amorosamente colocávamos lá.

A gente sentia prazer em colocar água na chaleira e observá-la ferver; e depois apreciar o cheiro do café que subia de dentro da caneca esmaltada, enquanto esfriava sem ser sacudido.

Nesse meio tempo, traçávamos planos menos ambiciosos que os de agora. Não tínhamos tanto desejo de subjugar o mundo; no máximo pensávamos em algumas melhoras.

E na frente das casas, com menos muros e poucas grades, podíamos sentar nos bancos e conversar. Ou nas praças, ou das janelas. A conversa não era debate e não ficava revirando os desconfortos de ninguém.

Fazer um pão, um bordado, jogar cartas e esperar o tempo de cada coisa acontecer. Fazer bem o que se sabia, sem se preocupar com as coisas que não se fazia bem era o segredo dessa vida pacata.

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E quando a saudade vinha, a gente pegava a caneta e com prazer escrevia uma carta àquele alguém. Sem pressa. Com tempo para escolher com apreço as palavras noticiadoras.  E esperava-a ir, como se tivesse asa, e chegar ao seu destino.

Naquele tempo sabíamos que há um momento certo para tudo acontecer. E compreendíamos esse fato.

Andávamos de braços dados. Nossos pertences não eram tão cobiçados. Nem a beleza era tão exigente. Também não gastávamos tanto nosso tempo com notícias dos outros, nem nos comparávamos tanto.

Ficou a saudade dos sabores, dos sons mais calmos e dos amores que tínhamos. Amor pelo sossego, pela calma, pela charmosa harmonia.

Tínhamos tempo para deitar na rede, para ocupar as cadeiras ao redor da mesa, e pra encher a sala com conversas agradáveis e histórias biográficas. Tínhamos tempo para nos encontrar. E nos pertencíamos mais.

A urgência não nos apressava tanto. A paz era vista todos os dias, enquanto acenava sua bandeira branca em frente ao nosso portão.

Hoje os tempos não são mais tão calmos. As semanas correm velozes e o giro rápido, às vezes nos entontece. A família, outrora reunida, agora luta com dificuldade para juntar seus pedaços. Ela já não sabe o que foi feito com o afeto que deveria fazer-lhe companhia.

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Poucos, nesses dias de hoje, conseguem viver satisfeitos. Não basta mais ser, nem existir. E a premente necessidade de estar no topo faz novas vítimas a cada amanhecer.

Desaprendemos a viver. Desnecessariamente gastamos nossa vida com coisas complicadas, e por vezes sem sentido, simplesmente porque não sabemos aonde as coisas simples foram parar.

Alessandra Piassarollo
Administradora e Escritora

Alessandra Piassarollo

Seja feliz: antes de mais nada, acima de tudo! – artigo pela gabrielense Alessandra Piassarollo

Há quem diga que a felicidade bate à porta, mas não gira a maçaneta. E, em muitos casos, ela bate suave e discretamente, à espera de um convite para entrar. De outro lado, cá estamos nós, na eterna busca pela felicidade. Essa busca constante nos leva a pensar nela como prioridade. Tanto assim que nossos melhores desejos para alguém sempre se traduzem em: “seja feliz” ou “te desejo toda felicidade do mundo”. Mas para a maioria, os desejos de felicidade estão relacionados a um tipo de felicidade escandalosa, como se fosse um bilhete premiado da loteria.

Muita gente cultiva dentro de si um ideal de felicidade estrondosa, maravilhosa e exclusiva, quando, no fundo, isso não se traduz necessariamente em verdade. Há quem sonhe e deseje viver como em um comercial de tv: se vê gargalhando numa manhã ensolarada, em uma casa bonita, em um cenário muito aquém da sua realidade. Mas acorda numa cama simples, todos os dias, e com as cortinas (dos olhos) fechadas, não se percebe nem tão feliz nem tão afortunado. E isso frequentemente se transforma em angústia, porque a felicidade sonhada parece ser um ideal inatingível.

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Mas, mais importante que saber o que se procura, é saber reconhecer o que se encontra. Existe felicidade nas miudezas, nos detalhes, nos acontecimentos simples, em todos os lugares. O que acontece é que nem todas as pessoas estão preparadas para enxergarem isso.

Felicidade é algo que vem de dentro. Não é o que você tem que determinará o quanto você será feliz. É como você encara tudo o que te acontece que vai determinar isso. A felicidade não é uma linha contínua. Ela é linha tracejada, com intervalos e muitas curvas, que é para combinar bem com as voltas que a vida dá.

É possível se sentir feliz mesmo que a vida não seja como se gostaria. A satisfação de ter direito a um novo dia deve levar-nos a refletir que nem tudo é bom como parece em teoria, mas que tudo pode ser aproveitado para nosso crescimento e satisfação pessoal.

Ninguém vai ser feliz o tempo todo, todos os dias. Mas os pequenos momentos de felicidade precisam ser percebidos como uma soma, algo que nos faça entender que a vida não é tão ruim quanto possa parecer, no fim das contas.

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Os dias ruins agem enganosamente e nos fazem pensar que passamos por mais dificuldades que por momentos felizes. Mas essa não é a realidade. Sempre há uma benção, um acontecimento bom, uma surpresa boa. Saber reconhecer isso faz toda a diferença. É através dessa consciência que podemos ter mais energia para desfrutarmos de todos os acontecimentos. Essa percepção é também a porta principal para termos um coração mais grato. E felicidade e gratidão andam sempre de mãos dadas.

Ainda que seja algo pequeno, tudo o que é positivo ajuda a construir uma vida feliz. Estejamos atentos, olhos e coração abertos para perceber todas as pequenas felicidades que existem ao longo do caminho. Busquemos viver segundo o conselho de Carlos Drummond de Andrade: “Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.”

Alessandra Piassarollo
Administradora e Escritora

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